Sudoeste Africano Alemão

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Sudoeste Africano Alemão (alemão: Deutsch-Südwestafrika, DSWA) foi uma colônia alemã de 1884 até 1915, quando foi assumido pela África do Sul e administrado como Sudoeste Africano até finalmente se tornar República da Namíbia em 1990.

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Sudoeste Africano Alemão

colonia do Império Alemão

1884 – 1915 Blue Ensign of South Africa (1912–1928).svg

Bandeira de

Bandeira

Localização de
Territórios do império alemão

(verde claro) território da Colónia (verde escuro)

Continente África
Região Sul Africana
Capital Windhoek
Língua oficial Alemão
Governo Monarquia constitucional
imperador Guilherme
Governador
 • 1894–1905 Theodor Leutwein
 • 1910–1919 Theodor Seitz
Período histórico partilha da África
 • 1884 criação da Colónia
 • 1904 a 1907 Herero e Namaqua Genocide
 • 9 de julho de de 1915 ocupação

britânica

Área 835 100 km² km²
Moeda marco africano do sudoeste da África
Atualmente parte de Namíbia

História[editar | editar código-fonte]

Em 1883, o comerciante alemão Adolf Lüderitz comprou de um chefe nativo uma área denominada "Angra Pequena". A cidade de Lüderitz e a costa adjacente são atualmente chamados com seu nome.[1] Em 24 de abril de 1884, ele fixou a área sob proteção do Império Alemão para com isso deter intrusões britânicas. No início de 1884, o navio “Nautilus” da Marinha Imperial Alemã (Kaiserliche Marine), foi avaliar a situação. Um relatório favorável do governo e o consentimento britânico resultaram na visita do “Leipzig” e do “Elisabeth”. A bandeira alemã foi finalmente içada em 7 de agosto de 1884.

Em outubro, o recém-indicado comissionário para a África Ocidental, Gustav Nachtigal, chegou no “Möwe”. Em abril de 1885, a Curadoria Colonial Alemã para o Sudoeste Africano (Deutsche Kolonialgesellschaft für Südwest-Afrika) foi criada, e logo comprou os posses das companhias fracassadas de Lüderitz; Lüderitz foi a pique subsequentemente em 1886 numa expedição ao Rio Orange. Em maio, Heinrich Ernst Göring foi indicado comissionário e estabeleceu sua administração em Otjimbingwe. As Tropas Imperiais de Proteção (Kaiserliche Schutztruppe) sob o comando de Hauptmann já estavam posicionadas no Sudoeste Africano Alemão no início de 1888, constituindo de dois oficiais, cinco oficiais de baixa patente, e 20 soldados de origem local.

A colônia cresceu em 1890 através da anexação da Faixa de Caprivi no noroeste, a qual promoveu novas rotas comerciais. Esse território foi adquirido através do Tratado de Helgoland-Zanzibar entre a Inglaterra e a Alemanha.[1]

O Sudoeste Africano Alemão foi a única colônia africana onde alemães se estabeleceram em grande número, eles eram levados à colônia pelas possibilidades econômicas nas minas de diamantes e cobre e, sobretudo, fazendas. Em 1902, a colônia tinha 200.000 habitantes, embora só 2.595 fossem alemães, 1.354 africanos descendentes de holandeses, e 452 ingleses. Em 1914, mais 9.000 alemães chegaram. Estima-se em torno de: 80.000 hereros, 60.000 ovambos, e 10.000 namas, que eram desprezadamente referidos como hotentotes.

Rebelião contra o jugo alemão[editar | editar código-fonte]

Bandeira do Sudoeste Africano Alemão.
Brasão de armas do Sudoeste Africano Alemão.

