Zhang Yimou

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Zhang Yimou
Opening Film CROPPED.jpg

Zhang Yimou
Nascimento 14 de novembro de 1951 (71 anos)
Nacionalidade chinesa
Ocupação Cineasta
Prémios BAFTA
Melhor Filme em Língua Não Inglesa
1993 - Da hong deng long gao gao gua
1995 - Huózhe
Festival de Cannes
Grand Prix du Jury
1994
Festival de Berlim
Grand Prix do Júri
2000
Festival de Veneza
Leão de Prata para a Melhor Realização
1990

Leão de Prata
1991
Leão de Ouro
1992, 1999

Zhāng Yìmóu (张艺谋 Chinês tradicional: 張藝謀) (Xian, 14 de Novembro, 1951) é um cineasta, produtor de cinema e roteirista chinês. Zhang Yimou é um dos percussores do movimento da Quinta Geração, que viria a ser o início do cinema contemporâneo chinês, surgido com a primeira turma da reaberta Academia de Cinema de Pequim em 1976. Importante referência ao cinema oriental, o diretor se tornou destaque internacional por filmes expositivos da realidade da China pós-Revolução Cultural.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu na cidade de Xian, capital da província de Shaanxi, em 1951. Vindo de uma família de militares, passou dificuldades financeiras, sociais e psicológicas na infância durante a Revolução Cultural: abandonou a escola, e durante a adolescência foi obrigado a trabalhar em uma plantação de algodão, e logo depois na indústria têxtil. Em entrevista, afirma que sua família era considerada de "passado incorreto",[1] diante do posicionamento político contrario ao da revolução comunista. Dessa forma, Zhang afirma que "sentia muito oprimido quando pequeno".[1] E explicaː

Nós éramos alvo da revolução. Quando criança, eu me sentia oprimido, preocupado e ansioso. A vida era muito difícil. Quando alguém é criado assim, isso não desaparece quando esse alguém vira adulto. Eu sempre sou discreto e nunca quero problemas. Eu sou cuidadoso e nada romântico. Sou muito pragmático."[2]

Autodidata, pintava telas e começou a praticar fotografia, chegando a vender o próprio sangue para conseguir comprar a primeira câmera. Sua infância e adolescência ocorreram durante o movimento definidor do país, identificado como Revolução Cultural, que viria a ser recorrente fonte de inspiração para sua obra.

No ano da morte de Mao Tse-tung em 1976, depois dos dez anos sem nenhuma produção cinematográfica, e sem demanda de ensino, a Academia de Cinema de Pequim abriu concurso para 30 alunos. A procura foi tão grande que mais de três mil candidatos se inscreveram para concorrer à vaga. Eram pessoas sem nenhum tipo de escolaridade, todos operários e camponeses que viram o curso como uma oportunidade para mudar de vida. Zhang Yimou que ainda trabalhava na indústria têxtil nesse período, já alcançava 28 anos, um ano a mais do que permitia o edital. Montando um portfólio com suas fotografias e vídeos amadores, conseguiu uma vaga no curso de cinegrafista. Sobre a candidatura a vaga no curso, o diretor explica: "o que importava era sobreviver. Eu queria uma mudança. Eu já tinha 28 anos, e queria uma oportunidade de fazer faculdade. Poderia estudar qualquer coisa. Eu não tinha exigências quanto a interesses, hobbies ou fé e não tinha nada a ver com ideais ou ambições".[1]

Entre seus colegas estavam Chen Kaige de Adeus, Minha Concubina (Ba Wang Bie Ji, China, 1993) e Tian Zhuangzhuang de O Sonho Azul(Lan Feng Zheng, China, 1993)2 e o compositor Jiping Zhao que viria a trabalhar com Yimou na maioria de seus filmes.

