Senhora da Hora
Senhora da Hora | |
|---|---|
| Freguesia | |
| Gentílico | senhorense |
| Localização | |
| Localização de Senhora da Hora em Portugal | |
| Coordenadas | 41° 11′ 01″ N, 8° 39′ 07″ O |
| Município | |
| História | |
| Fundação | 14 de junho de 1933 |
| Administração | |
| Tipo | Junta de freguesia |
| Presidente | Leonardo Fernandes |
| Características geográficas | |
| Área total | 3,778 km² |
| População total (2021) | 26 988 hab. |
| Código postal | 4460 Senhora da Hora |
| Outras informações | |
| Orago | Nossa Senhora da Hora |
Senhora da Hora é uma cidade portuguesa do Município de Matosinhos e do Distrito do Porto sendo sede da Freguesia de Senhora da Hora.
A Freguesia de Senhora da Hora foi criada no dia 14 de junho de 1933[1]. Em 2013, a Freguesia da Senhora da Hora foi extinta no âmbito de uma reforma administrativa nacional, para, em conjunto com a Freguesia de São Mamede de Infesta, formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de São Mamede de Infesta e Senhora da Hora, com sede em Senhora da Hora[2]. Em 2025, as freguesias agregadas foram repostas às suas características iniciais.[3]
A vila de Senhora da Hora foi elevada à categoria de cidade em 12 de Junho de 2009.[4]


Geografia
[editar | editar código]Senhora da Hora situa-se no Norte de Portugal, no Distrito do Porto, no Município de Matosinhos. A sua área geográfica comum ficou definida em 380 hectares.[5]
A norte faz fronteira com Custóias e Guifões. A leste com São Mamede de Infesta. A oeste com Matosinhos. A sul com Ramalde e Aldoar, sendo estas duas últimas, da cidade do Porto, cuja fronteira é a Estrada da Circunvalação do Porto.
Bairros[6]
[editar | editar código]- Alto do viso
- Azenha de Cima
- Barbeitos
- Barranha
- Carriçal
- Cruz de Pau
- Fonte do Cuco
- Lagoa
- Lavadores de Baixo
- Lavadores de Cima
- Madorninha
- Monte dos Burgos
- Padrão da Légua
- Quatro Caminhos
- Real
- São Gens
Certas parcelas de alguns destes territórios entram pelo termo de outras circunscrições, designadamente Matosinhos, Custóias e São Mamede de Infesta.
Património
[editar | editar código]Cultural e Civil[6]
[editar | editar código]- Casa e Quinta de São Gens
- Centro Cultural da Senhora da Hora
- Monumento dos Centenários
- Vila Etelvina ou Palacete Sapage[8] (agora serve o CIVAS)
Templos
[editar | editar código]- Capela de Nossa Senhora da Penha de França
- Capela de Nossa Senhora da Hora
- Igreja da Nossa Senhora da Hora
Parques
[editar | editar código]- Parque das Sete Bicas
- Parque de Jogos Manuel Pinto de Azevedo
- Parque do carriçal
Fontes[6]
[editar | editar código]- Fonte da Azenha de Cima
- Fonte das Sete Bicas
- Fonte do Carriçal
- Fonte dos Lagos
Comercial
[editar | editar código]- Centro Comercial Londres
- Feira da Senhora da Hora
- Galeria Avenidas
- Hipermercado Continente
- NorteShopping
Industrial
[editar | editar código]- Germen - Moagem de Cereais S.A.
