Vespa asiática

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaVespa asiática
Vespa velutina nigrithorax MHNT dos.jpg
Classificação científica
Reino: Animalia
Divisão: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Família: Vespidae
Género: Vespa
Espécie: Vespa velutina
Nome binomial
Vespa velutina
Lepeletier, 1836

A vespa-asiática (nome científico: Vespa velutina) é uma espécie de vespa nativa do Sudeste Asiático.

A espécie tem uma área de distribuição natural que se estende pelas regiões tropicais e subtropicais do norte da Índia ao leste da China, Indochina e ao arquipélago da Indonésia

Em alguns países trata-se de uma espécie invasora que constitui uma preocupação séria das autoridades devido à sua acção predadora que põe em perigo as abelhas autóctones.[1] É uma praga que pode dizimar um enxame das europeias em poucos dias.[2]

A Vespa velutina é ligeiramente mais pequena do que vespa europeia. Geralmente as rainhas medem 30 mm de comprimento, os machos cerca de 24 mm e as obreiras cerca de 20 mm.[3] A espécie apresenta patas amarelas características. O tórax é castanho ou preto e o abdómen castanho. Cada segmento abdominal apresenta uma borda posterior amarela e estreita, exceto o quarto segmento, que é cor-de-laranja. A cabeça é preta e a face amarela. As várias formas regionais diferem significativamente na cor, o que causa dificuldades na classificação.

Na Europa[editar | editar código-fonte]

A variedade que causa problemas de invasão na Europa é a Vespa velutina nigrithorax.[4] Os seus ninhos podem conter até cerca 2200 vespas. Destas 150 são fundadores de novas colmeias que, no ano seguinte, poderão criar pelo menos 6 novos ninhos.[5]

A Vespa velutina nigritorax chegou à Europa por via marítima, em 2004. As autoridades francesas desconfiam que vieram num carregamento de bonsai, proveniente da China e descarregado em Bordéus. Nesse ano, eliminaram três ninhos. Em 2005, cinco. Mas em 2006 foram detetados 223 ninhos de vespa velutina em França e, um ano depois, os animais tinham-se espalhado por metade do país: 1613 ninhos.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 2011 um apicultor detetou um ninho de vespas perto de Viana do Castelo. Em dezembro de 2012 estavam confirmados nove ninhos no Alto Minho. No final de fevereiro, o número tinha subido para cinquenta. Desde essa altura, incluindo esse número, até ao final de 2015 foram registados 1215 vespeiros.[6] Do distrito de Viana do Castelo espalharam-se para Braga e Vila Real. O problema são os ninhos na floresta. É por aí que as velutinas vão continuar a progressão para sul.

Em abril de 2017, os ninhos da vespa asiática são já muitos milhares em Portugal e a espécie está já confirmada no Porto, em Coimbra, em Aveiro, na Guarda, em Leiria, em Santarém, em Castelo Branco , em Viseu e, em alguns casos pontuais, no Alentejo.[7]

Em Outubro de 2017 foi avistada em 12 distritos.

Em Agosto de 2019 foi avistada em Lisboa, na Quinta das Conchas e dos Liláses. No mês seguinte, parte do Parque da Pena, em Sintra, foi encerrado devido à presença de ninhos desta espécie.


Defesa[editar | editar código-fonte]

No Oriente, as abelhas asiáticas aprenderam a defender-se das velutinas. Quando uma vespa prospetora entra na colmeia, a colónia começa por fechar-lhe a saída. Depois as abelhas rodeiam o predador e formam uma bolha ao seu redor, começando a bater as asas para criar calor. As abelhas suportam temperaturas de 42 graus, as vespas apenas de 40. Então as obreiras aquecem a temperatura da colmeia até aos 41 graus, quase se matando a si próprias para eliminarem a vespa.[8]


Meios de luta[editar | editar código-fonte]

Incineração[editar | editar código-fonte]

Os ninhos podem ser destruídos pelas autoridades por incineração completa, evitando a dispersão de algumas vespas que iriam de imediato fundar vários ninhos.

Anidrido sulfuroso[editar | editar código-fonte]

Um ninho pode ser destruído até 20 metros de distância por uso de um tubo telescópico injetando dióxido de enxofre dentro do ninho. Este gás tem propriedades refrigerantes e congela o ninho inteiro[9]

Vara com cola[editar | editar código-fonte]

Uma armadilha simples de realizar consiste em uma vara de 30 cm de comprimento cuja extremidade é recoberta de cola para ratos. A captura da vespa consiste em tocá-la com a ponta da vara. Esta ferramenta seletiva e respeitosa do meio ambiente permite a captura das jovens fundadoras de colónia, atraídas durante a primavera para comedores contendo mel e restos de carne ou peixe. Visitando o comedor cada 2 ou 3 horas, é possível eliminar as vespas sem perturbas os outros insetos atraídos pela comida.

