Solar da Baronesa

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Solar da Baronesa
SolarBaronesaStaLuziaMG.jpg
Data da construção Séc. XIX (entre 1810 e 1830)
Estilo arquitetônico Neoclássico
Cidade São João del-Rei, Minas Gerais
Tombamento 1938

O Solar da Baronesa de Itaberava é um edifício, mais precisamente um sobrado neoclássico[1][2] do início do século dezenove (XIX), localizado no município brasileiro de São João del-Rei, em Minas Gerais.

Sendo um dos mais belos casarões e cartões da região, o Solar da Baronesa está, atualmente, passado por uma restauração total, após mais de dois anos da pesquisa sobre as obras terem sigo entregues a Academia Brasileira de Letras (ABL), responsável pelo imóvel.[3]

O casarão é de extrema relevância histórica e arquitetônica, tem características que o difere dos outros daquela época. Por esse motivo, em 1938 o Solar foi tombado pelo IPHAN. [2]

Histórico da construção[editar | editar código-fonte]

Existem indícios de que o terreno onde o Solar da Baronesa foi construído, tinha pertencido a Pedro de Alcântara de Almeida, falecido em 1815, e que pelo menos um dos seus filhos, Francisco de Paula de Almeida Magalhães, falecido em 1848, foi quem mandou construir o casarão naquele local. Em 1877 um anúncio no jornal Arauto de Minas fazia referência à venda do terreno: "Aluga-se ou vende-se um grande e bonito sobrado no Largo do Carmo, em frente à Igreja".[2]

O local foi palco de saraus para a recepção do Imperador Pedro II do Brasil, que realizou visitas ao Solar da Baronesa pelo menos duas vezes. [4]

Hoje em dia o prédio é um Centro Cultural, entretanto, já deu lugar a diversas coisas que exerciam diferentes funções sociais, como um quartel de um contingente militar, moradia, comércio e hospedaria para imigrantes italianos quando chegaram à região em 1888. O mesmo edifício também já abrigou o Colégio Conceição, fundado em 1881, além de abrigar a Diretoria Executiva da Fundação de São João del-Rei. [5]

O Barão de Itaberava, Alexandre José da Silveira, nascido em Passa Quatro, com o título ostentado desde 1854, exercendo a presidência da Câmara, era proprietário da Fazenda da Ponta do Morro em Tiradentes, tendo sido dono de vários imóveis na região de São João del-Rei. Foi casado por duas vezes, sem, no entanto, deixar herdeiros e faleceu no ano de 1880. Dos testamentos ou de quaisquer outros papéis conhecidos, seja do barão ou de ambas as baronesas, não consta menções que se refiram ao casarão. É possível que, posteriormente após a morte do barão, tenha ali residido a Baronesa Ana Eugênia, fato que fez o sobrado se tornar conhecido como "Solar da Baronesa". [1][2]

Características arquitetônicas[editar | editar código-fonte]

O imóvel é de imensa importância histórica e arquitetônica, contendo características que o destaca dos demais daquele período, sendo parte do conjunto urbano de São João del-Rei, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938 e delimitado em 1947[2]. Carrega em si uma arquitetura é colonial típica dos casarões urbanos, com fabulosas ornamentações tanto externas quanto internamente. Construído no início do século XIX, por volta de 1810 e 1830, o casarão ostenta 3 pavimentos de grandes dimensões. [2]O 1º pavimento dava lugar a um armazém, as paredes de pedra, grandes arco, com arremates de tijolos que se destacam no conjunto e deliberam o espaço. O acesso ao 2° pavimento conta com uma entrada única por meio de uma escadaria de madeira e dentro dele, há uma sala e diversos quartos. Com um jogo de telhados inusitado e belo, o 3º pavimento possui um único cômodo.[2]

O Solar vai de uma esquina a outra e o local é marcado pelos vãos, telhados e imensidão da construção de seu prédio. Possui uma fachada principal simétrica, com grandes portais feitos de pedras, madeira maciça e vergas em canga de boi. Visando o alinhamento dos vãos do 1° com os do 2° pavimento, foram utilizadas janelas com parapeitos em ferro, formando desenhos horizontais, reiterando ainda mais a grandiosidade da edificação e exercendo uma contraposição com os vãos desenhados na vertical. No 3° pavimento, onde havia apenas cômodo, há um jogo de telhados de cerâmica que impede qualquer infiltração. [2] Todos os vãos possuem bandeira fixa de caixilhos de vidro e portas de madeira com almofadas.

