Salto de Sete Quedas

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Salto de Sete Quedas
Saltos del Guairá
Características
Altura 114 m
Localização
Rio Rio Paraná
País  Brasil
 Paraguai
Coordenadas 24° 04′ S 54° 17′ W

O Salto de Sete Quedas também chamado Sete Quedas do Rio Paraná (em espanhol: Saltos del Guairá) foram as maiores cachoeiras do mundo em volume de água com 13.300 m³/segundo sendo o dobro de volume d'água das Cataratas do Niagara na divisa EUA/Canadá e treze vezes mais caudalosas que as Victoria Falls na Zâmbia. Seu som poderia ser ouvido a 30km de distância, seu canal principal possuía 4km de comprimento e profundidades que variavam entre 140 e 170 metros. A pesar do nome Sete Quedas, são constituídas por 19 Saltos, enumerados em 7 Quedas. As quedas eram um sucesso, Guaíra chegou a ser a cidade turística mais visitada do Brasil até que em 1966 foi decretada a submersão do Salto das Sete Quedas através da Ata do Iguaçu onde ocorreria o seu desaparecimento com a formação do lago da Usina hidrelétrica de Itaipu. O governo havia decretado que a construção da Usina de Itaipu iria alagar as Setes Quedas, uma área em litígio entre Brasil e Paraguay devido a uma demarcação territorial sob a serra de Maracaju. No entanto resquícios delas aparecem quando o nível de água do Lago de Itaipu está baixo, normalmente quando várias tomadas de água na usina de Itaipu são utilizadas simultaneamente. Nos meses de Novembro, Dezembro e Janeiro de 2000/2001 e de novembro e dezembro de 2012 e em janeiro de 2013 uma pequena parte de um dos saltos e grande parte das pedras apareceram no rio.[1][2].

Descrição[editar | editar código-fonte]

Sua morte foi causada pela ambição política da época. As negociações para a construção da Usina de Itaipu se deram na década de 60, entre o Brasil e o Paraguai. Após seis anos de negociações, em 1966, foi fechado um tratado para a construção da Hidrelétrica de Sete Quedas. A potência hídrica do rio foi o principal atrativo para a construção, além da eliminação do litigio fronteiriço com o Paraguay que também alegava que as Sete Quedas pertenciam ao Paraguay. A divisão territorial se dava (e ainda é) na 5a Queda.

Apesar do nome, eram constituídas por 19 cachoeiras principais, sendo agrupadas em Sete grupos de quedas. Recordistas mundiais em volume d'água, as Sete Quedas eram o principal atrativo turístico de Guaíra, cidade que, à época, chegou a ter 60 mil habitantes, rivalizando em importância com as cataratas de Foz do Iguaçu. (Foz do Iguaçu antes da Usina de Itaipu contava com aproximadamente 20.000 habitantes) À época, Guaíra era um dos destinos brasileiros mais visitados por estrangeiros. Atualmente, a população da antiga cidade real espanhola é de aproximadamente 30 mil habitantes.

Nomes de alguns Saltos: Salto Arco-Íris, Salto Barão de Mauá, Salto Benjamim Constant, Salto do Caxias, Salto Deodoro, Salto Diretor Francis, Salto Floriano, Salto General Estigaríbi, Salto do Limite, Salto Marechal Lopes, Salto Maria Barreto, Salto Osório, Salto Presidente Franco, Salto Rabisco Mendes, Salto Ruy Barbosa, Salto Saldanha Gama, Salto Saltinho, Salto do Tamandaré, e Salto Thomás Laranjeira.

Eram as únicas cachoeiras do mundo com visitação sobre a parte superior, através das pontes penseis, uma experiência única e inexistente até hoje.

Alagamento[editar | editar código-fonte]

Quando da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu (Que no início das sondagens sobre o potencial hidrelétrico do Rio Paraná, se chamaria Usina de Sete Quedas), ocorreu uma super visitação ao Parque Nacional das Sete Quedas. Milhares de pessoas, de todas as partes do Brasil e do mundo, iam a Guaíra para presenciar os últimos dias das Sete Quedas. Devido à superlotação, em 17 de Janeiro de 1982 ocorreu a queda da ponte Presidente Roosevelt, que dava acesso ao Salto 19, tendo como consequência a morte de 32 pessoas. No entanto, 6 pessoas sobreviveram, salvas por pescadores de Guaíra. A investigação apontou para uma dupla causa: primeiro, a falta de cuidado com a manutenção das pontes sob a presunção de que em breve as Sete Quedas seriam inundadas; e depois, o aumento descontrolado da visitação, pois todos queriam ver os Saltos antes de seu desaparecimento para a formação do lago de Itaipu.

Às vésperas da inundação, uma grande manifestação ocorreu no parque nacional das Sete Quedas. Centenas de pessoas se reuniram e realizaram o ritual indígena Quarup, em memória das Sete Quedas.

Em 13 de outubro de 1982, o fechamento das comportas do Canal de Desvio de Itaipu começou a sepultar, com as águas barrentas do lago artificial, um dos maiores espetáculos da face da Terra: as Sete Quedas do Rio Paraná ou "Saltos del Guaíra".

Durante a inundação, os moradores de Guaíra iam até a beira do rio para se despedirem das Sete Quedas.

A inundação das Sete Quedas durou apenas 14 dias, pois ocorreu em uma época de cheia do rio Paraná, e todas as usinas hidrelétricas acima de Itaipu abriram suas comportas, contribuindo com o rápido enchimento do lago. O alagamento das Sete Quedas ocorreu somente nos dois últimos dias do alagamento total, ou seja, no décimo segundo dia de alagamento.

Portanto, em 27 de outubro de 1982, 14 dias após o início do enchimento do Lago de Itaipu, o lago estava formado e as quedas, submersas. Nos dias seguintes ao alagamento, apenas as copas das árvores ficavam acima do nível do rio.

De acordo com levantamentos altimétricos a primeira ponte - a do Saltinho - ficava a 204 metros acima do nível do mar, o que significa que o lago formado pela represa de Itaipu, ao atingir sua cota que é de 220 metros acima do nível do mar, deixou esta ponte sob 16 metros abaixo da lâmina de água.

Posteriormente, a parte do afloramento rochoso, próximo a ponte Ayrton Senna, foi dinamitado para melhorar as condições de segurança da navegação.

Em 1982, às vésperas dos 80 anos, o poeta Carlos Drummond de Andrade expressou sua inconformidade com a destruição do Salto de Sete Quedas, um patrimônio natural do Brasil e da humanidade.

Na edição de 9 de setembro, quando afinal se anunciava o fechamento das comportas para a criação do lago da hidrelétrica de Itaipu, Drummond publicou este poema no Jornal do Brasil. Em letras grandes, os versos ocuparam uma página inteira, a capa do Caderno B:

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]