Iúçufe IV de Granada

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Iúçufe IV de Granada
Emir ou rei de Granada
COA of Nasrid dynasty kingdom of Grenade (1013-1492).svg
Brasão do Reino de Granada
Reinado 1 de janeiro de 14321432
Antecessor(a) Maomé IX
Sucessor(a) Maomé IX
Dinastia Nasridas
Nome completo
أبو الحجاج يوسف بن المول بن محمد
ʾAbū al-Ḥajjāj Yūsuf ben al-Mawl ben Muḥammad

ʾAbū al-Ḥajjāj Yūsuf ben al-Mawl ben Muḥammad (em árabe: أبو الحجاج يوسف بن المول بن محمد) ou simplesmente Iúçufe IV, conhecido como Abenalmao[a] pelos castelhanos foi o 16º rei nasrida de Granada, que reinou alguns meses em 1432. Neto de Maomé VI pela parte materna, "o Ruivo" (r. 1360–1362),[b] subiu ao trono com o apoio de João II de Castela, destronando Maomé IX al-'Aysar.

É provável que Iúçufe V seja o Abenámar do Romance de Abenámar, um curto "romance de fronteira" que descreve o encontro entre o mouro granadino Abenámar e o rei João II de Castela em 1431.[nt 1]

Ascensão ao trono[editar | editar código-fonte]

Depois da execução de Maomé VIII por Maomé al-'Aysar em março de 1431, Riduane Bannigas, líder do poderoso clã dos Bannigas (Banu Egas ou Venegas) e do partido dos legitimistas (Maomé VIII era herdeiro legítimo do trono por ser filho de Iúçufe III e foi destronado por Maomé IX), que tinha apoiado Maomé VIII, procurou outro pretendente. Em vez de escolher um dos netos de Iúçufe II, como Iúçufe ibne Amene ibne Iúçufe ou Saad al-Mustain, como seria mais lógico, Riduane prefere alguém que lhe está mais próximo — o seu cunhado Iúçufe ibne al-Maul ibne Maomé. Os dois netos de Iúçufe II, ainda muito jovens, apoiam esta escolha.[1]

Apesar de João II de Castela ter apoiado, embora de forma ambígua, Maomé IX contra Maomé VIII quando o primeiro regressou da Tunísia em 1428 ou 1429 para recuperar o trono nasrida, o rei castelhano nunca chegou a dar-lhe qualquer apoio decisivo, preferindo em vez disso fomentar os conflitos internos no emirado para que este reconhecesse vassalagem a Castela e para obter tributos mais avultados. Após Maomé IX retomar o poder não conseguiu chegar a acordo com João II, que continuou a exigir mais concessões e a recusar um tratado de paz permanente.[nt 1]

Os conspiradores adversários de Maomé IX decidem pedir ajuda ao rei castelhano. Para tal, Riduane dirige-se à corte castelhana reunida em Córdova e aconselha os castelhanos a atacarem diretamente Granada. A 3 de junho de 1431, João II divulga uma bula do papa Martinho V que proclama que a conquista de Granada é uma cruzada. O exército castelhano entra no emirado granadino sem encontrar resistência. No dia seguinte, Riduane Bannigas e Iúçufe ibne al-Maul saem de Granada para ir ao encontro do rei castelhano. Este último, em vez de reconhecer Iúçufe como o seu novo vassalo soberano de Granada, limita-se a oferecer-lhe hospitalidade.

As tropas de Maomé IX, comandadas por Maomé al-'Ahnaf ("o Coxo", futuro Maomé X) são derrotadas a 1 de julho de 1431 na batalha de Higueruela pelo exército castelhano comandado por Álvaro de Luna. Apesar disso, os castelhanos param o seu avanço e não entram na cidade de Granada. O plano de João II, que passa por desestabilizar o emirado, tem sucesso, pois pouco tempo depois tinham-se juntado a Iúçufe vários adversários de Maomé IX e uma parte dos Abencerragens, um clã influente e rival dos Bannigas, que até então tinha apoiado al-'Aysar.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 1431, Iúçufe ibne al-Maul assina em Ardales um tratado com João II que estipula os termos da vassalagem de Granada.[2] Este tratado deveria ser ratificado quando Iúçufe ocupasse o trono em Granada. Maomé IX, abandonado por todos exceto os Abencerragens, acaba por abandonar Granada e fugir para Almeria, que lhe continuava fiel, após uma rebelião no bairro do Albaicín. Ao saber disto, Iúçufe envia de Íllora Ridwan Bannigas com 600 cavaleiros, a fim de ocuparem Granada. Riduane enfrenta uma resistência ligeira dos últimos partidários de al-'Aysar e entra facilmente na capital do emirado com os seus homens.