Escolas[10]
[editar | editar código]- Colégio Efanor
- Escola Básica da Barranha
- Escola Básica da Quinta de São Gens
- Escola Básica da Senhora da Hora
- Escola Básica de Quatro Caminhos
- Escola Secundária da Senhora da Hora
- Externato Arco-Íris
Universidades
[editar | editar código]- Escola Superior de Artes e Design
- Instituto Superior de Serviço Social do Porto
- Porto Business School
- Universidade Sénior Ser+
Saúde
[editar | editar código]- Centro de Saúde da Senhora da Hora
- Hospital Pedro Hispano
Desporto
[editar | editar código]- Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos
- Estádio do Mar
- Pavilhão Municipal da Senhora da Hora
Estações de metro
[editar | editar código]- Estádio do Mar
- NorteShopping - Sete Bicas
- Pedro Hispano
- Senhora da Hora (antiga Estação Ferroviária da Senhora da Hora)
- Vasco da Gama
Coletividades
[editar | editar código]- Associação Betesda
- Associação de Apoio a Pessoas com Cancro
- Associação de Pais da Senhora da Hora
- CIVAS - Centro de Infância, Velhice e Ação Social
- Passo Positivo
- Porto Canal
Clubes
[editar | editar código]- Barranha Sport Clube
- Clube Desportivo da Quinta Seca
- GD4Caminhos (Grupo Desportivo Quatro Caminhos)
- Leixões Sport Club
- Lions Clube da Senhora da Hora
- Núcleo Desportivo de Veteranos da Senhora da Hora
- Padroense Futebol Clube
- Rotary Club da Senhora da Hora
- Sport Clube Senhora da Hora
População
[editar | editar código]| 1940 | 1950 | 1960 | 1970 | 1981 | 1991 | 2001 | 2011 | 2021 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 5 160 | 5 856 | 7 435 | 9 944 | 13 321 | 19 988 | 26 543 | 27 747 | 26 988 |
| +13,49% | +26,96% | +33,75% | +33,96% | +50,05% | +32,79% | +4,54% | -2,74% |

| Distribuição da população por grupos etários | |||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Ano | 0-14 anos | 15-24 anos | 25-64 anos | > 65 anos | 0-14 anos | 15-24 anos | 25-64 anos | > 65 anos | |
| 2001 | 4 524 | 3 752 | 15 730 | 2 537 | 17,0% | 14,1% | 59,3% | 9,6% | |
| 2011 | 3 901 | 3 188 | 16 797 | 3 861 | 14,1% | 11,5% | 60,5% | 13,9% | |
Economia
[editar | editar código]Agricultura[6]
[editar | editar código]A agricultura desempenha desde longa data um papel relevante no contexto económico da Senhora da Hora, favorecida pela camada humosa do solo, abundância de água e clima propício ao desenvolvimento e variedade de culturas. No presente, o milho graúdo de sequeiro e regadio é a principal cultura, usado como recurso alimentar para o agricultor e manutenção do gado bovino.
Os terrenos são enriquecidos, do ponto de vista orgânico, com estrume de curral, cabeça e tripa de sardinha, sargaço, entre outros, sendo este último o mais apreciado, devido à sua riqueza proteica no adube de solos siliciosos, características da região. Em áreas de cultivo intensivo, nomeadamente na exploração de produtos hortícolas e pomares, em terrenos frescos e férteis, utilizam frequentemente estrume e outros corretivos orgânicos, em fertilizações várias, que provocam um enriquecimento no solo em matéria orgânica e elementos nutritivos.
Devido ao aproveitamento intensivo dos terrenos e atendendo ao seu declive, fez-se a estabilização com muros de suporte. A existência de linhas de água, obrigou à abertura de valas de enxugo ou drenagem. A adoção de regadio implicava a construção de poços, tanques, entre outros.
No tocante à exploração cerealífera, a cultura dominante é o milho, seguindo-se o trigo e o centeio.
Nos quintais e quintas dos agricultores do passado, recaía uma gama notável de culturas, de ciclo anual, com base numa alternância de culturas de inverno, como o cereal, forragens, couves e nabal com culturas de verão, designadamente milho, batatas, cenouras, feijão, cebolas, tomates, pimentos, alhos, abóboras, alfaces, couves, espargos, melancias, melões, pepinos e mais tarde favas e ervilhas.
