República Chechena da Ichkeria

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Noxçiyn Paçẋalq Noxçiyçö
Нохчийн Пачхьалкх Нохчийчоь
Чеченская Республика Ичкерия

República Chechena da Ichkeria
Flag of the Chechen-Ingush ASSR (1957-1978).svg
1991 – 2007 Flag of the Chechen Republic.svg
 
Flag of the Caucasian Front.png
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Hino nacional
Hino da República Chechena da Ichkeria


Localização de Chechênia
Chechênia na região do Cáucaso
Continente Europa
Região Cáucaso
País Rússia
Capital Grozny
Língua oficial Checheno
Russo (de facto)
Religião Islamismo sunita
Governo República (1991-1998), República Islâmica (1998-2007), República (2007-)
Presidente da Ichkeria
 • 1991–1996 Djokhar Dudaiev 
 • 1996–1997 Zelimkhan Yandarbiyev 
 • 1997–2005 Aslan Maskhadov 
 • 2005–2006 Abdul-Halim Sadulayev 
 • 2006–2007 Dokka Umarov
Primeiro Ministro da Ichkeria
 • 2007–presente Akhmed Zakayev
(primeiro ministro em exílio)
História
 • 7 de fevereiro de 1990 Colapso da União Soviética
 • 1 de novembro de 1991 Dissolução da República Autónoma Socialista Soviética da Checheno-Inguchétia
 • 11 de dezembro de 1994 – 31 de agosto de 1996 Primeira Guerra da Chechênia
 • 26 de agosto 1999 a maio de 2000 Segunda Guerra da Chechênia
 • maio de 2007 Rússia estabelece o controle
 • maio de 2000 - 16 de abril de 2009 Segunda Guerra da Chechênia - fase de insurgência
Área
 • 2002 15 300 km2
População
 • 2002 est. 1 103 686 
     Dens. pop. 72,1 hab./km²
Moeda Rublo russo
Nahar checheno
(impresso em 1994, não chegou entrar em circulação)

A República chechena da Ichkeria (Latim checheno: Noxçiyn Pachhalq Noxçiyçö, Cirílico checheno: Нохчийн Пачхьалкх Нохчийчоь; em russo: Чеченская Республика Ичкерия) é o não-reconhecido governo separatista da Chechênia. A Chechênia está localizada nas montanhas do Cáucaso do Norte e faz divisa com o Krai de Stavropol a noroeste, com a República do Daguestão a nordeste e leste, com a Geórgia ao sul e com as repúblicas da Inguchétia e Ossétia do Norte-Alânia a oeste. A república foi proclamada no final de 1991 por Dzokhar Dudayev, e participou de duas guerras devastadoras entre separatistas e a Federação Russa que era contra a secessão. No final de 2007, o Presidente da Ichkeria, Dokka Umarov, renomeou a república para Noxçiyçö e a converteu em uma província do Emirado do Cáucaso, sendo ele próprio o Emir. Esta mudança de status tem sido rejeitada por alguns membros do antigo governo checheno em exílio.[1][2][3][4]

Em 1990, com o colapso da União Soviética se aproximando, a Chechênia (assim como outras velhas repúblicas soviéticas) começaram a vislumbrar sua independência, com Dzhokhar Dudayev sendo eleito seu líder. O movimento separatista começou a ganhar força em junho de 1991 e em novembro Dudayev foi feito presidente e declarou formalmente a independência da Chechênia.[5] A Rússia, incialmente, não respondeu, preferindo focar sua atenção em outras regiões problemática, como em Inguchétia.[6] Nos três anos após a independência, a República da Ichkeria de fato governou-se sozinha, com pouca ou nenhuma intervenção por parte do governo central russo, embora milícias favoráveis a Moscou permanecessem. A Chechênia era vista, naquela época, como um "Estado sem lei", com várias regiões tomadas pela violência sectária. No meio deste caos, em agosto de 1994, Umar Avturkhanov, líder do Conselho Provisório pró-Rússia, ordenou que as tropas centrais atacassem Dudayev, que por sua vez ordenou uma mobilização em massa na Chechênia e ameaçou a Rússia de jihad caso interviessem.[7][8] Após derrotar Avturkhanov na Primeira Batalha de Grozny, Dudayev declarou a Chechênia como um estado islâmico e em dezembro começou a primeira guerra por independência. Em março de 1995, após quase três meses de cerco, a Rússia ocupou Grozny, mas a capital da República da Ichkeria foi retomada pelos rebeldes separatistas em agosto de 1996.[9][10] De acordo com fontes russas, a Chechênia caiu em desordem e anarquia pelos próximos três anos, com sequestros, assaltos e estupros se tornando comuns.[11] Economicamente, a região viu sua infraestrutura interna ser destruída pelos combates e bombardeios russos, causando miséria e aumentando a pobreza. Um ano após a morte de Dudayev, Aslan Maskhadov ascendeu a presidência que, com o passar do tempo, passou a concentrar poderes extraordinários em suas mãos. Sua justificativa para estas ações era o caos humanitário e o crescente radicalismo wahhabita dos senhores da guerra, como Shamil Basayev.[12] A crise política interna piorou, com o parlamento local sendo suspenso em 1999 e políticos, ativistas e até membros da Cruz Vermelha sendo mortos. Assim, frente a esses entraves, a República Chechena da Ichkeria nunca conseguiu se firmar como um Estado viável e coeso, não sendo reconhecido como uma nação independente por nenhuma das potências globais.[13]

