World Community Grid

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Tela do software do World Communit Grid

World Community Grid é um esforço para criar o maior supercomputador público do mundo para realizar pesquisas científicas que beneficiem a humanidade. O projeto é de autoria da IBM e atualmente está disponível para Windows, Linux, Android and Mac OS X. Utiliza a plataforma BOINC.

Como funciona[editar | editar código-fonte]

O software World Community Grid utiliza o tempo ocioso de computadores pessoais para realizar projeções e cálculos, divindo assim o trabalho em milhares de computadores espalhados pelo mundo.

Se um computador está utilizando, por exemplo, apenas 60% da sua capacidade de processamento, o World Community Grid utiliza os 40% restantes e ajusta este percentual conforme a variação da capacidade ociosa do computador. Também existe a possibilidade de configurar o software para funcionar como descanso de tela, utilizando apenas os recursos do computador quando ele está ligado mas não está em uso.

Enquanto alguns outros projetos mundiais de processamento distribuído como o SETI@home ou Genome@home abordam apenas um projeto, o World Community Grid oferece múltiplos projetos humanitários para a participação utilizando um mesmo software. Os projetos são escolhidos criteriosamente por membros de grandes instituições de pesquisa e universidades do mundo inteiro e geralmente são voltados a pesquisas na área da saúde, enovelamento de proteínas, mudanças climáticas e energias renováveis. Entre os requisitos para que um projeto seja escolhido para integrar o World Community Grid, está o compromisso de que os resultados das pesquisas sejam disponibilizados publicamente, a fim de beneficiar toda a comunidade científica.

Os usuários podem ainda se unir a times que são criados por organizações, empresas ou por usuários individuais. Os times proporcionam um clima de competição, beneficiando os projetos.

História[editar | editar código-fonte]

Anunciado em 16 de Novembro de 2004 pela IBM, o World Community Grid inicialmente funcionava apenas em Windows, usando a tecnologia proprietária da empresa United Devices Inc. A grande demanda por suporte ao Linux levou o projeto a juntar-se à tecnologia BOINC que é utilizada também por projetos como o Seti@home e o Climateprediction. O suporte ao sistema operacional Mac OS X foi disponibilizado mais tarde.

Em 22 de janeiro de 2008 o World Community Grid anunciou que possuía aproximadamente 355.000 associados com quase 880.000 computadores participantes. Totalizando mais de 137.000 anos de processamento.

Projetos concluídos[editar | editar código-fonte]

(Atualizado em 03/07/2018)

Varíola[editar | editar código-fonte]

O primeiro projeto lançado foi patrocinado pela IBM em conjunto com diversos outros participantes. Ele ajudou a analisar o potencial de candidatos à drogas para terapia do vírus da varíola. 35 milhões de moléculas com potencial de ação foram processadas, resultando em 44 tratamentos potenciais.

Human Proteome Folding Project[editar | editar código-fonte]

O primeiro projeto de maior efeito lançado foi o Human Proteome Folding Project, ou HPF1, que visava predizer a estrutura de proteínas humanas. Desenvolvido por Richard Bonneau no Institute for Systems Biology, o projeto utilizou o World Community Grid para produzir estruturas utilizando o software Rosetta. A partir deste resultados, os pesquisadores esperam ajudar no entendimento das proteínas humanas e seu funcionamento no organismo (o que é de vital importância para a cura de inúmeras doenças). O trabalho neste projeto foi oficialmente concluído em 18 de Julho de 2006.

Genome Comparison[editar | editar código-fonte]

Projeto da Fiocruz do Rio de Janeiro lançado em 21 de novembro de 2006. Este projeto brasileiro visa comparar sequências de DNA e buscar por semelhanças entre elas. Os cientistas esperam descobrir com isso genes com uma mesma função e utilizá-los no tratamento de numerosas doenças.

The Clean Energy Project - Phase 2[editar | editar código-fonte]

Dando continuidade à primeira fase desse projeto, a fase 2 iniciou em Junho de 2010. O objetivo do projeto é determinar novos compostos orgânicos para criar células solares mais eficientes; a fase 1 focou em dinâmica molecular de compostos orgânicos, enquanto a fase 2 tem foco em estruturas eletrônicas. Esse projeto se diferencia dos demais, pois os resultados são enviados diretamente para o servidor da universidade, e não para o servidor do World Community Grid. Além disso, esse projeto possui requerimentos mínimos de hardware, sendo necessários computadores mais poderosos.

Uncovering Genome Mysteries[editar | editar código-fonte]

Lançado em 16 de Outubro de 2014, este projeto visa comparar mais de 200 milhões de genes de diferentes formas de vida, tais como microrganismos encontrados em algas da costa australiana e do rio Amazonas.

Projeto Ativos[editar | editar código-fonte]

(Atualizado em 03/07/2018)

Outsmart Ebola Together[editar | editar código-fonte]

Lançado em 3 de Dezembro de 2014, este projeto é o mais recente. Ele tem como objetivo escanear milhões de moléculas que se acredita serem capazes de desabilitar o vírus da Ebola.

OpenZika[editar | editar código-fonte]

Com a epidemia do vírus da Zika ocorrida no Brasil ao longo de 2016 e 2017, uma equipe de pesquisa da Universidade Federal de Goiás propôs o projeto OpenZika, uma colaboração entre instituições de diferentes países que objetiva estudar possíveis compostos promissores no combate ao vírus e o desenvolvimento, no longo-prazo, de novos medicamentos.

Mapping Cancer Markers[editar | editar código-fonte]

Lançado em Novembro de 2013, estima-se que o projeto seja concluído em Agosto de 2015, se mantidas constantes a quantidade de tarefas e o poder de processamento atuais. Seu objetivo é identificar possíveis indicadores de diversos tipos de câncer, analisando milhões dados, coletados a partir de pacientes saudáveis e doentes.

Microbiome Immunity Project[editar | editar código-fonte]

Objetiva compreender as estruturas proteicas da microbiota humana e qual o papel exercido pelas bactérias presentes no organismo humano no desenvolvimento de doenças como Diabetes mellitus.

FightAIDS@Home[editar | editar código-fonte]

Outro projeto, o FightAIDS@Home, foi lançado em 15 de novembro de 2005 no World Community Grid. Desde maio de 2003, este projeto existe, mas utilizava uma outra plataforma, a Entropia, sendo o projeto mais antigo ainda ativo. Neste projeto, cada computador processa uma potencial molécula e testa como ela se comporta em relação à moléculas do vírus HIV. Este projeto foi o primeiro a participar do World Community Grid para pesquisar sobre uma única doença.

FightAIDS@Home - Phase 2[editar | editar código-fonte]

A partir dos resultados prévios obtidos com a primeira fase do FightAIDS@Home, a sua segunda versão objetiva analisar compostos promissores e reduzir a incidência de compostos falso-positivos e falso-negativos.

Smash Childhood Cancer[editar | editar código-fonte]

Este projeto busca estudar moléculas e proteínas que demonstraram um papel promissor no combate de certos tipos de cânceres infantis, tendo como objetivo principal o desenvolvimento de novas drogas e compostos capazes de atuar no tratamento deste tipo de câncer.

Help Stop TB[editar | editar código-fonte]

Este projeto simula o comportamento e a química de ácidos micólicos para entender melhor como eles protegem a bactéria da tuberculose de drogas e do sistema imunológico humano.[1] Dessa forma objetiva-se, no longo prazo, desenvolver novos tratamentos mais eficazes para a tuberculose, reduzindo a taxa de mortalidade da doença.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Help Stop TB». www.worldcommunitygrid.org. Consultado em 29 de abril de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]