TUE Kawasaki/Toshiba - Série 4800

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TUE Kawasaki/Toshiba - Série 4800 (CPTM)[1]
Toshiba
Linha B4800-aCPTM.jpg
Série 4800 Linha 8 CPTM
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Fabricante Kawasaki/Toshiba
Período de construção 1957-1959
Entrada em serviço 1958
Período de renovação 1985-1986
Total construídos 30 trens-unidade
90 carros
Total em serviço 3 - CTB
Total preservados 3 trens (CPTM)
Formação 3 carros
6 carros
9 carros
Operador EFS (1957–1971)
FEPASA (1971–1994)
CPTM (1994–2010)
CTB (3 unidades)
Depósitos Presidente Altino
Calçada
Linhas Sistema de Trens do Subúrbio de Salvador
Especificações
Corpo aço carbono
Comprimento Total 19,00 m
Comprimento do veículo 57,00 m (TUE de 3 carros)
Altura 3,90 m
Altura do Piso 1,20 m
Portas 6 por carro
folha única de 1100 mm
Potência 860 hp
Captação de energia Catenária
Truque rodas de 910 mm de diâmetro
Bitola métrica

O TUE Kawasaki/Toshiba Série 4800 é um Trem unidade elétrico que foi até 2010 foi pertencente ao Material Rodante da CPTM.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Projeto e fabricação[editar | editar código-fonte]

Trem série 2320 da Odakyu Electric Railway.

Com o crescimento do número de passageiros nos serviços de subúrbios da Estrada de Ferro Sorocabana, os 4 trens unidade GE adquiridos em 1944 tornam-se insuficientes para atender a essa demanda. Dessa forma, em 1956 a Sorocabana lançou um plano de aquisição de novos trens unidade para os subúrbios. Em 9 de setembro de 1956 foi lançada a licitação G.5-621 visando a aquisição de 30 trens unidade elétricos para os serviços de subúrbio.[3] Empresas da Alemanha, Itália, Suíça, Inglaterra, Austria, Polônia, Holanda, Estados Unidos, Japão e Brasil concorreram para fornecer os trens. Após a análise das propostas, foi declarada em dezembro de 1956 a vitória do consórcio do Japão. Formado pelas empresas Kawasaki, Tokyo Shibura (Toshiba), Nippon Shario, Kinki e da representante nacional, o consórcio japonês assinou em janeiro de 1957 o contrato de fornecimento de 30 trens ao valor de US$ 6.781.800,00 a serem pagos em 5 anos. Para vencer a licitação, as empresas japonesas abriram mão de juros.[4][5]

O prazo de entregas dos trens seguiu o seguinte calendário[6]:

  • Entrega de 3 trens unidades-8 meses;
  • Entrega de 13 unidades-13 meses;
  • Entrega das 16 unidades restantes; -16 meses;

Para acelerar a fabricação, o consórcio japonês resolveu adotar o design dos trens série 2320 fornecidos em 1953 para a Odakyu Electric Railway. Os primeiros trens forma entregues à Sorocabana no porto de Santos no início de 1958. Após os testes de aceitação, a viagem inaugural ocorreu em 7 de abril de 1958.[7] Em 3 de agosto de 1958, os trens japoneses chegavam até Sorocaba de forma regular, ampliando o alcance do trem de subúrbios.[8]

Modernização (1985)[editar | editar código-fonte]

Um dos seis trens unidade Kawasaki modernizados em 1985, ainda nas cores da Fepasa, em Itapevi (2002).

Em 1985 a Fepasa lançou um programa de modernização dos trens unidade Kawasaki. Utilizando pessoal e recursos próprios, a estatal implantou uma pequena unidade de reforma nas oficinas de Rio Claro.[9]

Os primeiros 6 trens unidade foram entregues em 1986 e operaram na Extensão Operacional Itapevi-Mairique. Cada trem unidade (composto de 3 carros) teve um custo de modernização de US$ 257.757,00. Isso equivalia na época 6% do custo de um trem unidade novo.[9] Posteriormente foram modernizadas mais algumas unidade para uso no Trem Intra Metropolitano da Região Metropolitana da Baixada Santista.[10]

Operação[editar | editar código-fonte]

Sorocabana-Fepasa (1958-1996)[editar | editar código-fonte]

Trem unidade Kawasaki operando em Salvador, 2009.
Detalhe do "Expresso Arte", obra d'Os Gêmeos.

