Viroses emergentes e reemergentes: diferenças entre revisões

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Os avanços das tecnologias e desenvolvimento econômico e social, trouxeram otimismo em relação a erradicação das [[Doença infecciosa|doenças infecciosas]], mas o surgimento da [[Síndrome da imunodeficiência adquirida|AIDS]]<ref name=":0">{{citar livro|url=https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/42076/3/silva-9788575413814.pdf|título=Viroses emergentes no Brasil|ultimo=Silva|primeiro=Luiz|ultimo2=Angerami|primeiro2=Rodrigo|editora=Fiocruz|ano=2008|local=Rio de Janeiro|páginas=136}}</ref><ref>{{Citar periódico |url=https://doi.org/10.1590/S1413-81232010000700017 |titulo=Doenças infecciosas emergentes e a emergência das doenças: uma revisão conceitual e novas questões |data=2010-06 |acessodata=2021-09-30 |jornal=Ciência & Saúde Coletiva |número=suppl 1 |ultimo=Grisotti |primeiro=Márcia |paginas=1095–1104 |doi=10.1590/s1413-81232010000700017 |issn=1413-8123}}</ref> e de uma série de surtos e epidemias de doenças emergentes e reemergentes no início do século XXI, fizeram esse otimismo diminuir<ref name=":1">{{citar livro|título=Virologia Humana|ultimo=Santos|primeiro=Norma|ultimo2=Romanos|primeiro2=Maria|ultimo3=Wigg|primeiro3=Marcia|editora=Guanabara Koogan|ano=2015|local=Rio de Janeiro|página=3-26, 350, 374-382|páginas=606}}</ref>. Hoje vemos que a globalização também globalizou os agentes infecciosos<ref>{{citar livro|título=A história e suas epidemias: a convivência do homem com os microorganismos|ultimo=Ujvari|primeiro=Stefan|editora=Senac|ano=2003|local=São Paulo|páginas=328}}</ref>, um exemplo é a SARS, primeira pandemia pós-moderna, que veio nos mostrar que a doença está globalizada, mas a saúde ainda não<ref name=":0" />, fato reafirmado pela Covid-19, doença causada por um novo tipo de coronavírus (Sars-CoV-2)<ref>{{Citar web |url=http://coc.fiocruz.br/index.php/pt/todas-as-noticias/1767-ciencia-saude-e-doencas-emergentes-uma-historia-sem-fim.html |titulo=Ciência, saúde e doenças emergentes: uma história sem fim |acessodata=2021-09-30 |website=coc.fiocruz.br |lingua=pt-br}}</ref>. As doenças transmissíveis continuam sendo um desafio de saúde pública para o Brasil<ref>{{Citar periódico |url=https://doi.org/10.1590/1413-81232018236.08402018 |titulo=Conquistas do SUS no enfrentamento das doenças transmissíveis |data=2018-06 |acessodata=2021-09-30 |jornal=Ciência & Saúde Coletiva |número=6 |ultimo=Teixeira |primeiro=Maria Glória |ultimo2=Costa |primeiro2=Maria da Conceição Nascimento |paginas=1819–1828 |doi=10.1590/1413-81232018236.08402018 |issn=1678-4561 |ultimo3=Paixão |primeiro3=Enny Santos da |ultimo4=Carmo |primeiro4=Eduardo Hage |ultimo5=Barreto |primeiro5=Florisneide Rodrigues |ultimo6=Penna |primeiro6=Gerson Oliveira}}</ref><ref>{{citar periódico |url=https://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/artigo_saude_brasil_3.pdf |titulo=Sucessos e fracassos no controle de doenças infecciosas no Brasil: o contexto social e ambiental, políticas, intervenções e necessidades de pesquisa |data=9 de maio de 2011 |acessodata=30 de setembro de 2021 |jornal=The Lancet |ultimo=Barreto |primeiro=Maurício |ultimo2=Teixeira |primeiro2=Maria |ultimo3=Bastos |primeiro3=Francisco |ultimo4=Ximenes |primeiro4=Ricardo |ultimo5=Barata |primeiro5=Rita}}</ref>, país que apresenta complexa situação epidemiológica<ref>{{Citar periódico |url=https://doi.org/10.1590/0102-311X00015619 |titulo=Áreas com queda da cobertura vacinal para BCG, poliomielite e tríplice viral no Brasil (2006-2016): mapas da heterogeneidade regional |data=2020 |acessodata=2021-09-30 |jornal=Cadernos de Saúde Pública |número=4 |ultimo=Arroyo |primeiro=Luiz Henrique |ultimo2=Ramos |primeiro2=Antônio Carlos Vieira |doi=10.1590/0102-311x00015619 |issn=1678-4464 |ultimo3=Yamamura |primeiro3=Mellina |ultimo4=Weiller |primeiro4=Teresinha Heck |ultimo5=Crispim |primeiro5=Juliane de Almeida |ultimo6=Cartagena-Ramos |primeiro6=Denisse |ultimo7=Fuentealba-Torres |primeiro7=Miguel |ultimo8=Santos |primeiro8=Danielle Talita dos |ultimo9=Palha |primeiro9=Pedro Fredemir}}</ref>, pois apesar de haver uma grande redução das causas de morte por doenças infecciosas, a mesma tendência não é vista quando dados de morbidade são analisados<ref>{{Citar periódico |url=https://doi.org/10.1590/S1415-790X2002000300003 |titulo=A emergência das doenças emergentes e as doenças infecciosas emergentes e reemergentes no Brasil |data=2002-12 |acessodata=2021-09-30 |jornal=Revista Brasileira de Epidemiologia |número=3 |ultimo=Luna |primeiro=Expedito J. A. |paginas=229–243 |doi=10.1590/s1415-790x2002000300003 |issn=1415-790X}}</ref>, essa complexidade é própria a situações de intensa desigualdade<ref>{{citar livro|url=http://books.scielo.org/id/m9xn5|título=Promoção da Saúde: conceitos, reflexões, tendências|ultimo=Czeresnia|primeiro=Dina|ultimo2=Freitas|primeiro2=Carlos|editora=Fiocruz|ano=2009|local=Rio de Janeiro|página=11-17}}</ref>. E entre as doenças infecciosas de importância em saúde pública 60% são de origem viral, segundo a OMS<ref name=":1" />.
Os avanços das tecnologias e desenvolvimento econômico e social, trouxeram otimismo em relação a erradicação das [[Doença infecciosa|doenças infecciosas]], mas o surgimento da [[Síndrome da imunodeficiência adquirida|AIDS]]<ref name=":0">{{citar livro|url=https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/42076/3/silva-9788575413814.pdf|título=Viroses emergentes no Brasil|ultimo=Silva|primeiro=Luiz|ultimo2=Angerami|primeiro2=Rodrigo|editora=Fiocruz|ano=2008|local=Rio de Janeiro|páginas=136}}</ref><ref>{{Citar periódico |url=https://doi.org/10.1590/S1413-81232010000700017 |titulo=Doenças infecciosas emergentes e a emergência das doenças: uma revisão conceitual e novas questões |data=2010-06 |acessodata=2021-09-30 |jornal=Ciência & Saúde Coletiva |número=suppl 1 |ultimo=Grisotti |primeiro=Márcia |paginas=1095–1104 |doi=10.1590/s1413-81232010000700017 |issn=1413-8123}}</ref> e de uma série de surtos e epidemias de doenças emergentes e reemergentes no início do século XXI, fizeram esse otimismo diminuir<ref name=":1">{{citar livro|título=Virologia Humana|ultimo=Santos|primeiro=Norma|ultimo2=Romanos|primeiro2=Maria|ultimo3=Wigg|primeiro3=Marcia|editora=Guanabara Koogan|ano=2015|local=Rio de Janeiro|página=3-26, 350, 374-382|páginas=606}}</ref>. Hoje vemos que a globalização também globalizou os agentes infecciosos<ref>{{citar livro|título=A história e suas epidemias: a convivência do homem com os microorganismos|ultimo=Ujvari|primeiro=Stefan|editora=Senac|ano=2003|local=São Paulo|páginas=328}}</ref>, um exemplo é a [[Síndrome respiratória aguda grave|SARS]], primeira pandemia pós-moderna, que veio nos mostrar que a doença está globalizada, mas a saúde ainda não<ref name=":0" />, fato reafirmado pela [[COVID-19|Covid-19]], doença causada por um novo tipo de [[coronavírus]] ([[Coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2|Sars-CoV-2]])<ref name=":2">{{Citar web |url=http://coc.fiocruz.br/index.php/pt/todas-as-noticias/1767-ciencia-saude-e-doencas-emergentes-uma-historia-sem-fim.html |titulo=Ciência, saúde e doenças emergentes: uma história sem fim |acessodata=2021-09-30 |website=coc.fiocruz.br |lingua=pt-br}}</ref>. As doenças transmissíveis continuam sendo um desafio de saúde pública para o Brasil<ref>{{Citar periódico |url=https://doi.org/10.1590/1413-81232018236.08402018 |titulo=Conquistas do SUS no enfrentamento das doenças transmissíveis |data=2018-06 |acessodata=2021-09-30 |jornal=Ciência & Saúde Coletiva |número=6 |ultimo=Teixeira |primeiro=Maria Glória |ultimo2=Costa |primeiro2=Maria da Conceição Nascimento |paginas=1819–1828 |doi=10.1590/1413-81232018236.08402018 |issn=1678-4561 |ultimo3=Paixão |primeiro3=Enny Santos da |ultimo4=Carmo |primeiro4=Eduardo Hage |ultimo5=Barreto |primeiro5=Florisneide Rodrigues |ultimo6=Penna |primeiro6=Gerson Oliveira}}</ref><ref name=":3">{{citar periódico |url=https://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/artigo_saude_brasil_3.pdf |titulo=Sucessos e fracassos no controle de doenças infecciosas no Brasil: o contexto social e ambiental, políticas, intervenções e necessidades de pesquisa |data=9 de maio de 2011 |acessodata=30 de setembro de 2021 |jornal=The Lancet |ultimo=Barreto |primeiro=Maurício |ultimo2=Teixeira |primeiro2=Maria |ultimo3=Bastos |primeiro3=Francisco |ultimo4=Ximenes |primeiro4=Ricardo |ultimo5=Barata |primeiro5=Rita}}</ref>, país que apresenta complexa situação epidemiológica<ref>{{Citar periódico |url=https://doi.org/10.1590/0102-311X00015619 |titulo=Áreas com queda da cobertura vacinal para BCG, poliomielite e tríplice viral no Brasil (2006-2016): mapas da heterogeneidade regional |data=2020 |acessodata=2021-09-30 |jornal=Cadernos de Saúde Pública |número=4 |ultimo=Arroyo |primeiro=Luiz Henrique |ultimo2=Ramos |primeiro2=Antônio Carlos Vieira |doi=10.1590/0102-311x00015619 |issn=1678-4464 |ultimo3=Yamamura |primeiro3=Mellina |ultimo4=Weiller |primeiro4=Teresinha Heck |ultimo5=Crispim |primeiro5=Juliane de Almeida |ultimo6=Cartagena-Ramos |primeiro6=Denisse |ultimo7=Fuentealba-Torres |primeiro7=Miguel |ultimo8=Santos |primeiro8=Danielle Talita dos |ultimo9=Palha |primeiro9=Pedro Fredemir}}</ref>, pois apesar de haver uma grande redução das causas de morte por doenças infecciosas, a mesma tendência não é vista quando dados de morbidade são analisados<ref name=":4">{{Citar periódico |url=https://doi.org/10.1590/S1415-790X2002000300003 |titulo=A emergência das doenças emergentes e as doenças infecciosas emergentes e reemergentes no Brasil |data=2002-12 |acessodata=2021-09-30 |jornal=Revista Brasileira de Epidemiologia |número=3 |ultimo=Luna |primeiro=Expedito J. 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O conceito de doenças emergentes e reemergentes surgiu frente as limitações da teoria da transição epidemiológica em elucidar a complexidade das novas tendências de morbimortalidade<sup>9</sup>. O centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) define doenças infecciosas emergentes como: “aquelas que a incidência em humanos tem aumentado nas últimas duas décadas ou ameaçam aumentar em um futuro próximo<sup>11</sup>”. Algumas doenças emergentes como HIV/AIDS persistem por anos, enquanto outras, após seu aparecimento, duram pequenos períodos<sup>12</sup>, segundo Morens e Fauci (2013), citados por Ellwanger<sup>13</sup> elas também são consideradas ameaças a estabilidade global. Em contrapartida, as doenças reemergentes são “velhas conhecidas” que estão novamente se tornando problema de saúde para uma população<sup>14</sup>, apesar de no passado terem sido controladas, como a febre amarela e o sarampo no Brasil<sup>9</sup>. Ainda que esses dois conceitos tenham começado a ser utilizados a partir de 1990, tais doenças fazem parte da história da humanidade, já que epidemias poderiam ser consideradas doenças emergentes na época<sup>13</sup>, e até ocasionarem profundas rupturas no sistema social, como no caso das pandemias de peste e influenza<sup>15</sup>.