Em 1893 e 1894, a primeira rebelião hotentote dos namas e seu líder legendário Hendrik Witboi ocorreu. Os anos seguintes presenciaram muitas revoltas de locais contra alemães, a maior das quais foi a Guerra dos Hereros de 1904. Fazendas remotas foram atacadas, e aproximadamente 150 assentados alemães foram mortos. A “Tropa de Proteção” de apenas 766 homens e adjuntos locais, de início, não foram páreo para os hereros. Os hereros ficaram na ofensiva, algumas vezes cercando Okahandia e Windhoek, e destruindo a ponte da estrada férrea de Osona. Tropas adicionais saíram às pressas da Alemanha sob comando do Tenente-General Lothar von Trotha e esmagaram a rebelião na Batalha de Waterberg. Os hereros recuaram para a região árida de Omaheke, lado oeste do Deserto de Kalahari, onde muitos deles morreram de sede. As tropas alemãs vigiaram todas as fontes de água e ordenaram matar qualquer herero a vista. Somente alguns conseguiram escapar pelos territórios britânicos.

No outono de 1904, os nama entraram na peleja contra o poder colonial sob comando de seus líderes Hendrik Witboi e Jakob Morenga, esse último referido como o ”Napoleão Negro”. Essa revolta foi finalmente reprimida entre 1907-1908.

No total, entre 25.000 e 100.000 hereros, mais de 10.000 namas e 1.749 alemães moreram no conflito.

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Durante a Primeira Guerra Mundial, tropas sul-africanas iniciaram hostilidades com a agressão ao posto policial de Ramansdrift em 13 de setembro de 1914. Assentados alemães foram transportados para campos de concentração perto de Pretória e depois em Pietermaritzburg. Por causa da esmagadora superioridade militar sul-africana,[1] as tropas alemãs, junto com voluntários dos descendentes de holandeses lutando na Rebelião de Maritz no lado alemão, só ofereceram oposição como atraso tático. Em 9 de julho de 1915, Victor Franke, o último comandante alemão das tropas de proteção, rendeu-se perto de Knorab.[1]

Após a guerra, a área se tornou possessão britânica, e foi instituído o protetorado sul-africano pela Liga das Nações.[1] Em 1990, a antiga colônia se tornou independente como Namíbia,[1] governada pelo outrora movimento de libertação SWAPO.

Uma variedade de nomes, construções e comércios alemães ainda existem no país, e em torno de 20.000 descendentes dos assentados alemães ainda vivem no país, preservando a língua e os costumes.

Filatelia[editar | editar código-fonte]

A história da filatelia começou em 7 de julho de 1888 em Otjimbingwe, quando o serviço regular de correios começou a utilizar selos postais alemães e o carimbo postal indicando “OTYIMBINGUE”. O serviço continuou dessa forma por alguns anos, eventualmente expandindo a agência de correios adicionais.

A primeira edição dos selos da colônia alemã com estampas aplicadas em selos alemães foi em 1897, exibindo “Deutsch-/Südwest-Afrika” num ângulo. Em 15 de novembro de 1898, a estampa foi mudada para "Deutsch-/Südwestafrika", perdendo o hífen.

Em 1990, a edição local “Yacht” incluiu selos para o Sudoeste Africano, impressos em papel com marca d’água após 1906. O último destes foi o do valor de 3 marcos alemães, impresso em 1919, mas nunca foi posto à venda na colônia.

Alguns valores, tais como os “Yachts” de 3 e 5 “pfennig” (centavos), são prontamente disponíveis hoje em dia, com preços em torno de US$ 1 (um dólar). Os outros alcançam até centenas de dólares. Os altos valores dos “Yatches” com marca d’água tinham muito pouco uso antes da colônia ser capturada, e genuinamente selos usados são até dez vezes mais valiosos; mas muitos selos usado são conhecidos por possuírem a data de postagem forjadas.

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
Bibliografia
  • Casper Erichsen, "The angel of death has descended violently among them": Concentration camps and prisoners-of-war in Namibia, 1904-1908, African Studies Centre, University of Leiden, 2005

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]