Ricomero

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Flávio Ricomero (em latim: Flavius Richomeres) (m. 393) foi um militar franco do Império Romano tendo sido elevado durante sua carreira a conde, mestre dos soldados (magister militum) e cônsul. Casou-se com Ascyla, com quem teve um filho, Teodemero, que tornou-se rei dos francos; foi tio do general Arbogasto.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Em 377, Ricomero foi nomeado conde dos domésticos do imperador Graciano e foi transferido da Gália para a Trácia, quando o Oriente estava envolvido nas guerras góticas do imperador Valente;[2] Ricomero tornou-se líder das tropas conjuntas dos generais Frigérido (outro enviado de Graciano), Trajano e Profuturo e comandou a ofensiva romana na batalha dos Salgueiros (377).[3] Ricomero voltou para o Ocidente onde permaneceu até que Graciano novamente o enviou para o Oriente. Ao chegar em Adrianópolis, Ricomero entregou a Valente uma carta onde Graciano afirmava que não demoraria a chegar com suas tropas.[4]

Quando o líder gótico Fritigerno exigiu reféns para garantir a paz dos romanos ele se ofereceu e partiu do acampamento romano para trazer os outros reféns com segurança para Fritigerno, mas antes de ele chegar alguns elementos de ambos os exércitos ficaram fora de controle e engajados, começaram a batalha de Adrianópolis.[5] Em meio ao caos no campo de batalha, Ricomero conseguiu retirar-se e sobreviver, enquanto o exército romano foi em grande parte destruído e muitos oficiais caíram, incluindo Valente.[6]

Cerca de 383 Ricomero foi nomeado mestre dos soldados do Oriente (magister militum per orientum) e em 384 cônsul; entre 388-393 novamente apossou-se do título de mestre dos soldados[7] e em 391 adquiriu o título de "mestre dos dois exércitos" (magister utriusque militiae).[8] No ano de 388 foi enviado por Teodósio I, junto de Arbogasto, Promoto e Timásio para combater Magno Máximo, que foi derrotado. Em 393, devido ao crescente poder de Arbogasto no Ocidente, Teodósio I preparou uma expedição contra ele que seria comandada por Ricomero, no entanto, este faleceu antes da campanha ser realizada.[1]

Posteridade[editar | editar código-fonte]

Ele tinha casado com uma Ascila, que havia dado à luz Teodemiro, o futuro rei dos Francos[9][10][11] e talvez ancestral dos merovíngios segundo evidências tardias (cerca de 660 ou seja, dois séculos e meio depois) da Crónica de Fredegário. A existência de Ricimero (ou Richomer), patrício romano de 457-472 levou Helmut Castritius (de) à hipótese de uma menina de Ricomero casada com Vália rei dos Visigodos e avó do patricio Ricimero.[12][13]

Referências

  1. a b Zósimo & século VI, p. IV.55.2-3.
  2. Marcelino & século IV, p. XXXI.7.4.
  3. Nort 2007, p. 187-188.
  4. Marcelino & século IV, p. XXXI.12.4.
  5. MacDowall 2001, p. 73.
  6. Nort 2007, p. 66.
  7. Watts 2012, p. 68.
  8. Teodósio II & 438, p. VII.1.13.
  9. Grégoire de Tours, Histoire des Francs, Livre 2, chapitre 9.
  10. Kurth 1896, p. 152.
  11. Rouche 1996, p. 83.
  12. Helmut Castritius, «  », Ancient Societyvol. 3,‎ 1972, p. 233–243.
  13. Settipani 1996, p. 32

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Marcelino, Amiano. Res Gestae. [S.l.: s.n.], século IV.
  • Zósimo. Historia Nova. [S.l.: s.n.], século VI.
  • Teodósio II. Codex Theodosianus. [S.l.: s.n.], 438.
  • Nort, Richard M. Van. The Battle of Adrianople and the Military Doctrine of Vegetius (em inglês). [S.l.: s.n.], 2007. ISBN 0549257985
  • MacDowall, Simon. Adrianople AD 378: The Goths crush Rome's legions (em inglês). [S.l.: s.n.], 2001. ISBN 1841761478
  • Watts, Dorothy. Religion in Late Roman Britain: Forces of Change (em inglês). [S.l.: s.n.], 2012. ISBN 0415118557