Maomé II de Granada

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Maomé II de Granada
Emir ou rei de Granada
COA of Nasrid dynasty kingdom of Grenade (1013-1492).svg
Brasão do Reino de Granada
Reinado 12731302
Antecessor(a) Maomé I
Sucessor(a) Maomé III
Dinastia Nasridas
Nome completo
Abu 'Abd Allah Muhammad ben Muhammad
Nascimento 1235
  Granada
Morte 7 de abril de 1302 (67 anos)
  Granada
Filho(s) Maomé III

Abu `Abd Allah Muhammad ben Muhammad (Granada, 1235 – Granada, 7 de abril de 1302) foi o segundo rei nasrida de Granada. Reinou entre 1273 e 1302 com o nome de Maomé II e cognome Alfaqui (o jurisconsulto), devido aos seus conhecimentos jurídicos e religiosos.

Sucedeu ao seu pai Maomé I e foi sucedido pelo filho Maomé III

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ao aceder ao trono, Maomé II contava com uma grande experiência política e militar graças às tarefas de governo que viera desempenhando como vizir do seu pai, Maomé I, cuja política de mudanças sucessivas de alianças e pactos haveria de continuar.

O primeiro objetivo que fixou como monarca foi acabar com a sublevação que os Banu Asqilula, governadores de Málaga e Guadix, mantinham viva desde o reinado do seu pai graças ao apoio de Afonso X de Castela. Para isso, em 1274 assina um acordo com o rei castelhano pelo qual, em troca de 300 000 maravedis e da rutura com os nobres castelhanos que se rebelaram contra o seu rei, este comprometia-se a parar de apoiar os Banu Asqilula.

O descumprimento do pactuado por parte de Afonso X levou Maomé II a buscar, em 1275, o apoio da dinastia dos Merínidas, sediada no que é atualmente Marrocos. Seu emir, Abu Yusuf Yacub, desembarcou com o seu exército e assentou-se nas praças de Algeciras e Tarifa, cedidas pelo rei nasrida.

Os Merínidas, com o apoio de Maomé II e dos seus rivais, os Banu Asqilula, enfrentaram-se às tropas castelhanas entre agosto de 1275 e janeiro de 1276, conseguindo uma importante vitória em Écija. Contudo, Abu Yusuf Yacub viu-se obrigado a voltar para a África, devido à rebelião interna que estava sofrendo o seu próprio reino. Durante esta primeira campanha militar Maomé II conseguiu ficar com Martos, após o qual assinou uma trégua contra os seus inimigos, os Banu Asqilula.

Em 1277, Abu Yusuf Yacub retorna à Península Ibérica e retoma as campanhas militares contra os Castelhanos, embora nesta ocasião não conte com o apoio militar de Maomé II.

Em 1278 ocorreu uma mudança de alianças quando os Banu Asqilula cederam Málaga aos Merínidas, o que levou Maomé II a aliar-se novamente com Afonso X, que enviou uma frota que logrou bloquear Algeciras, isolando com isso os Merínidas das suas bases no Magrebe. Esta circunstância permitiu a Maomé II a tomada de Málaga sem luta em 1279, tendo o seu governador cedido a cidade em troca de 50 000 dinares e das praças de Almuñécar e Salobreña.

Após nomear o seu primo e genro Abu Said Faraj como governador de Málaga, Maomé II deu uma nova virada na sua política de alianças e pactuou novamente com os Merínidas, visando impedir a queda de Algeciras em mãos castelhanas. Após derrotar Afonso X, houve uma nova ruptura entre os Merínidas e os Nasridas, ao serem descumpridos os acordos sobre a soberania sob a que deveriam ficar tanto Málaga como Algeciras.

Esta ruptura terminou numa nova aliança dos Merínidas e dos Castelhanos contra os Nasridas, que sofreram o ataque da coligação sobre a sua capital, Granada, em 1280 e 1281. Após recusar ambos as tentativas de tomar a cidade, Maomé II aproveitou os conflitos dinásticos que desde 1282 enfrentavam Afonso X com o seu filho Sancho para se aliar com este e com o rei Pedro III de Aragão.

Em 1284 faleceu Afonso X e Maomé II decidiu acabar definitivamente com os Banu Asqilula, que ainda conservavam as praças de Guadix e de Comares. Embora Comares se entregasse sem luta, Guadix recusou entregar-se e, após pedir infrutuosamente ajuda ao novo rei castelhano, solicitou apoio militar aos Merínidas, que novamente desembarcaram na Península em 1285. Contudo, a morte de Abu Yusuf Yacub em 1286 provocou uma mudança das prioridades Merínidas, que a partir de então se focariam no Magrebe, pelo qual o novo sultão Abu Yaqub acordará com Maomé II a cessão de todas as praças merínidas do Alandalus com a exceção de Algeciras, Tarifa, Ronda e Guadix. Finalmente Guadix passaria às mãos dos Nasridas em 1288.

Em 1291, Maomé II assinou uma aliança com Sancho IV, com o objetivo de expulsar os Merínidas das três praças que ainda conservavam na Península: Algeciras, que ficaria nas mãos castelhanas, Tarifa, que passaria às mãos dos Nasridas, e Ronda.

Após colaborar no assédio de Tarifa, que seria tomada a 13 de outubro de 1292, Maomé II se virou novamente para os Merínidas ao não obter a prometida soberania sobre a praça conquistada. Para isso, acorreu a Tânger em 1293, para se entrevistar com o sultão, acordando que, após a conquista de Tarifa, esta ficaria em poder merínida em troca de Algeciras e Ronda. Iniciou-se então o assédio de Tarifa, praça que resistiria sob comando de Alonso Pérez de Guzmán, que passou à história com o apelido de Guzmán "o Bom".

O fracasso da tomada de Tarifa levará Abu Yaqub a abandonar definitivamente as suas pretensões territoriais na Península, pelo que em 1295 cederá a Maomé II as praças de Algeciras e Ronda. Contudo, Ronda rebelou-se e o seu governador, pertencente à família dos Banu Hakim, declarou-se independente. A crise solucionar-se-ia em 1296 quando, após chegar a um acordo, Maomé II entrou em Ronda.

Com esta última conquista, a integridade territorial do Reino de Granada foi integralmente reconstituída e Maomé II centrou-se a partir de então em conseguir a sua consolidação, beneficiando com os problemas dinásticos que sofreria Castela por causa da morte de Sancho IV em 1295, que seria sucedido por Fernando IV, então com apenas nove anos de idade, e que deveria fazer face às pretensões dinásticas dos Infantes de la Cerda. Este conflito sucessório permitiria a tomada das praças-fortes de Quesada em 1295 e da cidade de Alcaudete em 1300.

Notas e bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MENÉNDEZ PIDAL, Historia de España (1999). Tomo VIII: 'El Reino Nazarí de Granada (1232 – 1492), pp. 92 e ss.
Precedido por
Maomé I
Rei de Granada
1273-1302
Sucedido por
Maomé III