Segunda Guerra na Chechênia
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BTR-80 russo parcialmente destruído após uma emboscada em Zhani-Vedeno. | |||
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| Local | Chechênia, Rússia | ||
| Desfecho | Vitória Russa
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| 25 000 civis mortos na Chechênia | |||
A Segunda Guerra na Chechênia (em russo: Втора́я чече́нская война́, em checheno: Шолгӏа оьрсийн-нохчийн тӏом, lit. Segunda Guerra Russo-Chechena)[13] foi um conflito bélico que ocorreu na Chechênia e nas regiões fronteiriças do Cáucaso Norte entre a Federação Russa e a separatista República Chechena da Ichkeria, durando de agosto de 1999 a abril de 2009.[14]
Em agosto de 1999, islamistas da Chechênia infiltraram-se no Daguestão, na Rússia. No final de setembro, ataques a bomba em edifícios residenciais ocorreram em cidades russas, matando mais de 300 pessoas. As autoridades russas rapidamente culparam os chechenos pelos ataques, embora nenhum checheno, comandante de campo ou outro, tenha assumido a responsabilidade. Durante a campanha inicial, as forças militares russas e as paramilitares chechenas pró-Rússia enfrentaram os separatistas chechenos em combate aberto e tomaram a capital chechena, Grozny, após um cerco durante o inverno que durou de dezembro de 1999 a fevereiro de 2000. A Rússia estabeleceu o controle direto sobre a Chechênia em maio de 2000, embora a resistência militante chechena em toda a região do Cáucaso Norte continuasse a infligir muitas baixas russas e a desafiar o controle político russo sobre a Chechênia por vários anos. Ambos os lados realizaram ataques contra civis. Esses ataques atraíram condenação internacional.[14]
Em meados de 2000, o governo russo transferiu certas responsabilidades militares para forças chechenas pró-Rússia. A fase militar das operações foi encerrada em abril de 2002, e a coordenação das operações de campo foi entregue primeiro ao Serviço Federal de Segurança e, em meados de 2003, ao Ministério do Interior.[14]
Até 2009, a Rússia havia desarticulado o movimento separatista checheno, e os combates em massa cessaram. O exército russo e as tropas do Ministério do Interior cessaram as patrulhas. Grozny passou por uma reconstrução, e grande parte da cidade e das áreas circundantes foi rapidamente reconstruída. A violência esporádica continuou no Cáucaso Norte; ataques bombistas e emboscadas ocasionais contra tropas federais e forças dos governos regionais na área ainda ocorrem.[15][16]
Em abril de 2009, a operação governamental na Chechênia terminou oficialmente.[17] Com a retirada da maior parte do exército, a responsabilidade de lidar com a insurgência de baixa intensidade foi assumida pela polícia local. Três meses depois, o líder exilado do governo separatista, Akhmed Zakayev, pediu a interrupção da resistência armada contra a polícia chechena a partir de agosto. Isso marcou o fim da Segunda Guerra Chechena. O número de mortos no conflito é desconhecido, mas o total de vidas perdidas, incluindo combatentes e não combatentes, é estimado em mais de 60 000 pessoas mortas.[14]
História
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O estopim da crise, que leva a uma reação russa, foi uma série de atentados terroristas, contra um prédio residencial de famílias de soldados russos, que matou 62 pessoas, e outros atentados, em Moscou que causaram mais de 300 mortes. Outro ataque a um hospital, causou 120 mortes.
A campanha de 1999 reverteu o resultado da Primeira Guerra na Chechênia, em que a região havia ganho grande autonomia, que alguns consideravam independência de facto como a República Chechena da Ichkeria. Entretanto o único país que reconheceu a independência foi o Afeganistão durante o período do Talebã. Embora seja considerada por muitos como um conflito interno dentro da Federação Russa, a guerra atraiu um grande número de combatentes jihadistas (mujahidins) estrangeiros, incluindo redes terroristas apoiadas pelo Afeganistão.
Durante a campanha inicial, militares russos e os chechenos pró-Rússia enfrentaram os separatistas chechenos e os mujahidins estrangeiros em combate aberto. A capital chechena Grozny sofreu um longo cerco que durou de 1999 até meados de fevereiro do ano seguinte.

A Rússia estabeleceu o controle direto da Chechênia, em maio de 2000 e após a ofensiva em grande escala. Focos esporádicos de resistência dos insurgentes chechenos continuaram em toda a região do Cáucaso durante mais alguns anos. O novo primeiro-ministro, Vladimir Putin (nomeado por Bóris Ieltsin um mês antes), tornou-se conhecido nacionalmente por ter liderado a ofensiva no Cáucaso e ter derrotado os separatistas chechenos. Putin venceu facilmente as eleições de 2000.
