Saade Almostaim

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Saade Almostaim
Emir ou rei de Granada
COA of Nasrid dynasty kingdom of Grenade (1013-1492).svg
Brasão do Reino de Granada
Reinado 1455agosto de 1464
Antecessor(a) Maomé XI
Sucessor(a) Abu Haçane Ali
Dinastia Nasridas
Morte 1465
Filho(s) Abu Haçane Ali

ʾAbu Nácer Saade ibne Ali ibne Iúçufe (em árabe: أبو نصر "المستعين" سعد بن علي بن يوسف; transl.: ʾAbū Naṣr al-Mustaʿīn Saʿd ben ʿAlī Ben Yūsuf, cognominado al-Musta`in (em árabe: مستعين, "que é apoiado [por Deus]") e conhecido como Ciriza, Cidi Sad ou Mulay Zad nas crónicas castelhanas (m. 1465) foi o 20º rei nasrida de Granada em duas ocasiões entre 1455 e 1464. Era neto de Iúçufe II e sobrinho de Iúçufe III (r. 1408–1417), e sucedeu a Maomé XI (El Chiquito), que derrubou com o apoio de Castela. O seu reinado foi interrompido durante alguns meses em 1462 pelo seu irmão Abu al-Hajjaj Iúçufe (Iúçufe V). Foi sucedido pelo seu filho Abu Haçane Ali (Muley Abul Hassan ou Mulhacén), que o destronou em 1464.

Ascensão ao trono[editar | editar código-fonte]

Durante a última parte do seu reinado, a partir de 1451, senão antes, Maomé IX al-'Aysar partilhou o trono com Maomé XI, que nomeou seu sucessor e com quem casou com a sua filha. Quando Maomé IX morreu em 1453, Maomé XI assumiu sozinho o trono. No início de 1454, os Abencerragens,[a] que tinham começado por não se opôr à sua proclamação, resolvem procurar um novo candidato ao trono, acabando por escolher Abu Nasr Sa`d que proclamam rei em Archidona em julho, mas Maomé el Chiquito continua a controlar a capital e as cidades mais importantes do reino.[1]

Entretanto, em Castela, Álvaro de Luna, o valido do rei João II, tinha perdido a confiança deste e foi executado a 2 de junho de 1453 em Valladolid. João II morre a 21 ou 22 de julho de 1454, pouco depois da proclamação de Sa`d em Archidona, sucedendo-lhe Henrique IV. Alguns dias depois da coroação de Henrique, chega à sua corte Abu al-Hasan Ali, filho de Sa`d, que vai ficar como refém do rei castelhano juntamente com mais 350 granadinos em troca do apoio pedido pelos Abencerragens a Castela para colocar Sa`d no trono de Granada.[1]

Henrique IV prossegue e amplifica a política de assédio na fronteira do reino de Granada e atiça as divisões internas na dinastia nasrida. As incursões castelhanas em território nasrida repetem-se todos os anos, embora sem grandes consequências, aparentemente servindo mais para entreter os nobres e evitar que tenham ideias de rebelar-se e para justificar o dinheiro recebido por conta da cruzada decretada pelo Papa Calisto III, pois segundo um cronista da época, Henrique gastou muito pouco com a "guerra dos mouros".[1]

Na primavera de 1455, o emirado granadino encontrava-se dividido em três: Maomé el Chiquito controlava Málaga, Guadix e Almeria; Sa`d continuava em Archidona e tinha sob as suas ordens a guarnição africana de Ronda; por fim, os castelos de Íllora e de Moclín, bem como a importante posição estratégica de Gibraltar encontravam-se sob o controlo dos antigos apoiantes de Maomé al-'Aysar.[b] Henrique IV entrou na Veiga de Granada com um poderoso exército, os granadinos mantiveram-se fiéis a Maomé XI. Em maio de 1455, as forças castelhanas penetram até Málaga, que resiste sob o comando de ibn al-Barr e ibn Kumasa. Sa`d encontra-se com o rei castelhano para lhe prestar homenagem.[1]

Sa`d al-Musta`in, apoiado pelos Abencerragens e por Castela, toma o poder em Granada ainda em 1455.[c] Maomé XI refugia-se nas Alpujarras.[1]

Primeiro reinado (1455-1462)[editar | editar código-fonte]