Em 1999, a guerra eclodiu na região do Daguestão. Militantes islâmicos chechenos cruzavam a fronteira para ajudar os guerrilheiros no país vizinho, algo que irritou profundamente a Rússia.[14] O governo russo, vendo a desordem interna na Chechênia e a radicalização islâmica por lá, resolveu intervir militarmente para pacificar sua fronteira e reaver velhos territórios, dando início a Segunda Guerra na Chechênia em agosto de 1999. Com muitos chechenos insatisfeitos com o governo do presidente Maskhadov, houve pouca resistência por parte da população civil e o exército russo avançou com mais facilidade.[15] Em fevereiro de 2000, Grozny foi retomada completamente pela Rússia, com a cidade ficando parcialmente em ruínas. De fato, as forças russas foram acusadas de bombardeio indiscriminado por todo o país, causando muitas vítimas. O governo de Ichkeria foi então forçado ao exílio. Entre 2000 e 2007, uma insurgência tomou forma. Inicialmente violenta e constante, foi perdendo força ao longo dos anos.[16] Desde 2015, praticamente não foi reportado mais nenhuma ação terrorista de intensidade notável por parte de guerrilheiros jihadistas.[17]

Em 2022, guerrilheiros chechenos, ainda guardando um enorme ressentimento com a Rússia, se voluntariaram para lutar na Ucrânia contra os russos durante a Guerra Russo-Ucraniana.[18]

Referências

  1. «Chechnya profile». BBC. 11 de agosto de 2015. Consultado em 3 de novembro de 2022 
  2. Sakwa, Richard (2005). Chechnya: From Past to Future. [S.l.]: Anthem Press. p. 280. ISBN 9781843313618 
  3. Meyers, Jeff (2017). The Criminal–Terror Nexus in Chechnya: A Historical, Social, and Religious Analysis. [S.l.]: Lexington Books. p. 129. ISBN 9781498539319 
  4. Galeotti, Mark (2014). Russia's Wars in Chechnya 1994-2009. Oxford: Osprey Publishing. ISBN 9781782002772 
  5. «Defiance of the wolf baying at Yeltsin's door». The Guardian. 8 de setembro de 1994. Cópia arquivada em 23 de agosto de 2013 
  6. Jenkinson, Brett C. (2002). «Tactical Observations From The Grozny Combat Experience» (PDF). United States Military Academy, West Point. p. 29. Consultado em 10 de dezembro de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 30 de abril de 2017 
  7. Smith, Duane "Mike"; Hodges, Frederick "Ben". «War as a Continuation of Policy». Cópia arquivada em 10 de dezembro de 2017 
  8. Meek, James (12 de agosto de 1994). «Dudayev threatens holy war». The Guardian. Consultado em 9 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 23 de agosto de 2013 
  9. «Airstrike hits Chechen separatist region». UPI (em inglês). 29 de novembro de 1994. Consultado em 10 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2017 
  10. «Russian troops begin pullout in Chechnya». CNN. 25 de agosto de 1996. Cópia arquivada em 29 de abril de 2005 
  11. Stanley, Alessandra (24 de janeiro de 1997). «Chechen Voters' Key Concerns: Order and Stability». The New York Times. Consultado em 9 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 27 de maio de 2015 
  12. «Freedomhouse.org». Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2011 
  13. Agence France-Presse (25 de dezembro de 1998). «A Chechen Islamic Ruling». The New York Times. Cópia arquivada em 27 de maio de 2015 
  14. «Dagestan moves to state of holy war». The Independent. 11 de agosto de 1999. Consultado em 9 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 10 de dezembro de 2017 
  15. Uzelac, Ana (7 de outubro de 1999). «In ruins of one war, Grozny prepares for the second». The Guardian. Consultado em 9 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 8 de maio de 2014 
  16. «Why Is The Death Toll Tumbling In The North Caucasus?». Radio Free Europe/Radio Liberty. 10 de fevereiro de 2015. Consultado em 17 de fevereiro de 2015 
  17. «Islamic State Apparently Wins Its Competition With Caucasus Emirate». Jamestown Foundation. 13 de novembro de 2015. Consultado em 16 de novembro de 2015 
  18. Sultan al-Kanj (22 de outubro de 2022). «Chechen fighters leave Syria to battle Russians in Ukraine». Al-Monitor 
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