A vinha é pouco significativa, mas existe um grande número de ramadas, em que as vides são conduzidas a serem suportadas por vigas de ferro, que na primavera e verão sombreiam entradas, pátios e caminhos. Um outro tipo é o de parreiras altas arrimadas a árvores, para produção de vinho verde e americano.
No que concerne à cultura de pomares e árvores frutíferas isoladas, é relativamente notório o cultivo de macieiras, pereiras, pessegueiros, figueiras, limoeiros, nespereiras, laranjeiras, tangerineiras, cerejeiras, diospireiros, entre outros.
Pecuária[6]
[editar | editar código]A pecuária bovina tem uma implantação tradicional na Senhora da Hora e assentava essencialmente na exploração de lameiros para sua manutenção, mas alargava-se a outras áreas, ultimamente recorre-se ao uso de rações.
Outrora caracterizava-se pela sua dupla função, de fornecedora de carne e trabalho, uma vez que o amanho dos terrenos de cultivo mais extensos se fazia através do arado e charrua por eles puxados, cuja produção seria mais tarde transportada em carros de bois, em madeira, utilizado também na recolha de lenha para cozinhar e aquecimento no inverno. O uso deste sistema tradicional milenar de lavra e transporte, foi substituído na última metade do século XX pelo trator. Os quintais e terrenos de menor extensão, normalmente preparavam-se para a sementeira pelo trabalho braçal do homem, com enxada.
Nas últimas décadas do século XX, a raça bovina tradicional sofreu uma redução acentuada, cedendo lugar a outras de função leiteira, sobretudo a turina. O gado cavalar, muar e asinino era também utilizado para lavrar, puxar carro e como meio de transporte.
Conforme consta em atas de vereações da Câmara de Bouças, sediada na altura na Senhora da Hora, aqui existiam diversos rebanhos de gado ovino e caprino, em que esta e a do Porto, combinavam quais deveriam ser os locais de pasto a utilizar, de forma a que nenhum município saísse prejudicado. Ocupava um lugar de destaque na exploração pecuária para produção de carne, leite e queijo de rebanhos mistos de ovelhas e cabras com pastoreio por vezes no restolho de áreas cerealíferas, vegetação herbácea espontânea dos campos, entre outros.
A criação de gado suíno inseria-se na tradição do lavrador, que cebava para proceder à matança do porco no inverno, a servir para sua alimentação durante o ano, o qual lhe fornecia o presunto e outras partes do animal, que conservava por salga os chouriços, e salpicões e morcelas por fumo.
A criação de aves de capoeira, nomeadamente, frangos, alguns capões, galinhas, garnizés, perus, parrecos, gansos, assumia um papel de destaque no contexto económico regional e familiar.
Indústria[6]
[editar | editar código]No século XX, a Senhora da Hora passou por uma revolução industrial, com destaque para a Empresa Fabril do Norte, a primeira fábrica do país a produzir linhas para máquinas de costura.
Além desta, outras empresas instalaram-se na Senhora da Hora, nomeadamente a Fábrica dos Caulinos, Fábrica José Ribera, Germen - Moagem de Cereais S.A., Fábrica Casas & Tomás, Fábrica de Penas de Aço, Fábrica de Tecidos Finos, entre outros.
A construção da Estação Ferroviária da Senhora da Hora foi a razão primordial para os empresários nortenhos investirem na Senhora da Hora.
Fábrica da Moagem
[editar | editar código]Foi fundada em 1900, em carácter familiar por Joaquim Pinto. No dia 5 de maio de 1920 tornou-se pertença da Sociedade Fomento Industrial Lda. No dia 13 de novembro de 1990, constituiu-se a Germen - Moagem de Cereais S.A., pela concentração de duas empresas congéneres: Sociedade de Fomento Industrial Lda e a Companhia Aveirense de Moagens, S.A. de Aveiro.