O conceito de doenças emergentes e reemergentes surgiu frente as limitações da teoria da [[transição epidemiológica]] em elucidar a complexidade das novas tendências de [[Morbidade|morbimortalidade]]<ref name=":4" />. O [[Centros de Controle e Prevenção de Doenças|centro de Controle e Prevenção de Doenças]] (CDC) define doenças infecciosas emergentes como: “aquelas que a incidência em humanos tem aumentado nas últimas duas décadas ou ameaçam aumentar em um futuro próximo<ref>{{Citar web |url=https://www.cdc.gov/niosh/topics/emerginfectdiseases/default.html |titulo=Emerging Infectious Diseases {{!}} NIOSH {{!}} CDC |data=2021-07-14 |acessodata=2021-09-30 |website=www.cdc.gov |lingua=en-us}}</ref>”. Algumas doenças emergentes como HIV/AIDS persistem por anos, enquanto outras, após seu aparecimento, duram pequenos períodos<ref name=":5">{{citar periódico |url=http://www.scielo.edu.uy/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1688-03902016000100007 |titulo=Enfermedades infecciosas emergentes y reemergentes: información actualizada |data=abr 2016 |acessodata=30 de setembro de 2021 |jornal=Revista Médica del Uruguay |ultimo=Hortal |primeiro=María |pagina=52-58}}</ref>, segundo Morens e Fauci (2013), citados por Ellwanger<ref name=":6">{{citar web |ultimo=Ellwanger |primeiro=Joel |url=https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/198984/001091144.pdf?sequence=1&isAllowed=y |titulo=Fatores imunogenéticos e ambientais envolvidos no estabelecimento de doenças virais emergentes, reemergentes e negligenciadas no Brasil – Um enfoque na perspectiva One Health |data=Março de 2019 |acessodata=30 de setembro de 2021 |website=UFRGS - LUME: Repositório digital}}</ref> elas também são consideradas ameaças a estabilidade global. Em contrapartida, as doenças reemergentes são “velhas conhecidas” que estão novamente se tornando problema de saúde para uma população<ref>{{Citar livro|url=https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK20370/|título=Understanding Emerging and Re-emerging Infectious Diseases|ultimo=Health (US)|primeiro=National Institutes of|ultimo2=Study|primeiro2=Biological Sciences Curriculum|data=2007|editora=National Institutes of Health (US)|lingua=en}}</ref>, apesar de no passado terem sido controladas, como a [[febre amarela]] e o [[sarampo]] no Brasil<ref name=":4" />. Ainda que esses dois conceitos tenham começado a ser utilizados a partir de 1990, tais doenças fazem parte da história da humanidade, já que epidemias poderiam ser consideradas doenças emergentes na época<ref name=":6" />, e até ocasionarem profundas rupturas no sistema social, como no caso das pandemias de [[Peste bubônica|peste]] e [[Gripe|influenza]]<ref>{{Citar periódico |url=https://doi.org/10.1590/S0103-73312020300202 |titulo=Pandemia de Covid-19: agenda de pesquisas em contextos de incertezas e contribuições das ciências sociais |data=2020 |acessodata=2021-09-30 |jornal=Physis: Revista de Saúde Coletiva |número=2 |ultimo=Grisotti |primeiro=Marcia |doi=10.1590/s0103-73312020300202 |issn=1809-4481}}</ref>.


As mudanças nos ambientes urbanos e rurais favorecem o surgimento e reintrodução de doenças infecciosas (ex. hantavirose e dengue)<sup>7</sup>, no Brasil esse desenvolvimento também fez com que essas doenças se intensificassem<sup>5</sup>. Portanto os mesmos fatores relacionados ao progresso podem propiciar o surgimento e a disseminação de novas e velhas doenças infecciosas<sup>9</sup>, favorecidas pelas condições socioeconômicas, ambientais e ecológicas<sup>12</sup>. Nos últimos 10 anos observamos a emergência de algumas doenças transmitidas por mosquitos vetores, em especial arboviroses, como chikungunya, West Nile e Zika, em diferentes países das Américas<sup>16</sup>; e em janeiro de 2020 o Brasil teve o segundo caso relatado de febre hemorrágica por Arenavírus (acontecimento considerado um grave evento de saúde pública)<sup>17</sup>, pois possui as condições ecológicas, ambientais e sociais ideais para a emergência de diferentes patógenos<sup>13</sup>. No ano de 2018 a OMS divulgou uma lista de doenças e patógenos prioritários para a pesquisa e desenvolvimento, que continha: síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio (MERS), síndrome respiratória aguda grave (SARS), vírus zika e “doença X”, essa última representa a possibilidade de um novo agente infeccioso surgir e causar epidemias<sup>18</sup>.