Sa`d al-Musta`in, apoiado pelos Abencerragens e por Castela, toma o poder em Granada em 1455. No mesmo ano, Henrique IV de Castela cerca Álora mas não chega a conquistá-la. Em 1456, os adversários de Henrique retomam Estepona, Jimena de la Frontera e Benalmádena, que abandonam pouco depois. Os habitantes de Benalmádena refugiam-se em Mijas e voltam à sua terra em seguida, para a reconstruirem. A trégua com Castela termina em 1461 e Castela conquista Fuente de Piedra. O governador castelhano de Jaén, Miguel Lucas de Iranzo, faz duas incursões no reino de Granada; estas entradas audaciosas causam grande agitação entre os granadinos.[1]

A 11 de abril de 1462, o príncipe herdeiro de Granada, Abu al-Hasan Ali, derrota Luis Pernia, governador de Osuna, e Rodrigo Ponce de León, filho do conde de Arcos, numa batalha travada em El Madroño. A 28 de julho de 1462, Pedro Girón, grão-mestre da Ordem de Calatrava, conquista Archidona.[2] A 16 de agosto, o duque de Medina Sidonia, Juan Pérez de Guzmán e o conde de Arcos tomam Gibraltar graças à ajuda dum muçulmano convertido ao cristianismo.

Em Granada, Sa`d al-Musta`in tenta desculpar-se destas ameaças castelhanas pondo as culpas nos Abencerragens, que são quem na realidade dirigem o reino, acusando-os de gastarem os impostos e de não pagarem o tributo a Castela. Sa`d tenta libertar-se da tutela dos Abencerragens que o tinham colocado no poder e para se proteger da fúria popular, ordena a prisão de alguns deles e manda assassinar os membros mais poderosos daquela família.[2]

Interregno (1462) e segundo reinado (1462-1464[editar | editar código-fonte]

Os restantes Abencerragens fogem para Málaga e fomentam uma rebelião contra Sa`d. Em outubro de 1462, este refugia-se em Almeria. Os legitimistas tentam repor no trono Maomé XI el Chiquito. Este cai numa armadilha montada por Abu al-Hasan `Ali, filho de Sa`d al-Musta`in, e acaba degolado na Alhambra juntamente com os seus filhos.[1] Finalmente Abu al-Hajjaj Iúçufe V chega a Granada na companhia dos Abencerragens e com o apoio de Castela é assume o trono.[1]

No verão de 1463, Abu al-Hasan Ali entra em Granada, fazendo com que Iúçufe V fuja para Íllora com os Abencerragens. Abu al-Hasan devolve então o trono ao seu pai Saad. Iúçufe V morre pouco depois. Em agosto de 1464 Sa`d é deposto pelo seu filho Abu al-Hasan, que entretanto se tinha aliado aos Abencerragens.[1]

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Os Abencerragens eram um poderoso clã árabe que tinha tido um papel fundamental nas lutas pelo poder de al-'Aysar (que subiu ao trono derrubando o rei legítimo Maomé VIII al-Mutamassik, primeiro em 1419 e depois em 1429.
[b] ^ José Tapia Garrido refere apenas que El Chiquito controlava a maior parte das cidades, Sa`d controlava Archidona e Ronda e Almeria se encontrava controlada por um filho de Ciriza chamado Mohammed el Zagal, o qual era apoiado pelo seu sogro Aben Celim el Nayar.[1] Esta última situação parece estar em contradição com a estimativa do filho de Ciriza conhecido como el Zagal, futuro Maomé XIII (r. 1485–1487) ter nascido em 1444. Aben Celim é também o nome pelo qual é conhecido pelos castelhanos um dos reis de Granada.
[c] ^ Tapia Garrido não indica o ano exato em que Sa`d se apoderou de Granada, referindo apenas que «o rei Chiquito deve ter sido acabado por ser destronado, por el Zagal, num documento lavrado em 1456 em Almeria intitula-se rei de Granada».[1]
  1. a b c d e f g h i j k Tapia Garrido, p. 245-246
  2. a b Shamsuddín Elía 2006.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Maomé XI
Rei de Granada
1455-1462
Sucedido por
Iúçufe V
Precedido por
Iúçufe V
Rei de Granada
1462-1464
Sucedido por
Abu al-Hasan Ali ben Sa`d