Atualmente tem uma capacidade de ensilagem de 9000 toneladas de cereal em grão, trigo e centeio e 2500 toneladas de farinha, apoiando uma moenda diária de 460 toneladas. A farinha destina-se a padarias, confeitarias, fabrico de bolachas e consumo doméstico.
Exploração de granito nas pedreiras do Monte de S. Gens
[editar | editar código]No Monte de S. Gens, de 448 metros no seu ponto mais elevado, o granito apresenta-se mais compacto, com planos divisórios, com diversas aplicações, nomeadamente para pedras de cantaria, esteios para vinhas e ramadas, pavimentação de vias, entre outros.
A exploração de granito nesta pedreira serviu para construção da Doca do Porto de Leixões, para a Igreja do Bom Jesus de Bouças em Matosinhos, Câmara do Porto, entre outros.
Fábricas de Caulino
[editar | editar código]Em 1934 existiam na Senhora da Hora duas empresas, uma fundada em 1900 por A. Guimarães, com montagem de lavagem e secagem apropriadas. A segunda pertencente à Companhia Anglo-Portuguesa de Caulinos, que aqui se estabeleceu em 1923.
A exploração de caulino tinha diversas aplicações, designadamente borrachas, tintas e plásticos. No atual momento, já não é feita a produção de caulino na Senhora da Hora.
José Ribera, Lda
[editar | editar código]Foi fundada em 1935 por José Ribera, oriundo de Espanha. A empresa era especializada em linhas finas para bordar, rendas e bordados de aplicação. O fabrico, além de ser escoado por todo o país, destinava-se essencialmente às ex-Províncias Ultramarinas.
A empresa foi posteriormente adquirida por Belmiro de Azevedo que a uniu à EFANOR. Depois de 1999, o engenheiro Soares Lopes comprou toda a maquinaria produtora da rendas e instalou-a em Monte Xisto da Ribeira, Guifões, com a denominação de Rendibor.
Fábrica Casas & Tomás
[editar | editar código]Em 1920, fundou-se a Fábrica "Casas & Tomás", especializada no fabrico de correias utilizadas na tecelagem mecânica. Foi também especializada no tratamento e curtumes de couros industriais, assim como o fabrico de todos os artigos de couro para o exército, indústria e desporto.
História
[editar | editar código]Antecedentes históricos
[editar | editar código]A ancestralidade da Senhora da Hora remonta à Pré-História, atestada pela presença de monumentos megalíticos existentes no Monte de S. Gens.[12]
A população Romana que vivera no lugar onde hoje fica a Senhora da hora concentrava-se em villas. Após a invasão dos bárbaros que pôs termo ao domínio romano e conversão ao Cristianismo de seus monarcas, a fixação humana neste local ter-se-ia feito em redor do forte manancial da Fonte das Sete Bicas, com sua capela.[6]
Antes de se tornar freguesia
[editar | editar código]Em 1514, Aleixo Francisco mandou construir a capela de Nossa Senhora da Hora. Assim foram lançadas as sementes para a Festa da Senhora da Hora que trouxe a esta povoação romeiros de toda a região Norte, tal era a devoção a Nossa Senhora. É neste lugar, que se foi criando a povoação da Senhora da Hora.
Em 1836, esta Povoação foi elevada a sede do concelho de Bouças e três anos mais tarde a Vila de Bouças. Assim se manteve com tão importante estatuto até 1853, ano em que foi criada a Vila de Matosinhos, para onde foi transferida a sede do concelho.
Em 1893, perto da capela de Nossa Senhora da Hora, foi construída a famosa Fonte das Sete Bicas, sobre a qual está gravado na pedra: "1893 Aqui apareceu Nossa Senhora da Hora, louvado seja o Santíssimo Sacramento". A vila de Bouças volta então a ser o pequeno e simples lugar da Senhora da Hora, não conseguindo sequer ser freguesia.