No entanto esta técnica é muito discutida e deve ser usada com caução.

Assim que um ninho desenvolvido é localizado, é preciso parar de capturar as fundadoras para evitar capturar a sua rainha. O ninho encarragar-se-á de impedir a fundação de outras colónias nas redondezas. O ninho pode ser destruído por incineração em julho, quando as jovens fundadoras já não poderão criar novas colónias viáveis.

A captura poderia também ser negativa para a vespa europeia se a captura é insuficientemente seletiva ou prolonga-se depois de abril. A experiência de outras invasões e diferentes estudos científicos sobre a biologia das vespas mostram que mais de 90% das jovens fundadoras morrem em luta entre elas para locais de nidificação. Se a captura mata outros insetos, o ambiente alterado favorece a instalação das vespas asiáticas. Por essas razões, esta técnica não é aconselhada.

Proteção das colmeias[editar | editar código-fonte]

Entrada de uma colmeia com grelha de proteção

Existem portas de entrada para colmeias que só deixam passar abelhas. Uma rede maio pode proteger toda a colmeia ou uma zona mais extensa à volta dela[10]. A rede impede as vespas de penetrar e esvaziar as colmeias. A rede não protege contra a caça de abelhas em pleno voo mas limita os danos. É preciso certificar-se que a rede não impede a entrada dos machos na altura da fecundação.

Galinhas[editar | editar código-fonte]

Galinha de raça Janzé

Os frangos em crescimento nascidos em ambiente natural e educadas por uma galinha são predadores ocasionais das vespas asiáticas. Pode então ser considerada a instalação de uma colmeia dentro de um galinheiro.

Em particular, a galinha de raça Janzé, é muito boa predadora, dando saltos e apanhando a vespa quando esta última está em voo estacionário em cima de uma colmeia. Descartando a cabeça, a galinha come o corpo da vespa.

Plantas carnívoras[editar | editar código-fonte]

Um estudo do Jardim de plantas de Nantes (França) mostra que a planta carnívora Sarracenia oreophila atrai especificamente a vespa asiática e seria promissora na luta contra a invasora, cada planto podendo eliminar até 50 vespas. No entanto a planta não seria suficiente para lutar contra colónias que podem contar até 3000 vespas.

Parasitas[editar | editar código-fonte]

Nematoda da família dos Mermithidae, parasita da vespa asiática

Procura-se conhecer melhor os parasitas que podem ter um papel importante na luta biológica. Estudos [11]. Uma espécie do género Pheromermis, provavelmente Pheromermis vesparum, parasita a vespa. É uma espécie local, europeia, que se adaptou ao novo hóspede. Mas muito poucos foram encontrados a parasitar vespas, por que os hóspedes intermédios as Phryganea só fazem parte de maneira ocasional da alimentação das vespa, não permitindo o uso do parasita em luta biológica.

Referências

  1. Tan, K; Radloff, SE; Li, JJ; Hepburn, HR; Yang, MX; Zhang, LJ; Neumann, P (junho de 2007). «Bee-hawking by the wasp, Vespa velutina, on the honeybees Apis cerana and A. mellifera». Naturwissenschaften. 94 (6): 469–72. doi:10.1007/s00114-006-0210-2 
  2. Boletim municipal de Viana do Castelo, Dezembro de 2015, p. 31
  3. «Untitled Document». vespa-bicolor.net 
  4. BBC News (8 de outubro de 2015). «Pitcher plant in France eats bee-killing Asian hornets» 
  5. Boletim municipal de Viana do Castelo, Dezembro de 2015, p. 31
  6. Boletim municipal de Viana do Castelo, Dezembro de 2015, p. 31
  7. «Quercus alerta para descontrolo da praga da vespa asiática» 
  8. «A morte silenciosa das abelhas» 
  9. https://noticiasdecoura.com/paredes-de-coura-e-pioneira-no-combate-a-vespa-asiatica/
  10. Cabana com rede, Museum d'histoire naturelle (França)
  11. Can parasites halt the invader? Mermithid nematodes parasitizing the yellow-legged Asian hornet in France, https://doi.org/10.7717/peerj.947

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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