Etelvardo (historiador)

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Etelvardo
Morte ca. 998
Nacionalidade anglo-saxão
Ocupação historiador

Etelvardo (Æthelweard ou Ethelward), (morto ca. 998) foi um historiador anglo-saxão, descendente de Etelredo de Wessex (que era irmão de Alfredo, o Grande), e ealdorman ou "conde das províncias ocidentais".

Carreira[editar | editar código-fonte]

As primeiras cartas que citam Etelvardo como ministro surgiram após a subida ao trono de Eduíno, em 955, e isso provavelmente esteja relacionado com o casamento do rei com Elfgifu. Esta Elfgifu é identificada com a nobre deste nome, que em seu testamento deixa legados a um irmão com esse nome, e outro irmão, Elfueardo.[1]

Etelvardo assina como duque ou ealdorman em 973, e foi reconhecida a primazia entre os ealdormen após 993. Continua a testemunhar até 998, quando sua morte deve ter ocorrido. O domínio territorial de Etelvardo estava sobre as "províncias ocidentais" do país, provavelmente a península sudoeste da Grã-Bretanha. Seu irmão Elfueardo, um discthegn real, ou funcionário doméstico, continua a assinar como ministro até 986[2] .

Em 991, Etelvardo associou-se ao arcebispo Sigerico na conclusão de um tratado de paz com os vitoriosos viquingues da batalha de Maldon, e em 994 foi enviado juntamente com o bispo Alfege de Winchester para fazer a paz com Olavo Tryggvason, em Andover, Hampshire[3] .

Etelvardo foi amigo e patrono de Elfrico de Eynsham, que no prefácio de sua Vidas dos santos, em inglês antigo, dedica-a a Etelvardo e a seu filho Etelmar.

Família[editar | editar código-fonte]

Em 957, o rei Eduíno, bisneto do irmão do rei Etelredo I, Alfredo, o Grande, foi obrigado a divorciar-se da irmã de Etelvardo, Elfgifu, por motivos de consanguinidade[3] , e na introdução de sua Crônica, em latim, Etelvardo afirma ser o "neto do neto" do rei Etelredo.

Tem sido postulado que Etelvardo e seus irmãos Elfueardo, Elfgifu e Elfuaru eram filhos de Edrico, ealdorman de Hampshire. Esta identificação baseia-se em posses de Elfgifu de propriedade de Risborough, que tinha pertencido à mãe de Edric, Etelgito, esposa do ealdorman Etelfrido da Mércia.

Uma possível construção é que seu suposto avô Etelfrido era neto do rei Etelredo I através de seu filho Etelhelm.[4] Esta conexão real, de algum modo, explica o enorme prestígio de que gozavam os filhos de Etelfrido.

Assumindo que a identificação de Etelvardo como irmão de Elfgifu está correta, sua mãe foi Etelgifu cuja companhia Eduíno desfrutou junto dela enquanto a filha escapava de sua coroação. Elfgifu deixa um legado para uma Etelfleda, que é esposa de Etelvardo, ou sua cunhada.

Etelvardo foi pai de Etelmar, o Bravo, que foi ealdorman das províncias ocidentais até o fim do reinado de Etelredo II. Etelmar foi pai de Æthelnoth, que se tornou Arcebispo da Cantuária em 1020, e mais tarde foi considerado como santo.[5] ; e de Etelvardo, executado pelo rei Canuto em 1017[3] . Etelmar também tem sido provisoriamente identificado como pai de Vulfonodo Cild, que foi pai de Goduíno de Wessex, e avô do rei Haroldo II.[6]

Trabalhos selecionados[editar | editar código-fonte]

Depois de 975, e provavelmente antes de 983, Etelvardo produziu uma tradução em latim da Crônica anglo-saxã, incluindo material não encontrado nas versões sobreviventes em inglês antigo.[7]

Etelvardo escreveu sua obra, a pedido de sua parente Mathilde, abadessa do mosteiro de Essen, Alemanha e neta do imperador Oto I e Edite de Wessex, para ajudá-la no dever de manter a lembrança dos parentes mortos. Mais provavelmente Mathilde recompensou-o com uma cópia da obra De Re Militari, de Vegécio escrita em Essen e sobreviveu na Inglaterra.

