São Romão (Minas Gerais)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
São Romão
  Município do Brasil  
Vista da cidade às margens do rio São Francisco
Vista da cidade às margens do rio São Francisco
Hino
Gentílico são-romanense[1]
Localização
Localização de São Romão em Minas Gerais
Localização de São Romão em Minas Gerais
São Romão está localizado em: Brasil
São Romão
Localização de São Romão no Brasil
Mapa de São Romão
Coordenadas 16° 22' 08" S 45° 04' 08" O
País Brasil
Unidade federativa Minas Gerais
Região intermediária[2] Montes Claros
Região imediata[2] São Francisco
Municípios limítrofes Pintópolis, Urucuia, Riachinho, Santa Fé de Minas, Ponto Chique, Ubaí, Icaraí de Minas
Distância até a capital 529 km[3]
História
Fundação 23 de outubro de 1668 (351 anos)
Emancipação 7 de setembro de 1923[4]
Administração
Distritos
Prefeito(a) Marcelo Meireles de Medonça (PSDB, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total [1] 2 434,004 km²
População total (estimativa IBGE/2019) [1] 12 337 hab.
Densidade 5,1 hab./km²
Clima semiárido (BSh)[6]
Altitude 480 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 39290-000 a 39294-999[7]
Indicadores
IDH (PNUD/2010) [8] 0,640 médio
PIB (IBGE/2017) [9] R$ 138 653,76 mil
PIB per capita (IBGE/2017) R$ 11 659,41
Outras informações
Padroeiro(a) Santo Antônio[10]

São Romão é um município brasileiro no estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no norte mineiro e sua população estimada em 2019 era de 12 337 habitantes.[1] Situa-se a uma latitude 16º22'07" sul e a uma longitude 45º04'10" oeste e suas principais atividades econômicas são a pesca a agricultura e a pecuária.

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

São Romão foi fundada em 1668, sob o nome de Santo Antônio da Manga, tendo como primeiros habitantes os índios caiapós que viviam numa ilha que divide o rio São Francisco à altura do que seria mais tarde o arraial, fundado às margens esquerdas do rio São Francisco, entre os rios: Urucuia, Paracatu e Ribeirão da Conceição.

Essa ilha foi palco de violentas batalhas travadas entre foragidos da justiça de todo Brasil e de Portugal, índios nômades ou aldeados, escravos fugidos e elementos desgarrados de antigas bandeiras, tendo como combatente principal Manuel Francisco de Toledo, designado para o policiamento do local pelo governo da província.[11] Manuel Francisco de Toledo era sobrinho de Januário Cardoso de Almeida.[11]

"Fronteira ao arraial está uma ilha, que se diz a de São Romão, com meia légua de comprido e quase 400 passos geométricos de largo, onde consta, por tradição constante e não controvertida, que houve uma aldeia de índios, os quais a desampararam, depois de destroçados por Januário Cardoso de Almeida, paulista, e Manuel Pires Maciel, português, em dia de "São Romão". Não havendo certeza do ano desse fato, sabe-se contudo que fora antes de 1712...".[12]

Motins do Sertão[editar | editar código-fonte]

Mais tarde, em 1736, marcada pelo inconformismo perante o jugo colonial, explodiram os motins do sertão transformando o arraial mais uma vez em cenário de lutas tendo desta feita, como principal combatente o comandante Pedro Cardoso (procurador do povo), filho de Maria da Cruz.

Este movimento foi o primeiro, contra a cobrança de impostos e a liberdade destes para o povo do sertão do São Francisco e das minas. Era a guerra contra a cobrança de impostos. O palco foi o Arraial de São Romão, porque era o primeiro porto e Entreposto Comercial do médio São Francisco e a sede de Judicatura, portanto, no arraial tinha promotoria, era a sede da justiça no sertão das Gerais e pertencia a comarca do Rio das Velhas, com sede em Sabará. Estes movimentos aconteceram 53 anos antes da inconfidência mineira e abalou os governantes da capital da colônia e o Rei em Portugal.

Após a conquista, empório comercial e ponto de ligação dos sertões com o litoral, o arraial viveu os seus dias de glória tendo sido porto de escoamento de ouro e de cunho de moedas bem como de pedras preciosas e minerais oriundos em sua grande maioria de Goiás e Mato Grosso.