Iúçufe al-Maul entra em Granada a 1 de janeiro de 1432. O seu primeiro ato político é nomear Riduane Bannigas como vizir. A 27 de janeiro, Iúçufe al-Maul torna-se oficialmente Iúçufe IV na Alhambra. Ratifica o tratado de vassalagem com Castela, promete libertar todos os cativos cristãos que tivesse nos seus territórios, não consentir que no seu território um cristão se convertesse ao islão e a pagar anualmente a Castela um tributo de 20 000 dobrões de ouro de boa qualidade. O tratado obrigava ainda o emir a fornecer a Castela 1 500 cavaleiros e a custeá-los no caso de Castela ser atacada.

Este tratado humilhante produz uma grande consternação em Granada. Os alfaquis (juristas islâmicos) incitam ao apoio a Maomé IX, que abandona Almeria para ir para Málaga, onde tem numerosos partidários, juntamente com aqueles que o tinha acompanhado na fuga de Granada e com alguns habitantes de Almeria. Também apela ao sultão háfsida Abu Faris, que o tinha ajudado a recuperar o poder em 1429. A ocasião de passar ao ataque tinha chegado, pois a maior parte das cidades do emirado começavam a rejeitar a autoridade de Iúçufe, que nunca logrou impor a sua autoridade sobre todo o reino.

O lugar-tenente de Maomé IX, Maomé, "o Coxo" e 500 cavaleiros atacam Granada de surpresa, tomando a almedina, o Albaicín e uma parte da Alhambra. Iúçufe ibne al-Maul apela aos Castelhanos, que reúnem tropas a que se juntam cerca de 400 cavaleiros que continuam fiéis a Iúçufe. Maomé, o Coxo, receia ser apanhado entre dois fogos, pelo que sai da cidade para poder combater em campo aberto. O seu exército encontra os reforços enviados de Castela na planície e derrota-os.

Iúçufe IV compreende então que já não meios para resistir. Capitula frente o Coxo e é feito prisioneiro, mas a sua vida é poupada. No fim de abril de 1432, Maomé, o Coxo envia uma mensagem a Maomé IX anunciando-lhe a captura do seu rival. Maomé IX reentra triunfalmente em Granada, sobe à Alhambra e liberta Iúçufe IV da prisão. Este refugia-se em Castela e nada mais se sabe sobre ele. Pode supor-se que morreu em Castela.[1] Alguns autores referem que Iúçufe teria sido executado por Maomé IX[3] em abril de 1432. Ridwan Bannigas e outros apoiantes de Iúçufe fogem de Granada e refugiam-se em Castela.[1]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. a b Trechos baseados no artigo «Yusuf IV, Sultan of Granada» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
[a] ^ Abenalmao, o nome pelo qual os Castelhanos conheciam Yusuf IV,[2] é uma corruptela de (al)ben al-Mawl.
[b] ^ Segundo www.hukam.net,[4] Yusuf IV era filho de Maomé VI al-'Ahmar. Para Nicolás Homar Vives,[5] e Leonard P. Harvey[2] era neto de Maomé VI. Outras fontes indicam-no como neto de Maomé V al-Ghani].[carece de fontes?]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Homar Vives, Nicolás, «España 18A (1237/1492)», www.homar.org, Reyes y Reinos Genealogias, Granada (em espanhol), consultado em 20 de fevereiro de 2013 
  • Sourdel, Janine; Sourdel, Dominique (2004), «Nasrides», Dictionnaire historique de l'Islam, ISBN 9782130545361 (em francês), Quadrige. Presses universitaires de France, p. 615 


Precedido por
Maomé IX
Rei de Granada
1432-1432
Sucedido por
Maomé IX