Criação da freguesia
[editar | editar código]Face ao aumento da população, à área ocupada e à industrialização do lugar, no diário do Governo n.º 131-I Série-de 14 de junho de 1933, foi publicado o Decreto de Lei n.º 22:677[1], que criou a freguesia da Senhora da Hora, do concelho de Matosinhos, do distrito do Porto. Para a concretização do processo para a elevação a freguesia desta povoação, muito contribuiu e se esforçou o membro substituto da primeira Comissão Administrativa desta Junta, senhor Dr. Rogério Paes da Cunha Prelada, médico, muito carinhoso para com os pobres, o qual foi alvo duma singela mas significativa homenagem de reconhecimento, realizada aquando da passagem do 1º Aniversário da referida elevação (14 de Junho de 1934).
Após a publicação do decreto-lei n.º 31933 no Diário do Governo-I Série-N.º 66, de 21 de Março de 1942, que estabelece os seus limites, a sua área geográfica comum da freguesia da Senhora da Hora ficou definida em 380 hectares.
Elevação à categoria de vila e depois cidade
[editar | editar código]No Diário da República n.º 193-I Série-de 23 de Agosto de 1986, foi publicada a Lei nº. 28/86, que no seu Artigo 2º, alínea b), eleva a povoação da Senhora da Hora à categoria de vila. No dia 12 de junho de 2009 a Vila da Senhora da Hora foi elevada a categoria de cidade após votação na Assembleia da República. Além de Senhora da Hora, também outras cidades, como Borba, foram eleitas como cidades a 12 de Junho.
Insígnias da Junta da Freguesia da Senhora da Hora
[editar | editar código]Carlos Alberto da Silva Costa foi autor do brasão, bandeira e selo branco da freguesia. Em 1981 apresentou um esquema do Brasão e da Bandeira para apreciação o qual, depois de sofrer várias alterações, foi aprovado no dia 4 de fevereiro de 1982, tendo sido submetido a ratificação da Assembleia de Freguesia no dia 29 de março de 1982.[6]
No dia 10 de outubro de 1991, foi solicitado o parecer à Comissão de Heráldica, à qual deu o seu parecer no dia 6 de fevereiro de 1995, nos termos da lei nº53/91[13], introduzindo-lhe novas alterações, as quais foram executadas por José Luís Guedes Barreira. No dia 21 de fevereiro de 1995, o parecer da Comissão de Heráldica dos Arqueólogos Portugueses foi aprovado pela Junta e no dia 27 de abril de 1995 pela Assembleia de Freguesia.
No dia 20 de Março de 1996, foi publicado o edital que torna público a aprovação definitiva do Brasão, Bandeira e Selo Branco da Junta de Freguesia da Senhora da Hora.[14]
Descrição do Brasão[6]
[editar | editar código]Escudo de prata, chafariz de azul, com alçado com sete bicas dispostas em faixa, donde corre água; em orla, uma grinalda de folhas de planta, de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: "SENHORA DA HORA".
O chafariz conhecido pela Fonte das Sete Bicas, constitui o verdadeiro "ex-libris" desta terra sendo local de um antiquíssimo culto aquífero, representando de azul numa alusão à lealdade e nobreza das suas gentes.
A cercadura em grinalda de folhas relativa à flora, em verde, simboliza a verdura das suas antigas matas (bouças), hortas, pomares, searas e lameiros.
Descrição da Bandeira[6]
[editar | editar código]Esquartelada de verde e branco. Cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro.
O verde recorda a mancha verdejante de outrora, sendo o esmalte da abundância, da esperança e da liberdade. A prata, de branco por se tratar de tecido, representa o seu subsolo rico em caulinos e granitos, significando a riqueza do trabalho executado e a singeleza com que é desenvolvida.
Descrição do Selo branco[6]
[editar | editar código]Circular, com as peças do escudo sem a indicação de cores e metais, tudo envolvido por dois círculos concêntricos, onde corre a legenda: "Junta de Freguesia da Senhora da Hora - Matosinhos".