É fato entender que a academia fora reaberta unicamente pela necessidade do governo chinês em produzir propagandas políticas que facilitassem a nova abertura do governo para o mundo, e por entender a necessidade de se modernizar, sendo o cinema oportunidade para isso. A maioria dos professores estavam presos, ou não serviam para lecionar o que viria ser a nova leva de diretores chineses. Com a falta de corpo docente e principalmente de estrutura material para o ensino, os alunos precisavam aprender e buscar conhecimento sobre cinema sozinhos, passando a dedicar horas assistindo filmes do arquivo nacional.

A aprendizagem viria com produções soviéticas e americanas, europeias e japonesas, assim como os clássicos chineses de antes do período amargo da Revolução Cultural. Segundo o diretor Chen Kaige, os filmes da época revolucionária e os americanos não eram suficientes: “Não gostávamos muito de Hollywood. A história era demasiada bem ‘cosida’, não era muito verdadeira. Detestávamos os filmes de Yunan. Mas redescobrimos o nosso cinema, o dos anos 30 e 40”. (KAIGE apud SOUSA, 2014).[3]

A característica principal dos alunos dessa turma seria a de entender e saber driblar a forte censura do Partido Comunista. Entretanto para Zhang Yimou em seus primeiros filmes seria importante que a história fosse repassada, para então se focalizar no presente do país da época.

Em 2008, ele foi escolhido para dirigir a cerimonia de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Verão 2008 em Pequim.

Obra[editar | editar código-fonte]

Sua carreia inicia com Sorgo Vermelho (Hong Gao Liang, China, 1987), filme com temática histórica, e roteiro adaptado da obra de Mo Yan (Guan Moye), escritor chinês que no ano de 2012 ganhou o Nobel de Literatura. Abordando o período de invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, Zhang Yimou reconstrói a pobreza do povo chinês, em contraponto com a crueza dos atos japoneses. Narrado pelo neto da protagonista (no caso personagem de Gong Li, primeiro filme da parceria de anos entre o diretor e a atriz), o filme trabalha com uma edição em que não se é especifico a passagem de tempo, mas com uma transição organizada, bem orientada para o espectador e esteticamente bela, para a chegada inesperada dos japoneses, que destroem a harmonia do pequeno universo camponês que Zhang constrói.

Trazendo a cor que define o filme no título, o vermelho seria a marca deste e dos próximos filmes históricos do diretor, Amor e Sedução (Ju Dou, China, 1990) e Lanternas Vermelhas (Da Hong Deng Long Gao Gao Gua, China, 1991), que trazem o vermelho como a cor dos ambientes e da vida das pessoas retratadas. Não é só o sorgo das plantações ou as lanternas da casa das esposas que o vermelho representa, mas principalmente o sangue dos violentos fatos narrados nos filmes, visto que todos terminam em tragédias. Essa utilização da fotografia com cores saturadas e com aparência tão “pictórica” viria ser a característica mais visível nas obras do autor. Além de identificar como uma das principais tendências e influências que o cinema da quinta geração adquiriu do cinema americano, que foi o aprimoramento na direção de fotografia.

Questionado sobre o fato de suas obras serem tão românticas e com roteiros que pregam uma total entrega ao amor e circunstancias impossíveis, o diretor afirma que "não é nada romântico". Continua explicando que seu pragmatismo vem de suas experiências sofridas da juventudeː

Desde Sorgo Vermelho, até Flores do Oriente, que é mais recente, podemos ver muitas expressões poéticas e românticas em termos das cores e do cenário. São muito fortes, principalmente as cores. É um contraste com a minha vida pessoal. Como se eu fosse duas pessoas. Não sei que houve. Talvez o que eu não tenha colocado na vida, tenha colocado na minha arte.[1]

Zhang Yimou se preocupa de mostrar as magelas da realidade da Revolução Cultural, e como esta modificou toda uma geração e o futuro social, politico e econômico da China. Sem discreto, mas ainda polemico e questionador, o diretor chinês consegue fazer criticas a esse passado histórico do seu país, mas sempre prezando pelo equilíbrio, visto sua vontade de "não buscar problemas",[1] e ter seu trabalho realizado de forma livre.