Centro cultural[editar | editar código-fonte]

Desde junho de 1995, grande parte do casarão pertence à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), que além de preservar o patrimônio histórico e arquitetônico, acreditou que o prédio tinha capacidade para abrigar um centro cultural que estimulasse a produção cultural nas redondezas. Foram realizadas diversas obras, e no dia 28 de abril de 2000, o Centro Cultural da Universidade Federal de São João del Rei deu início às suas atividades artísticas e culturais. [2]

Para preservar o patrimônio, as obras mantiveram a fachada e o interior do imóvel em sua versão original. A construção possui grandes galerias, usadas para recitais, mostras, performances e exposições. O Centro também conta com uma sala de multimídia, com capacidade para 45 pessoas. Dentre as atividades ali realizadas, destacam-se projeção de filmes e documentários, cursos e palestras. [6]

Com a morte de Hans Joachim Koellreutter, sua esposa doou à Universidade parte do acervo do músico; assim, em setembro de 2006 nasceu o Espaço Koellreutter, localizado no segundo andar do Centro Cultural. Nele são expostos objetos e obras do compositor, que podem ser usados para estudo e pesquisa, não só dos interessados na área, como do público em geral. [2]

Desde que foi inaugurado, o Centro é dado como peça importante na construção do cenário cultural da região. Além de suas atividades normais e originais, o local já foi palco de eventos ligados à pesquisa e ensino. Nele é sediada a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários, o Centro Cultural da UFSJ e a Fundação Koellreutter. [2]

Antes de ser transformado em um Centro Cultural, o Solar da Baronesa exerceu diversas funções. Além de área de comércio, o local já foi utilizado como depósito de sal, quartel de um contingente militar, habitação e até como uma escola. [5]

Atualmente[editar | editar código-fonte]

Sendo um dos casarões mais tradicionais da região de São João del Rei, o Solar da Baronesa iniciou seu processo de restauração em 2014, tal projeto foi desenvolvido por professores e alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSJ, que tem empossamento do prédio desde 1995. Um grupo de 14 alunos ficou responsável pelo estudo da construção, começando na sua fundação até o telhado utilizado na obra. O projeto busca reformar a fachada e a estrutura, assim, proporcionando um resgate histórico do lugar.[5]

Apesar da reconstrução ainda estar em andamento o estado atual das obras de artes e dos imóveis ainda são críticos em estado de abandono.[2]

Segundo a professora Luzia Abreu, a atividade de restauração completa deve levar cerca de dois anos para ser concluído, o que, segundo ela, é um período suficiente para planejar e explorar todos os pormenores da obra. Para a professora a intenção inicial é explorar o casarão, com maior abundancia de detalhes, e depois, iniciar um projeto de restauração. O inicio das obras está pré definido para o ano de 2019.

Referências

  1. a b www.raza.com.br, Otavio Boari - Raza Comunicação -. «.:: Solar da Baronesa - São João del-Rei - MG ::.». www.patriamineira.com.br. Consultado em 29 de abril de 2017 
  2. a b c d e f g h i j k l «UFSJ | Universidade Federal de São João del-Rei». www.ufsj.edu.br. Consultado em 29 de abril de 2017 
  3. Chuquinha. «Restauração do Solar da Baronesa resgata parte da história de Campos». Mansão que hospedou Dom Pedro II teve restauração iniciada em março deste ano 
  4. http://www.bolt.com.br, Bolt Brasil -. «SENAC Minas Gerais - DescubraMinas». www.descubraminas.com.br. Consultado em 29 de abril de 2017 
  5. a b c «Sobre o Solar da Baronesa». G1. 16 de julho de 2014. Consultado em 27 de abril de 2017 
  6. «UFSJ | Universidade Federal de São João del-Rei». www.ufsj.edu.br. Consultado em 27 de abril de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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