As mudanças nos ambientes urbanos e rurais favorecem o surgimento e reintrodução de doenças infecciosas (ex. [[hantavirose]] e [[dengue]])<ref name=":3" />, no Brasil esse desenvolvimento também fez com que essas doenças se intensificassem<ref name=":2" />. Portanto os mesmos fatores relacionados ao progresso podem propiciar o surgimento e a disseminação de novas e velhas doenças infecciosas<ref name=":4" />, favorecidas pelas condições socioeconômicas, ambientais e ecológicas<ref name=":5" />. Nos últimos 10 anos observamos a emergência de algumas doenças transmitidas por mosquitos vetores, em especial [[Arbovírus|arboviroses]], como [[Chicungunha|chikungunya]], [[Vírus do Nilo Ocidental|West Nile]] e [[Vírus da zica|Zika]], em diferentes países das Américas<sup>16</sup>; e em janeiro de 2020 o Brasil teve o segundo caso relatado de [[Febre hemorrágica viral|febre hemorrágica]] por [[Arenavírus]] (acontecimento considerado um grave evento de saúde pública)<sup>17</sup>, pois possui as condições ecológicas, ambientais e sociais ideais para a emergência de diferentes patógenos<ref name=":6" />. No ano de 2018 a OMS divulgou uma lista de doenças e patógenos prioritários para a pesquisa e desenvolvimento, que continha: síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio ([[Síndrome respiratória do Médio Oriente|MERS]]), síndrome respiratória aguda grave (SARS), [[Vírus da zica|vírus zika]] e “doença X”, essa última representa a possibilidade de um novo agente infeccioso surgir e causar epidemias<sup>18</sup>.


As principais doenças emergentes e reemergentes de origem viral no Brasil são: Zika, Chikungunya, AIDS, Influenza, Hepatite C, COVID-19, Rotavírus, Sarampo, Dengue, Hantavirose e febre amarela<sup>16,1,19,9</sup>
As principais doenças emergentes e reemergentes de origem viral no Brasil são: [[Vírus da zica|Zika]], [[Chicungunha|Chikungunya]], [[Síndrome da imunodeficiência adquirida|AIDS]], [[Gripe|Influenza]], [[Hepatite C]], [[COVID-19]], [[Rotavirus|Rotavírus]], [[Sarampo]], [[Dengue]], [[Hantavirose]] e [[febre amarela]]<sup>16,</sup><ref name=":0" /><sup>19,9</sup>

Revisão das 21h59min de 30 de setembro de 2021

Os avanços das tecnologias e desenvolvimento econômico e social, trouxeram otimismo em relação a erradicação das doenças infecciosas, mas o surgimento da AIDS[1][2] e de uma série de surtos e epidemias de doenças emergentes e reemergentes no início do século XXI, fizeram esse otimismo diminuir[3]. Hoje vemos que a globalização também globalizou os agentes infecciosos[4], um exemplo é a SARS, primeira pandemia pós-moderna, que veio nos mostrar que a doença está globalizada, mas a saúde ainda não[1], fato reafirmado pela Covid-19, doença causada por um novo tipo de coronavírus (Sars-CoV-2)[5]. As doenças transmissíveis continuam sendo um desafio de saúde pública para o Brasil[6][7], país que apresenta complexa situação epidemiológica[8], pois apesar de haver uma grande redução das causas de morte por doenças infecciosas, a mesma tendência não é vista quando dados de morbidade são analisados[9], essa complexidade é própria a situações de intensa desigualdade[10]. E entre as doenças infecciosas de importância em saúde pública 60% são de origem viral, segundo a OMS[3].