Outra forte tendência e característica que viria a ser visível nos trabalhos de Zhang é a admiração pela Ópera de Pequim. Os filmes teriam detalhes e cenas em longas tomadas e câmeras lentas, sempre envoltas em músicas densas e singulares, criando imagens operísticas. Tal admiração foi o que levou o autor passar o filme Lanternas Vermelhas para um espetáculo de balé, sob sua direção no Balé Nacional da China.

O ano de 1999, o diretor apresentou o que seria o seu último filme realista, o belíssimo Nenhum a Menos (Yi Ge Dou Bu Neng Shao, China, 1999). Bastante premiado, após este Zhang não apresentaria novamente, a simplicidade do povo como temática de suas produções, e passando a se dedicar a filmes mais elaborados tecnicamente. Com Herói (Ying Xiong, China, 2002) passa a demonstrar sua nova faceta, em que as artes marciais se tornam danças em um balé operístico, com cenários, figurinos e fotografia perfeitos.

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

Zhang Yimou foi casado de 1978 a 1988 com Xiao Hua, da relação nasceu sua filha mais velha, a diretor de cinema Zhang Mo. Após iniciar sua carreira como diretor, ele se divorciou e iniciou um relacionamento com a atriz Gong Li, que durou pouco mais de dez anos. O relacionamento da atriz e o diretor foi mais que amoroso, sendo principalmente de parceria artística importantíssima na carreira do diretor e da atriz, visto que a projetou para o mundo. Gong Li atuou como protagonista na maioria dos filmes de Yimou, tendo um hiato, que foi retomado em Amor Para a Eternidade (Gui Lai, China, 2014). A filha do diretor chegou afirmar que a atriz "destruiu sua infância", diante do relacionamento extraconjugal dos dois.

Gong Li e o diretor se separam em meados dos anos 90, entretanto a parceria artística continuou. Zhang é casado desde 2011 com Chen Ting, e tem 3 filhos. O diretor foi processado na China por violar as normas da Lei do Filho Único, sendo punido com uma multa.

Premiações[editar | editar código-fonte]

BAFTA Awards[editar | editar código-fonte]

  • 1993 - Melhor Filme em Língua Estrangeira - Da hong deng long gao gao gua (1991)
  • 1995 - Melhor Filme em Língua Estrangeira - Huo zhe (1994)

Berlin International Film Festival[editar | editar código-fonte]

  • 1988 - Urso de Ouro - Hong gao liang (1987)
  • 2000 - Premio Ecumênico do Juri - Wo de fu qin mu qin (1999)
  • 2000 - Urso de Prata - Wo de fu qin mu qin (1999)
  • 2003 - Alfred Bauer Award - Ying xiong (2002)

Cannes Film Festival[editar | editar código-fonte]

  • 1994 - Premio Ecumênico do Juri - Huo zhe (1994)
  • 1994 - Grande Premio do Juri - Huo zhe (1994)
  • 1995 - Melhor Diretor - Yao a yao, yao dao wai po qiao (1995)

Sundance Film Festival[editar | editar código-fonte]

  • 2001 - Premio do Público - Wo de fu qin mu qin (1999)

Venice Film Festival[editar | editar código-fonte]

  • 1991 - Leão de Prata - Da hong deng long gao gao gua (1991)
  • 1991 - FRIPESCI - Da hong deng long gao gao gua (1991)
  • 1992 - Leão de Ouro - Qiu Ju da guan si (1992)
  • 1992 - Premio da UNICEF - Qiu Ju da guan si (1992)
  • 1992 - Menção honrosa - Qiu Ju da guan si (1992)
  • 1999 - Leão de Ouro - Yi ge dou bu neng shao (1999)
  • 1999 - Sergio Trasatti Award - Yi ge dou bu neng shao (1999)
  • 1999 - Laterna Magica Prize - Yi ge dou bu neng shao (1999)
  • 1999 - Premio UNICEF - Yi ge dou bu neng shao (1999)