O primeiro trem foi entregue ao tráfego às 9h30 de 7 de abril de 1958. Partindo da Estação Júlio Prestes, o trem inaugural dirigiu-se ao terminal Mairinque transportando os secretários da Fazenda Carvalho Pinto e José Vicente Faria Lima de Viação, Koichi Suzuki, cônsul do Japão em São Paulo e Orlando Drumont Murgel, diretor da Estrada de Ferro Sorocabana.[11]

Apesar da chegada de 30 trens unidade, a demanda de passageiros cresceu tanto que os trens se tornaram rapidamente obsoletos. Em 1959, quando toda a frota havia sido entregue, o tráfego anual dos subúrbios havia sido de 16 milhões de passageiros transportados. Em 1971 eram 32 milhões. Com a falta de frota, o número de passageiros voltou a recuar para 30 milhões em 1977.[12] Ao mesmo tempo, com quase 20 anos de operação, parte da frota se encontrava sucateada em pátios enquanto que os trens que ainda circulavam viajavam superlotados.[13]

Durante a década de 1970 a Sorocabana é absorvida pela Fepasa, que inicia um amplo plano de remodelação dos subúrbios que prevê o rebitolamento da linha (de 1m para 1,60m) e a aquisição de nova frota (TUE Série 5000). Com a entrega dos primeiros trens série 5000 em 1979, os trens Toshiba foram sendo retirados da linha principal aos poucos até serem confinados no trecho Itapevi-Mairinque. Em 1985, a Fepasa resolveu reformar os trens para operarem no trecho Itapevi-Mairinque, levando todos os trens ainda disponíveis para suas oficinas em Rio Claro. Após um amplo processo de reforma, as primeiras unidades foram entregues em 1986.[14][15]

Os trens reformados serviram aos trechos das seguintes linhas[16][17]:

Linha Terminais Comprimento (km) Estações Frota
Oeste ItapeviAmador Bueno 6,3 5 6 Trens-unidade (1986-1992)
3 trens unidade (1992-2010)
Sul JurubatubaVarginha 12 4 3 trens unidade (1992-2001)
TIM Ana Costa (Santos) ↔ Samaritá 16,15 5 9 trens unidade (1990-1999)

CPTM (1996-2010)[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1996 a Fepasa transferiu suas linhas (Oeste, Sul e TIM) para a CPTM, incluindo 15 trens-unidade Kawasaki. Os 9 primeiros a serem baixados foram os empregados no Trem Intra Metropolitano (Santos-Samaritá), que eram rebocados por locomotivas diesel, dada a falta de eletrificação da linha.[18] Posteriormente, a CPTM desativou o trecho Jurubatuba-Varginha e os 3 trens-unidade Kawasaki que ali operavam foram vendidos para a Companhia de Transportes de Salvador.[19][20]

Em 2004 a dupla de grafiteiros Os Gêmeos transformou, em parceria com a CPTM, dois trens-unidade Kawasaki em "Expressos Arte". A idéia era que os grafites diminuíssem os índices de vandalismo existentes no trecho Itapevi-Amador Bueno.[21] Um dos trens chegou a receber o último padrão de pintura da CPTM antes de toda a frota ser desativada em 1 de maio de 2010.[22][23]

Salvador (2005-)[editar | editar código-fonte]

Três unidades foram adquiridas da CPTM e transferidas para o Sistema de Trens do Subúrbio de Salvador, sendo operadas pela Companhia de Transportes do Estado da Bahia - (CTB), como Série 5900.[20]

Acidentes e incidentes[editar | editar código-fonte]

