Abstração-Criação
Abstração-Criação (em francês, Abstraction-Création) foi uma associação internacional de artistas plásticos estabelecida em Paris em 1931, com a proposta de superar a arte figurativa e apoiar o exercício da criatividade no campo do abstracionismo. A associação publicou cinco anuários entre 1932 e 1936 e organizou diversas exposições, chegando a congregar cerca de 400 artistas, a maioria da Europa e dos Estados Unidos.1 2
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Histórico [editar]
As origens da associação remontam ao movimento Círculo e Quadrado2 , agrupamento de artistas de tendências construtivistas e abstratas, fundado em Paris, em janeiro de 1929, pelo escritor e artista plástico belga Michel Seuphor e pelo pintor uruguaio Joaquín Torres García. Além de propor a discussão e divulgação das idéias e trabalhos de artistas ligados aos conceitos do construtivismo, o movimento visava contrabalancear a influência do poderoso grupo surrealista liderado por André Breton. Contando com cerca de oitenta participantes, o grupo teve curta duração, desfazendo-se já em 1931. Durante esse período, organizou uma exposição e publicou três números de uma revista chamada Cercle et Carré - nome que posteriormente passaria a identificar o próprio movimento.3 4
Apesar da existência efêmera, o movimento Círculo e Quadrado deu fundamental impulso à arte abstrata e seus propósitos seriam retomados pouco tempo depois pela associação Abstração-Criação.4 Outra influência importante para o surgimento da associação seria a publicação do Manifesto da Arte Concreta (1930) de Theo van Doesburg, que definia o concretismo como uma manifestação da arte abstrata liberta de quaisquer associações simbólicas com a realidade. A associação foi estabelecida oficialmente em Paris, no dia 15 de fevereiro de 1931, tendo como membros fundadores os pintores franceses Auguste Herbin e Jean Hélion e o escultor belga Georges Vantongerloo.2
O grupo se organizaria de forma bastante livre, agregando artistas das mais diferentes tendências não-figurativas (construtivismo, neoplasticismo, expressionismo abstrato, abstracionismo geométrico, etc.) e de diversas nacionalidades, incluindo alguns dos antigos membros do movimento Círculo e Quadrado. Deu continuidade também ao propósito de barrar o ressurgimento da tendência figurativa na década de 19204 , que havia sido impulsionada pelo surrealismo e que havia motivado o surgimento do grupo anterior.5 Em seu ápice, a associação Abstração-Criação chegou a contar com cerca de 400 integrantes. Dentre eles, destacaram-se Jean Arp, Albert Gleizes, František Kupka, Léon Tutundjian, Georges Valmier, Robert Delaunay, Max Bill, Alexander Calder, Piet Mondrian, Naum Gabo, Wassily Kandinsky, Ben Nicholson, Barbara Hepworth, Kurt Schwitters e Tarō Okamoto, entre outros.1 2
A associação realizou inúmeras exposições coletivas na Europa e publicou, entre 1932 e 1936, cinco anuários denominados Abstraction-création: Art non-figuratif. Embora fosse mais numeroso e tenha tido maior duração que o movimento Círculo e Quadrado, o Abstração-Criação não causou o mesmo impacto que o grupo que o antecedeu, em parte porque teve de conviver com outras vertentes estéticas surgidas ou consolidadas na década de 1930, como por exemplo a art decó. Apesar disso, a repercussão de suas atividades acabaria por resultar na formação de grupos menores, como o Unit One de Londres (1933), o Aliança, fundado por Max Bill em Zurique (1936), o American Abstract Artists (AAA), nos Estados Unidos (1936) e o Salon Réalités Nouvelles, na França (1946), contribuindo definitivamente para a assimilação das correntes não-figurativas na arte do século XX.2 5
Ver também [editar]
Referências
- ↑ a b Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1998, pp. 27.
- ↑ a b c d e Abstraction-Création. Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais. Página visitada em 30 de março de 2010.
- ↑ Cercle et Carré. Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais. Página visitada em 30 de março de 2010.
- ↑ a b c Cercle et Carré. Museu de Arte Contemporânea da USP. Página visitada em 30 de março de 2010.
- ↑ a b Abstracion-Création. Museu de Arte Contemporânea da USP. Página visitada em 30 de março de 2010.
Bibliografia [editar]
- Morais, Frederico. Panorama das artes plásticas séculos XIX e XX. 2 ed. São Paulo: Itaú Cultural, 1991. 27 p. vol. I.
- Vários. Grande Enciclopédia Larousse Cultural. Santana do Parnaíba: Plural, 1998. 27 p. vol. I.