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ano Título original Título em português Observações
1988 Hong gao liang Sorgo Vermelho (BR)
1989 Daihao meizhoubao
1990 Ju Dou Amor e Sedução (BR)
1991 Da hong deng long gao gao gua Esposas e Concubinas (PT) / Lanternas Vermelhas (BR)
1992 Qiu Ju da guan si A História de Qiu Ju (BR)
1994 Hua hun A Soul Haunted by Painting
1994 Huozhe Viver (PT) Tempo de Viver (BR)
1994 Yao a yao yao dao waipo qiao A Tríade de Xangai (PT) / Operação Xangai (BR)
1995 Lumière et compagnie Lumière e Companhia (PT/BR) Documentário
1997 You hua hao hao shuo Keep Cool
1999 Yi ge dou bu neng shao Nenhum a Menos (PT/BR)
1999 Wo de fu qin mu qin O Caminho Para Casa (PT/BR)
2000 Xingfu shiguang
2002 Ying xiong Herói (PT/BR)
2004 Shi mian mai fu O Segredo dos Punhais Voadores (PT) / O Clã das Adagas Voadoras (BR)
2005 Qian li zou dan qi Caminho Solitário (PT) / Um Longo Caminho (BR)
2006 Man cheng jin dai huang jin jia A Maldição da Flor Dourada (PT/BR)
2009 San qiang pai an jing qi Uma mulher, uma arma e uma loja de macarrão (PT/BR)
2010 Shan zha shu zhi lian A Árvore do Amor
2011 The Flowers of War As Flores da Guerra (PT) / Flores do Oriente (BR)
2014 Gui Lai Amor Para a Eternidade (BR) / Regresso a Casa (PT)
2014 Stories Through 180 Lenses Curta Documentário
2015 Wang chao de nv ren: Yang Gui Fei Co-Diretor
2016 The Great Wall A Grande Muralha (PT/BR) Diretor

Biografia e Outras fontes[editar | editar código-fonte]

  • NASCIMENTO, Cybele. Biografia e Filmografia de Zhang Yimou.
  • MARTIN, Marcel.; NEVES, Paulo; SCHVARTZMAN, Sheila. A linguagem cinematográfica. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2011. 303 p. ISBN 9788511220278.
  • PALLAS, Hynek Pallas; MAGNUSSON,Jane. Invadindo Bergman (Trespassing Bergman, Suécia, 2013), seguimento Episódio 3 - Aventura: Zhang Yimou.
  • SAFFIOTI, H. I.B. Ontogênese e filogênese do gênero: ordem patriarcal de gênero e a violência masculina contra mulheres. Série Estudos e Ensaios -FLACSO-Brasil. Rio de Janeiro, Jun. 2009. Disponível em: <http://www.flacso.org.br/portal/pdf/serie_estudos_ensaios/Heleieth_Saffioti.pdf>. Acesso em: 15 de out. 2014.
  • SOUSA, P. T. A Quinta Geração: para a Cloro por tudo. Disponível em: <http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=1&doc=6998&mid=2>. Acesso em: 15 de out. 2014.
  • IMDB Zhang Yimou. Disponível em: < http://www.imdb.com/name/nm0955443/?ref_=nmawd_awd_nm>. Acesso em: 15 de out. 2014.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e PALLAS, Hynek Pallas; MAGNUSSON,Jane. Invadindo Bergman (Trespassing Bergman, Suécia, 2013), seguimento Zhang Yimou.
  2. PALLAS, Hynek; MAGNUSSON,Jane. Invadindo Bergman (Trespassing Bergman, Suécia, 2013), seguimento Zhang Yimou.
  3. SOUSA, P. T. A Quinta Geração: para a Cloro por tudo. Disponível em: <http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=1&doc=6998&mid=2>. Acesso em: 15 de out. 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre um(a) cineasta é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.