Das Velhas Capelas à Nova Igreja
[editar | editar código]Capela de Nossa Senhora da Hora
[editar | editar código]Foi mandada construir em 1514, no Monte do Viso, no local chamada Mãe de água, pelo mareante matosinhense Aleixo Fernandes que, como sua, a administrou por um período de trinta anos. A partir de 1544 passou ser dirigira por devotos até que, em 1705, assumiu a sua gerência, Romualdo de Almeida Cabral, sargento-mor dos Terços Auxiliares da Cidade do Porto, tendo-lhe sucedido Miguel de Almeida. A citada Capela da Senhora Hora, contém uma torre sineira e um relógio e está situada na Avenida com o mesmo nome.
Capela Antiga
[editar | editar código]Está localizada nas traseiras da Capela da Senhora da Hora, bastante envelhecida pelo tempo, com uma porta virada para a Avenida e da qual se ignora o seu orago, mas que o povo vulgar e popularmente lhe chama Capela da Senhora da Penha. Em 1995, por louvável iniciativa paroquial, iniciaram-se umas obras de recuperação desta Capela, cujo Templo data do século XVI e que possuí um altar em estilo barroco sanjoanino, e se encontrava ao completo abandono e a ameaçar ruína.
Nova Igreja
[editar | editar código]Perante o insuficiente espaço físico da Capela para acomodar os fiéis no seu interior, foram congregados esforços e surgiram enormes boas-vontades que animaram e incentivaram o seu Pároco - Rev. António Gonçalves Porto - a construir uma nova igreja. Da comissão de Angariação de fundos «P’rá Nova-Igreja» destaca-se, entre outras, a figura da D. Ana da Mota Mendonça nobre senhora que acabou por se salientar como sendo a maior benfeitora da obra. Assim, em 2 de Maio de 1953, o Bispo do Porto, Sr. D. António Ferreira Gomes, benzeu, solenemente, a primeira pedra, cujo projecto de arquitectura moderna, da autoria do Arquitecto Paulo Sampaio, foi acompanhado e orientado pelo Prof. Eng.º Barbosa de Abreu. Cinco anos mais tarde, em Maio de 1958, era inaugurada, pelo mesmo Bispo que lançou a primeira pedra, a Cripta. A 11 de Fevereiro de 1963, o Padre António Gonçalves Porto, benzeu a nova igreja e, por coincidência, celebrava a primeira missa a assinalar o sétimo dia do falecimento daquela que foi a sua grande entusiasta e benfeitora - D. Ana da Mota Mendonça. Em 1968, nas celebrações do cinquentenário da paróquia com a sagração do altar-mor, foi concluída a nova Igreja. Posteriormente foi construído, nas traseiras da Igreja, um edifício destinado ao Salão Paroquial, com diversos gabinetes para os seus serviços administrativos de apoio às atividades eclesiásticas e de guarda das alfaias religiosas.
Orago e festa anual
[editar | editar código]Nossa Senhora da Hora (Padroeira da freguesia). Dia (móvel) da festa anual: 5.ª Feira da Ascensão.
A Senhora da Hora, depois de ter sido elevada à categoria da freguesia, viu difundir-se extraordinariamente a devoção à sua padroeira, cuja reputação ultrapassou as próprias fronteiras e das terras mais distantes do país ocorriam inumeráveis peregrinos à ermida para deporem aos pés da Virgem dos Milagres as ofertas prometidas em horas aflitivas.
No aprazível recinto fronteiro à Capela, os vendeiros e feirantes erguiam as suas improvisadas tendas e os donos dos engenhos recreativos estendiam as suas máquinas de diversão, cavalinhos, aviões, carroceis etc., que alegravam os romeiros.
As moças, por sua vez, bebiam a água "milagrosa" da Fonte das Sete Bicas, que tem um caudal com uma pujança assombrosa mas sem virtude alguma, ficando convictas de que isso lhes garantiria para breve o almejado matrimónio. A referida fonte foi construída no ano de 1893, sem quaisquer características arquitetónicas que mereçam especial referência, onde tem esculpidos, em baixo relevo, os seguintes dizeres: "1893 aqui apareceo Nossa Senhora da Ora louvado seja o Santíssimo Sacramento".