  • 23 de Outubro de 1958 – São Paulo (SP) Colisão entre os trens S – 52 (Subúrbio Kawasaki) e o CL-4 (cargueiro) ocorreu nas proximidades da estação Lapa, na capital paulista, deixando 14 mortos e dezenas de feridos;[24]
  • 17 de maio de 1972 – São Paulo (SP) Colisão entre trem subúrbio (U-75) e carreta enguiçada (que transportava uma locomotiva de manobra) na passagem de nível da estação Lapa deixou um saldo de 10 mortos e dezenas de feridos.[25];
  • 13 de janeiro de 1986 – Itapevi (SP) Choque entre dois trens Toshiba da Fepasa nas proximidades da estação Ambuitá causa ferimentos em 102 pessoas[24];
  • 19 de outubro de 2005 – Itapevi (SP) Após ato de sabotagem, um trem série 4800 circula sem freios entre Itapevi e Jandira;[26]
  • 23 de julho de 2007 – Salvador (BA) Trem Kawasaki descarrilo e tombou perto de Praia Grande. Cinco passageiros ficaram feridos[27];
  • outubro de 2009 – Salvador (BA) Recém adquiridos, os trens Kawasaki não conseguiam passar por um dos túneis do Periperi, obrigando a operadora CTS a realizar obras de ampliação do gabarito do túnel[28];
  • 1 de novembro de 2019 - Salvador (BA), Dois trens batem de frente e 47 pessoas ficam feridas em Salvador, caso ocorreu no subúrbio ferroviário. Não há registro de mortos [29].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. CPTM (2010). «TUE Kawasaki Toshiba Série 4800» (HTML). Consultado em 10 de Abril de 2010 
  2. «Frota de TUE's cresce 13 unidades» (PDF). Revista Ferroviária. Setembro de 2009. Consultado em 20 de julho de 2019 
  3. Estrada de Ferro Sorocabana (16 de setembro de 1956). «Concorrência G.5-621» (PDF). Diário Oficial do estado de São Paulo, Caderno Executivo, página 36. Consultado em 19 de julho de 2019 
  4. «Correndo pelos trilhos da Sorocabana 30 novos trens-unidade deverão estar». Correio Paulistano, Ano 103, edição 30900, página 11/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. 23 de dezembro de 1956. Consultado em 19 de julho de 2019 
  5. «Financiamentos estrangeiros autorizados pela SUMOC-Um fato inusitado: o Japão não cobrou juros». Correio Paulistano, Ano 104, edição 31196, página 11/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. 11 de dezembro de 1957. Consultado em 19 de julho de 2019 
  6. Estrada de Ferro Sorocabana (6 de janeiro de 1957). «Edital» (PDF). Diário Oficial do estado de São Paulo, Caderno Executivo, página 28. Consultado em 19 de julho de 2019 
  7. «Em funcionamento os trens japoneses da Sorocabana». Folha da Manhã, Caderno Assuntos Especializados, página 3. 8 de abril de 1958. Consultado em 21 de julho de 2019 
  8. «Trens japoneses incluídos no tráfego normal para Sorocaba». Folha da Manhã, ano XXXIV, edição 10514, página 7. 5 de agosto de 1958. Consultado em 20 de julho de 2019 
  9. a b Sebastião Cintra (28 de maio de 1985). «Sessão da Assembléia Legislativa-Deputado Evandro Mesquita (PMDB)» (PDF). Diário Oficial do estado de São Paulo, Caderno Executivo I, página 40. Consultado em 20 de julho de 2019 
  10. Ralph Mennucci Giesbrecht. «TIM (Santos-Samaritá)». Estações ferroviárias do Brasil. Consultado em 20 de julho de 2019 
  11. «Novos trens de subúrbio da E.F. Sorocabana». Correio Paulistano, ano 104 ,edição 31293, página 10/republicado pela Biblioteca nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. 8 de abril de 1958. Consultado em 21 de julho de 2019 
  12. FAGUNDES, Homero Gottberg (1998). «A remodelação das linhas B e C da CPTM» (PDF). Revista dos Transportes Públicos - ANTP - Ano 20, página 93. Consultado em 3 de março de 2019 
  13. «Trens de subúrbio ainda à espera de modernização». Folha de S.Paulo, ano LVII, edição 17924, página 18. 30 de abril de 1978. Consultado em 20 de julho de 2019 
  14. Antonio Augusto Gorni (26 de janeiro de 2003). «Estrada de Ferro Sorocabana-1969-1995: Anos de Desalento». Eletrificação das Ferrovias Brasileiras. Consultado em 19 de julho de 2019 
  15. Antonio Augusto Gorni (26 de janeiro de 2003). «Trem unidade elétrico Rio Claro». Eletrificação das Ferrovias Brasileiras. Consultado em 19 de julho de 2019 
  16. Fepasa (13 de agosto de 1992). «Anúncio publicitário». Folha de S.paulo, ano 72, edição 23143, Caderno Dinheiro, página 8. Consultado em 21 de julho de 2019 
  17. Ralph Mennucci Giesbrecht. «TIM (Santos-Samaritá)». Estações ferroviárias do Brasil. Consultado em 21 de julho de 2019 
  18. Renato Lobo (1 de maio de 2019). «Nos anos 90, a CPTM operou trem metropolitano na Baixada Santista». Via Trólebus. Consultado em 21 de julho de 2019 
  19. Ralph Mennucci Giesbrecht. «Varginha». Estações ferroviárias do Brasil. Consultado em 21 de julho de 2019 
  20. a b Charles de Freitas e Luciana de Almeida (fevereiro de 2008). «Trens da CTS-Companhia de Transportes de Salvador». Centro Oeste. Consultado em 19 de julho de 2019 
  21. Assessoria de Imprensa da CPTM (6 de novembro de 2004). «CPTM: Grafite de artistas populares dá novo visual aos trens da Linha B». Portla do governo do estado de São Paulo. Consultado em 21 de julho de 2019 
  22. «Obras sem Fim: 3 anos e ainda não há previsão para entrega de trecho». Itapevi Realidade. 8 de março de 2014. Consultado em 21 de julho de 2019 
  23. Adriana Ferraz (2 de julho de 2010). «A última viagem do trem mais perigoso da CPTM». Agora-SP. Consultado em 19 de julho de 2019 
  24. a b «Acidentes de trem em São Paulo:O pior foi em 87, com 58 mortes». Folha Online. 29 de julho de 2000. Consultado em 20 de julho de 2019 
  25. «Trem choca-se na Lapa com carreta enguiçada na linha». Folha de S.Paulo, ano LII, edição 15677, página 12. 18 de maio de 1972. Consultado em 20 de julho de 2019 
  26. Ralph Mennucci Giesbrecht. «Trens Itapevi-Amador Bueno». Estações ferroviárias do Brasil. Consultado em 20 de julho de 2019 
  27. TV Bahia (23 de julho de 2007). «Cinco ficam feridos em acidente de trem na BA». G1-SP. Consultado em 20 de julho de 2019 
  28. Priscila Chammas (8 de julho de 2011). «Só restam dois trens dos 12 que haviam na ferrovia do subúrbio». Correio da Bahia. Consultado em 20 de julho de 2019 
  29. Wanderson Mantoan Basilio (1 de novembro de 2019). «Dois trens batem de frente e 47 pessoas ficam feridas em Salvador». G1. Consultado em 1 de novembro de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]