Em 1831, o arraial passa a condição de vila, com o peculiar nome de Vila Risonha de Santo Antônio da Manga de São Romão, homenagem do Santo do dia de sua fundação. Elevado à condição de Município em 1924, pela Lei Estadual nº 843 de 7 de Setembro de 1923, com o nome de São Romão, faziam parte de seu território os distritos de Capão Redondo (hoje Santa Fé), Arinos, Formoso e Buritis. São Romão possui atualmente dois distritos, a sede e o distrito da Ribanceira, a 12 km de distância, situado a margem esquerda do rio São Francisco.

Mito da Casa da Moeda[editar | editar código-fonte]

Em São Romão existiam três casarões com brasões da República Federativa do Brasil (de forma irregular) em

suas fachadas, construídos entre os anos de 1890 a 1930. Dois pertenciam aos irmãos republicanos Francisco José Leite e Joaquim José Leite. O outro, pertenceu a Toniquinho Guedes.

O único ainda preservado, é localizado no nº 78 da Avenida Newton Gonçalves Pereira e hoje é sede da Secretaria de Cultura e Turismo, construído no início da Década de 30 por Francisco Leite. Este casarão ganhou o status de Casa da Moeda do Brasil no final da Década de 90, porém é sabido que Francisco José Leite usou o brasão da República de forma não oficial na fachada do casarão, simplesmente porque era republicano.

Os outros dois casarões, que tinham em suas fachadas o mesmo brasão, apesar de arquiteturas diferentes, foram derrubados na enchente de 1979. Estavam localizados, o pertencente a Joaquim José Leite, na Rua Major Saint Clair Valadares, esquina com Manoel Jovino Filho e o outro, que pertenceu a Toniquinho Guedes, entre a antiga Avenida Quintino Vargas, (ex Rua dos Umbuzeiros) e a Rua dos Oliveiras,(ex Rua das Pedrinhas). Todos os três casarões, eram residências e comércio.

Hoje, o grande desafio da Secretaria de Cultura é desfazer o mito que algum dia São Romão teve casa da moeda ou de fundição.

Geografia[editar | editar código-fonte]

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE,[13] o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Montes Claros e Imediata de São Francisco.[2] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Pirapora, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Norte de Minas.[14]

Clima[editar | editar código-fonte]

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de junho de 2007 a dezembro de 2019,[15] a menor temperatura registrada em São Romão foi de 5,4 °C em 1º de agosto de 2007, e a maior atingiu 42,2 °C em 11 de novembro de 2019. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 144,8 milímetros (mm) em 1º de dezembro de 2014.[16][17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «São Romão». Consultado em 26 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2019 
  2. a b c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 10 de fevereiro de 2018 
  3. Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG). «Distâncias BH/Municípios». Consultado em 19 de agosto de 2009. Arquivado do original em 21 de setembro de 2009 
  4. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (2007). «São Romão - Histórico» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 26 de dezembro de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 26 de dezembro de 2019 
  5. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (9 de setembro de 2013). «São Romão - Unidades territoriais do nível Distrito». Consultado em 26 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2019 
  6. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (9 de setembro de 2013). «São Romão (MG)». Consultado em 26 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2019 
  7. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. «Busca Faixa CEP». Consultado em 26 de dezembro de 2019 
  8. Atlas do Desenvolvimento Humano (29 de julho de 2013). «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Consultado em 26 de dezembro de 2019. Arquivado do original (PDF) em 8 de julho de 2014 
  9. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2017». Consultado em 26 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2019 
  10. Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). «Lista por santos padroeiros» (PDF). Descubra Minas. p. 6. Consultado em 26 de dezembro de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 26 de dezembro de 2019 
  11. a b Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, Ed. Itatiaia Ltda, 1995)
  12. Memórias Históricas da Província de Minas Gerais, Rev. A. P. M, XIII, 622
  13. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Divisão Regional do Brasil». Consultado em 26 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2019 
  14. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2016). «Divisão Territorial Brasileira 2016». Consultado em 26 de dezembro de 2019 
  15. «Estação Meteorológica de Observação de Superfície Automática - São Romão». Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Consultado em 26 de dezembro de 2019 
  16. Sistema de Monitoramento Agrometeorológico (Agritempo). «Dados Meteorológicos - Minas Gerais». Consultado em 26 de dezembro de 2019 
  17. «Consulta Dados da Estação Automática: São Romão (MG)». Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Consultado em 26 de dezembro de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre municípios do estado de Minas Gerais é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.