Alguns rebeldes chechenos também realizaram novos ataques terroristas contra alvos civis na Rússia, incluindo a invasão do teatro de Dubrovka, na periferia de Moscou, durante a realização de um espetáculo, o que resultou cerca de 200 mortes de civis, em 2002, depois que as forças especiais russas (Spetsnaz) bombearam um gás tóxico para dentro do teatro.

Em 2004, um grupo de terroristas chechenos atravessou a fronteira e tomou uma escola com mais de 1 000 crianças na cidade de Beslan, Ossétia do Norte. A Crise de reféns da escola de Beslan durou 3 dias e terminou com os terroristas detonando explosivos na escola e matando 334 e ferindo 700 pessoas.[18]
As violações generalizadas dos direitos humanos pelas forças combatentes (russas e separatistas), atraíram críticas internacionais, especialmente dos Estados Unidos e da União Europeia.
O apoio da Arábia Saudita aos separatistas chechenos tornou as relações russo-sauditas mais tensas, a ponto do presidente Putin ameaçar publicamente o governo saudita de retaliação militar caso um novo atentado daquele tipo ocorresse.
O apoio da Geórgia aos separatistas chechenos também é considerado um dos fatores que ajudaram a deteriorar as relações russo-georgianas na última década.
A continuidade da guerrilha em áreas montanhosas do Cáucaso mantém a tensão permanente na região.[19]
Referências
- ↑ Documents Working Papers, p. 4, no Google Livros
- ↑ «Russia 'ends Chechnya operation'». BBC News. 16 de abril de 2009. Consultado em 14 de abril de 2009
- ↑ a b Russia (Chechnya) (1999 – first combat deaths in current phase) | Project Ploughshares 30 de marzo de 2011. Consultado el 23 de junio de 2011.
- ↑ New Chechen Army Threatens Moscow (en inglés) en AIA. Publicado el 2006-07-12. Con acceso el 2008-01-05.
- ↑ Global security - Second Chechnya War - Renewed Fighting - 2002-2006
- ↑ Central Asia-Caucasus Institute Analyst. Russian Chechenya Policy "Chechenization" turning into "Kadyrovization" Emil Souleimanov, 31 de mayo de 2006.
- ↑ a b Conference on Conflict in the North Caucasus: Social and Political Balance in the Region. Center for Security and Science 2000. Chisinau, octubre de 2008, pp. 12
- ↑ Uppsala conflict data expansion. Non-state actor information. Codebook pp. 348; 362.
- ↑ Islamicawakening.com World Exclusive Interview with Ibn al-Khattab Según cifras del estado ruso en la región de Botlikh operaban más de 500 muyahidines en 1999, en la vecina Nolak 1 200 (ambas en Daguestán) además de dos mil en Chechenia en campos de entrenamiento, el gobierno de Moscú estimaba que bien podían alcanzar los cinco mil de los que más de mil murieron en el principio de la guerra.
- ↑ Global security - Second Chechnya War - Final Phase - February 2000
- ↑ «Russia: December 25, 2002». Strategypage.com. Consultado em 17 de outubro de 2011
- ↑ «Russia put 750 militants out of action in 2009 – Interior Ministry | Russia | RIA Novosti». En.rian.ru. 1 de outubro de 2009. Consultado em 17 de outubro de 2011
- ↑ «"Путине болчул а алсам цабезам бу сан Кадыровга"». Маршо Радио (em checheno). 17 de outubro de 2019. Consultado em 24 May 2021. Cópia arquivada em 21 de outubro de 2020 Verifique data em:
|acessodata=(ajuda) - ↑ a b c d Galeotti, Mark (2014). Russia's Wars in Chechnya 1994–2009 (PDF). Col: Essential Histories. Oxford: Osprey Publishing. ISBN 978-1-78200-277-2
- ↑ «CIA – The World Factbook – Russia». Cia.gov. Consultado em 17 de outubro de 2011. Cópia arquivada em 9 de janeiro de 2021
- ↑ It's over, and Putin won Arquivado em 2013-01-21 no Wayback Machine The Guardian, Acessado em 23 de fevereiro de 2009
- ↑ «Russia 'ends Chechnya operation'». BBC News. 16 de abril de 2009. Consultado em 14 de abril de 2009. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2017
- ↑ «Massacre em Beslan completa três anos com cerimônia na Rússia». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 7 de fevereiro de 2022
- ↑ «Guerrilha chechena diz que morte de líder não põe fim a conflito - 10/07/2006 - UOL Últimas Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 7 de fevereiro de 2022