O conceito de doenças emergentes e reemergentes surgiu frente as limitações da teoria da transição epidemiológica em elucidar a complexidade das novas tendências de morbimortalidade[9]. O centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) define doenças infecciosas emergentes como: “aquelas que a incidência em humanos tem aumentado nas últimas duas décadas ou ameaçam aumentar em um futuro próximo[11]”. Algumas doenças emergentes como HIV/AIDS persistem por anos, enquanto outras, após seu aparecimento, duram pequenos períodos[12], segundo Morens e Fauci (2013), citados por Ellwanger[13] elas também são consideradas ameaças a estabilidade global. Em contrapartida, as doenças reemergentes são “velhas conhecidas” que estão novamente se tornando problema de saúde para uma população[14], apesar de no passado terem sido controladas, como a febre amarela e o sarampo no Brasil[9]. Ainda que esses dois conceitos tenham começado a ser utilizados a partir de 1990, tais doenças fazem parte da história da humanidade, já que epidemias poderiam ser consideradas doenças emergentes na época[13], e até ocasionarem profundas rupturas no sistema social, como no caso das pandemias de peste e influenza[15].

As mudanças nos ambientes urbanos e rurais favorecem o surgimento e reintrodução de doenças infecciosas (ex. hantavirose e dengue)[7], no Brasil esse desenvolvimento também fez com que essas doenças se intensificassem[5]. Portanto os mesmos fatores relacionados ao progresso podem propiciar o surgimento e a disseminação de novas e velhas doenças infecciosas[9], favorecidas pelas condições socioeconômicas, ambientais e ecológicas[12]. Nos últimos 10 anos observamos a emergência de algumas doenças transmitidas por mosquitos vetores, em especial arboviroses, como chikungunya, West Nile e Zika, em diferentes países das Américas16; e em janeiro de 2020 o Brasil teve o segundo caso relatado de febre hemorrágica por Arenavírus (acontecimento considerado um grave evento de saúde pública)17, pois possui as condições ecológicas, ambientais e sociais ideais para a emergência de diferentes patógenos[13]. No ano de 2018 a OMS divulgou uma lista de doenças e patógenos prioritários para a pesquisa e desenvolvimento, que continha: síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio (MERS), síndrome respiratória aguda grave (SARS), vírus zika e “doença X”, essa última representa a possibilidade de um novo agente infeccioso surgir e causar epidemias18.

As principais doenças emergentes e reemergentes de origem viral no Brasil são: Zika, Chikungunya, AIDS, Influenza, Hepatite C, COVID-19, Rotavírus, Sarampo, Dengue, Hantavirose e febre amarela16,[1]19,9

  1. a b c Silva, Luiz; Angerami, Rodrigo (2008). Viroses emergentes no Brasil (PDF). Rio de Janeiro: Fiocruz. 136 páginas 
  2. Grisotti, Márcia (junho de 2010). «Doenças infecciosas emergentes e a emergência das doenças: uma revisão conceitual e novas questões». Ciência & Saúde Coletiva (suppl 1): 1095–1104. ISSN 1413-8123. doi:10.1590/s1413-81232010000700017. Consultado em 30 de setembro de 2021 
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  4. Ujvari, Stefan (2003). A história e suas epidemias: a convivência do homem com os microorganismos. São Paulo: Senac. 328 páginas 
  5. a b «Ciência, saúde e doenças emergentes: uma história sem fim». coc.fiocruz.br. Consultado em 30 de setembro de 2021 
  6. Teixeira, Maria Glória; Costa, Maria da Conceição Nascimento; Paixão, Enny Santos da; Carmo, Eduardo Hage; Barreto, Florisneide Rodrigues; Penna, Gerson Oliveira (junho de 2018). «Conquistas do SUS no enfrentamento das doenças transmissíveis». Ciência & Saúde Coletiva (6): 1819–1828. ISSN 1678-4561. doi:10.1590/1413-81232018236.08402018. Consultado em 30 de setembro de 2021 
  7. a b Barreto, Maurício; Teixeira, Maria; Bastos, Francisco; Ximenes, Ricardo; Barata, Rita (9 de maio de 2011). «Sucessos e fracassos no controle de doenças infecciosas no Brasil: o contexto social e ambiental, políticas, intervenções e necessidades de pesquisa» (PDF). The Lancet. Consultado em 30 de setembro de 2021 
  8. Arroyo, Luiz Henrique; Ramos, Antônio Carlos Vieira; Yamamura, Mellina; Weiller, Teresinha Heck; Crispim, Juliane de Almeida; Cartagena-Ramos, Denisse; Fuentealba-Torres, Miguel; Santos, Danielle Talita dos; Palha, Pedro Fredemir (2020). «Áreas com queda da cobertura vacinal para BCG, poliomielite e tríplice viral no Brasil (2006-2016): mapas da heterogeneidade regional». Cadernos de Saúde Pública (4). ISSN 1678-4464. doi:10.1590/0102-311x00015619. Consultado em 30 de setembro de 2021 
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