Émile Benveniste

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Émile Benveniste (1902, Cairo - 1976) foi um lingüista estruturalista francês, conhecido por seus estudos sobre as línguas indo-européias e pela expansão do paradigma lingüístico estabelecido por Ferdinand de Saussure.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Iniciou seus estudos na Sorbonne com Antoine Meillet, que fora aluno de Saussure. Lecionou na École Pratique des Hautes Études; mais tarde, trabalhou no Collège de France como professor de lingüística. Nesta época, já havia iniciado suas pesquisas sobre gramática comparada das línguas indo-européias. Em 1961, fundou com Claude Lévi-Strauss e Pierre Gourou a revista de antropologia L'Homme. Permaneceu no Colège de France até 1969, quando se aposentou devido a problemas de saúde.

No início de sua carreira, suas pesquisas eram conhecidas apenas num pequeno círculo acadêmico, por tratar-se de um trabalho altamente técnico e especializado. A publicação de sua principal obra, Problèmes de linguistique générale (Problemas de Lingüística Geral), fez com que tivesse um reconhecimento muito mais amplo. Os dois volumes de seu trabalho foram publicados em 1966 e 1974, respectivamente. Os livros apresentavam, além do rigor técnico, um estilo acessível ao público leigo, e consistiam de uma seleção de vários artigos escritos ao longo de mais de vinte e cinco anos.

No Capítulo 5, Comunicação Animal e Linguagem Humana, Benveniste refuta a interpretação lingüística behaviorista, demonstrando que a linguagem humana, diferentemente das linguagens das abelhas e outros animais, não pode ser simplesmente reduzida a um sistema de estímulo-resposta.

A polaridade eu-tu é outro importante conceito explorado na obra. No Capítulo 20, A Natureza dos Pronomes, Benveniste define que “eu é o ‘indivíduo que enuncia a presente instância de discurso que contém a instância lingüística eu’. Consequentemente, introduzindo-se a situação de ‘alocução’, obtém-se uma definição simétrica para tu, como ‘o indivíduo alocutado na presente instância de discurso contendo a instância lingüística tu’.”.

Benveniste também identifica a ocorrência de dois planos de enunciação, o da história e o do discurso, através dos quais demonstra a oposição entre a “não-pessoa” (terceira) e as “pessoas” (eu-tu).