Por sua vez as mães, no dia da festa, no momento da elevação das hóstias e calix da missa, davam a beber aos seus filhos pequenos, um "remédio", de fabrico caseiro, com a suposta virtude de os imunizar das maleitas da epilepsia ou da gota. No final da cerimónia e depois de darem três voltas à capela, os familiares da crianças e a maioria dos romeiros iam, felizes, com a cesta do farnel expandir a sua alegria e "matar a fome" provocada por tão longa jornada, levando no seu espírito folgazão a vontade de voltar no ano seguinte.
Nos dias de hoje e desde há uns anos atrás, a romaria da Senhora da Hora deixou de ter o brilhantismo de outrora caindo em profundo desuso por parte dos romeiros que todos os anos a visitaram dando-lhe enorme vivacidade e grande brilhantismo, o que nos leva a pensar que dentro de alguns anos, a continuar o desinteresse e a desmotivação, esta apenas se limitará às festividades religiosas em honra da padroeira, pelo que se perderá, irremediavelmente, toda a tradição de grande romaria. A falta de espaço físico para a montagem das diversões, a inexistência de raiz da nova população, os enormes encargos financeiros com a sua realização, a proximidade de data com início das festas ao Senhor de Matosinhos e o desinteresse dos agentes económicos e dos habituais promotores das festividades, são as causas mais diretas que inviabilizam a realização de uma festa digna e que outrora tanto prestígio teve.
Parque de Jogos Manuel Pinto De Azevedo e Centro Cultural
[editar | editar código]O Parque de Jogos Manuel Pinto De Azevedo, também conhecido por Físicos, surgiu mercê da tutela da Empresa Fabril de Norte após a criação do Clube de Desportos e Educação Física do Norte em 1 Março de 1948, tendo saído da enorme boa vontade de servir o desporto amador nas modalidades de Basquetebol, Voleibol Hóquei em Patins, Ténis de Mesa, Ciclismo, Boxe, e, mais tarde, o Andebol de sete no qual se destacam os nomes dos seus apaniguados e saudosos dirigentes fundadores, senhores Eng. Alberto Mendonça e José da Silva Santos, (grande entusiasta do basquetebol), os quais tiveram boa recetividade e acolhimento por parte da administração daquela conceituada empresa têxtil, destacando nesta os senhores Manuel Pinto de Azevedo, o Eng. Luís Delgado dos Santos e o Sr. João Mendonça, os quais apadrinharam a ideia e lhe deram corpo, tendo decidido mandar construir, num terreno de sua pertença, situado no gaveto da Avenida Fabril do Norte com a Rua de Lagos, desta freguesia, um magnífico campo de jogos ao ar livre, com um campo retangular com as medidas de 40x20 metros, uma bancada com cerca de 1200 lugares sentados, balneários, sanitários e um edifício para a sede social do referido clube, que chegou a ter mais de 650 associados, cujo complexo social e desportivo, projetado pelo Sr. Arq. José Oliveira, foi inaugurado em 1 de Maio de 1952 e ao qual foi dado, mais tarde, o nome do saudoso benemérito - o Sr. Manuel Pinto de Azevedo - destinando-se o mesmo para convivência e sã camaradagem dos seus trabalhadores (que eram cerca de 2100), através da prática do desporto, o qual, durante bastantes anos, foi considerado como sendo um dos mais prestigiados clubes nas modalidades praticadas pelos seus briosos atletas, designadamente de basquetebol, que chegou a conquistar o título de campeão nacional da II.ª divisão, de Hóquei em Patins e outras, tendo contribuído com alguns dos seus atletas destas modalidades para as nossas seleções distritais e nacionais.