Sua narrativa é altamente retórica, e por vezes muito obscura. Mais tarde, o historiador medieval Guilherme de Malmesbúria comenta sobre ele:

"... um caráter nobre e ilustre, que tentou organizar estas crônicas em latim, e cuja intenção eu poderia aplaudir, se sua linguagem não me repugnasse seria melhor ficar calado..."

Contudo, seu estilo não é atípico ao tempo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Whitelock, Dorothy, ed. Anglo-Saxon Wills, 1930, No 8
  2. Keynes, Simon. The Diplomas of King Æthelred the Unready 978-1016, 1980
  3. a b c Anglo-Saxon Chronicle
  4. Barlow, Lundie W. "The Antecedents of Earl Godwine of Wessex" in New England Historical and Genealogical Register, 1957
  5. Mason, Emma "Æthelnoth (d. 1038)" Oxford Dictionary of National Biography Oxford University Press, 2004 Online Edition acessado 17-1-2011
  6. Anscombe, "The Pedigree of Earl Godwine" in Transactions of the Royal Historical Society, 1913, 3ª série, vol. 7
  7. Miller, Sean, "Æthelweard" em The Blackwell Encyclopaedia of Anglo-Saxon England, ed. Michael Lapidge, 2001

Referências

Fontes primárias

Wikisource  "Æthelweard". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). Ed. Chisholm, Hugh. Cambridge University Press. 

  • Æthelweard, Chronicon, ed. e tradução por Alistair Campbell, The Chronicle of Æthelweard. Londres, 1961.
  • Barker, E.E. (ed.). "The Cottonian fragments of Æthelweard's Chronicle." Bulletin of the Institute of Historical Research 24 (1951): 46-62.
  • Elfrico, prefácio para Lives of Saints, ed. e tradução por W.W. Skeat, Ælfric’s Lives of Saints. 2 vols: vol. 1. Oxford, 1881-1900. 2-7.
  • Elfrico, prefácio para suas homilias em inglês antigo, ed. e tradução por Benjamin Thorpe, The Homilies of the Anglo-Saxon Church. The First Part, Containing the Sermones Catholici, or Homilies of Ælfric. 2 vols: vol 1. Londres, 1844-6.
  • Guilherme de Malmesbury, Gesta regum Anglorum, ed. e tradução por R.A.B. Mynors, R. M. Thomson and M. Winterbottom, William of Malmesbury. Gesta Regum Anglorum. The History of the English Kings. OMT. 2 vols. Oxford, 1998.
  • João de Worcester, Chronicon ex chronicis, ed. Benjamin Thorpe, Florentii Wigorniensis monachi chronicon ex chronicis. 2 vols. Londres, 1848-9.
Fontes secundárias
  • Campbell, James. "England, c. 991." Em The Battle of Maldon: Fiction and Fact, ed. Janet Cooper. Londres e Rio Grande, 1993. 1-17.
  • Embree, Dan (2010). "Æthelweard". In Graeme Dunphy. Encyclopedia of the Medieval Chronicle. Leiden: Brill. pp. 17. ISBN 90 04 18464 3.
  • Houts, Elisabeth van. "Women and the Writing of History in the Early Middle Ages: The Case of Abbess Mathilda of Essen and Æthelweard." Early Medieval Europe 1 (1992): 53-68.
  • Howlett, D.R. "The Verse of Æthelweard's Chronicle." Bulletin Du Cange 58 (2000): 219-24.
  • Jezierski, Wojtek. "Æthelweardus redivivus." Early Medieval Europe 13.2 (2005): 159-78.
  • Lutz, Angelika. "Æthelweard’s Chronicon and Old English poetry." Anglo-Saxon England 29 (2000): 177-214.
  • Meaney, Audrey L. "St. Neots, Æthelweard and the Compilation of the Anglo-Saxon Chronicle: a Survey." Studies in Earlier Old English Prose, ed. Paul E. Szarmach. Albany, 1986. 193-243.
  • Stenton, Frank Merry. "Æthelweard's Account of the Last Years of King Alfred's Reign." In Preparatory to Anglo-Saxon England, being the Collected Papers of Frank Merry Stenton, ed. D.M. Stenton. Oxford, 1970. 8-13. Published previously in English Historical Review 24: 79-84.
  • Whitbread, L. "Æthelweard and the Anglo-Saxon chronicle." English Historical Review 74 (1959): 577-89.
  • Winterbottom, Michael. "The Style of Æthelweard." Medium Aevum 36 (1967): 109–18.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]