Mais tarde, em meados da década de 80, em consequência das dificuldades económico-financeiras da Empresa e por várias questões multifacetadas da vida portuguesa, a mesma decidiu alterar o seu contexto sócio-económico procedendo à venda dos seus terrenos, em cujo processo entrou em negociações a Câmara Municipal de Matosinhos, tendo ficado assente que o terreno e as instalações do complexo desportivo do "Educação Física do Norte" ficaria da posse do município, o qual, por sua vez, decidiu, em 28 de Março de 1984, que a administração das instalações da sede passassem para a alçada da Junta de Freguesia da Senhora da Hora.
Extinguiu-se desta forma o tão prestigiado e saudoso Clube (Físicos, como era conhecido), dando lugar, mais tarde, as suas modelares mas já degradadas instalações, à continuação da prática desportiva de manutenção física e o respetivo edifício da sede social à ministração de aulas de ginástica, balé e de caraté após as óbvias benfeitorias de obras de construção civil então efetuadas. Posteriormente, a Junta de Freguesia decidiu mandar remodelar o complexo desportivo dotando-o com dois campos de ténis, um novo recinto desportivo, dois novos balneários de apoio, um novo sistema de aquecimento de águas para os banhos; esses melhoramentos foram inaugurados em 28 de Outubro de 1989.
Em Maio de 1992 foi inaugurada a nova luz artificial nos campos de ténis e nos recintos desportivos e ainda um parque infantil, o que se traduz num apreciável esforço financeiro da autarquia local a bem do desporto e da cultura. Dentro deste espírito sociocultural e aproveitando as estruturas existentes, a junta deliberou também remodelar as instalação da antiga sede, criando no seu interior, com alargamento para a parte posterior, um novo bloco para balneários para uso dos praticantes das já referidas modalidades. Essas instalações foram denominadas de "Centro cultural da Senhora da Hora".
Ver também
[editar | editar código]- Lista de cidades em Portugal
- Antigo website oficial da junta de freguesia da Senhora da Hora (2013)
- TV Senhora da Hora
Referências
- ↑ a b «Decreto-Lei n.º 22677, de 14 de junho». diariodarepublica.pt. Consultado em 6 de maio de 2024
- ↑ Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 21 de março de 2014.
- ↑ «Reposição de freguesias agregadas». Diário da República. 13 de março de 2025. Consultado em 3 de setembro de 2025
- ↑ «Lei n.º 69/2009, de 6 de agosto». diariodarepublica.pt. Consultado em 6 de maio de 2024
- ↑ «Decreto-Lei n.º 31933, de 21 de março». Diário da República. 21 de março de 1942
- ↑ a b c d e f g h i j k FERNANDES, Ilda (2000). Senhora da Hora. Monografia Paróquia da Senhora da Hora ed. Senhora da Hora: [s.n.] ISBN 9729505829
- ↑ FELGUEIRAS, Guilherme (1958). Monografia de Matosinhos. Matosinhos: Composto e impresso nas Oficinas Gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. p. 3
- ↑ Rodrigues, José (13 de janeiro de 2016), Vila Etelvina, consultado em 25 de agosto de 2025
- ↑ «Casa de Máquinas e Chaminé da EFANOR». imovel.patrimoniocultural.gov.pt. Consultado em 18 de outubro de 2025
- ↑ «Colectividades». União das Freguesias São Mamede de Infesta e Senhora da Hora. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
- ↑ PIRES, Conceição (2023). Alminhas de Matosinhos. Pequenos Templos e Grandes Devoções. Col: Coleção de Estudos Matosinhenses. [S.l.]: Seda Publicações. ISBN 9789893523834
- ↑ «Lei n.º 53/91, de 07 de Agosto». Procuradoria-Geral Regional de Lisboa. 7 de agosto de 1991
- ↑ «Diário da República n.º 68/1996, Série III de 1996-03-20» (PDF). Diário da República. 20 de março de 1996. p. 5079

