Antígono (filho de Aristóbulo II)

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Antígono foi um filho de Aristóbulo II da Judeia. Ele foi o último dos asmoneus a reinar (40 - 37 a.C.), sendo sucedido por Herodes, o Grande, cliente de Roma.[1] [2]

Família[editar | editar código-fonte]

Em c. 105 a.C.,[2] Alexandre Janeu, ao contrário dos seus antecessores, tomou o título de "rei dos judeus", um título que pertencia apenas à família do Rei Davi.[1] Ele se casou com Salomé Alexandra, que o sucedeu e, depois da morte desta, em 67 a.C., por Hircano, seu filho, que havia sido sumo sacerdote.[3] Os líderes do exército e a nobreza se uniram ao irmão mais novo, Aristóbulo, o que levou o país à guerra civil.[3] O conflito foi resolvido com a intervenção de Pompeio, que adicionou a Palestina à República Romana.[3] [Nota 1]

Aristóbulo tinha duas filhas e vários filhos, dentre estes Antígono, que foi levado à Roma por Pompeio junto de suas irmãs.[4]

Retorno à Judeia[editar | editar código-fonte]

Aristóbulo fugiu de Roma com seu filho, chegou à Judeia e iniciou a reconstrução do Alexandrium, que havia sido recentemente demolido. A ele se juntaram vários judeus, um total de oito mil soldados, mas os romanos os atacaram e derrotaram. Gabínio enviou Aristóbulo de volta a Roma, onde ele foi acorrentado, porém o senado deixou seus filhos livres, porque Gabínio havia dito que este foi o acordo que ele tinha feito com a mãe deles para que ela entregasse a fortaleza.[5]

Gabínio pretendia atacar os partas, mas retornou e foi ao Egito, para restaurar Ptolemeu ao trono. Antípatro [Nota 2] ajudou o exército romano, que derrotou o usurpador Arquelau. Na volta, Gabínio encontrou a Síria em desordem, porque Alexandre, filho de Aristóbulo, havia tomado o governo à força, e estava sitiando o monte Gerizim, onde os romanos haviam se retirado.[6]

Gabínio enviou Antípatro para tentar vencer os judeus pela diplomacia, mas Alexandre, que tinha trinta mil homens, enfrentou Gabínio e foi derrotado.[7]

Após Júlio César ter derrotado Pompeio em Roma, este libertou Aristóbulo, mas ele foi envenenado pelos seguidores de Pompeio[8] (49 a.C.[2] ). Em seguida, Cipião, aliado de Pompeio, assassinou Alexandre, filho de Aristóbulo, e cortou sua cabeça[8] (49 a.C.[2] ). Os demais filhos de Aristóbulo foram salvos por Ptolemeu, filho de Meneu, que governava Cálcis. Ptolemeu trouxe a viúva de Aristóbulo, Antígono e as filhas de Aristóbulo, uma das quais, Alexandra, se casou com Philippion, filho de Ptolemeu, e, depois que Ptolemeu executou o próprio filho, se casou com Ptolemeu.[8]

Conflito com Antípatro[editar | editar código-fonte]

Em 47 a.C.,[9] após a vitória de César no Egito, Antígono foi a César, lamentou a sorte do seu pai Aristóbulo, e acusou Antípatro de ser responsável pelo envenenamento de Aristóbulo e a decapitação de Alexandre por Cipião. Ele também acusou Hircano e Antípatro de governarem a Judeia por violência. Antípatro estava presente, e demonstrou que o partido de Antígono era rebelde, e que os castigos de Aristóbulo e Alexandre foram justos.[10] César, diante deste discurso, apontou Hircano como sumo sacerdote e Antípatro, por escolha deste, como procurador da Judeia.[11]

Conflito com Herodes[editar | editar código-fonte]

Em 42 a.C.,[9] Ptolemeu, filho de Meneu, trouxe Antígono de volta à Judeia, e ele montou um exército. Herodes, o Grande, derrotou seu aliado Marion, que Cássio havia colocado para tiranizar Tiro, e, em seguida, derrotou Antígono, que foi expulso da Judeia..[12]

Aliança com os partas[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Ptolemeu, filho de Meneu, Lisânias, seu filho, o sucedeu, e se aliou a Antígono. Antígono havia prometido aos partas mil talentos e cinco mil mulheres, se eles passassem o governo de Hircano para si, e matassem Herodes.[13] Em 40 a.C.,[9] mesmo sem Antígono ter pago o que prometera, os partos invadiram a Judeia, e levaram Hircano prisioneiro. Os comandantes dos partas eram Pácoro, filho do rei e comandante das forças navais, e Barzapharnes, comandantes das forças terrestres. Os partas e os judeus aliados de Antígono foram enfrentados pelos partidários de Herodes e seu irmão Fasael, no mercado de Jerusalém.[13]

Hircano e Fasael foram capturados à traição pelos partas, depois destes terem prometido que seria tratados como embaixadores.[14] Herodes conseguiu escapar e se refugiou na Idumeia, com seu irmão José.[15]

Rei da Judeia[editar | editar código-fonte]

Em 40 a.C.,[2] [9] os partas colocaram Antígono como rei da Judeia. Ele recebeu Fasael e Hircano como prisioneiros, mas ficou preocupado porque as mulheres, que ele havia prometido aos partas, haviam escapado. Antígono cortou as orelhas de seu tio Hircano, para que ele, por ser mutilado, nunca mais pudesse se tornar sumo sacerdote de Israel. Fasael, sabendo que seria executado, tentou se matar batendo a cabeça contra a parede, ou, segundo outras versões, teria morrido envenenado por Antígono após se ferir na cabeça.[16]

Herodes, porém, após vários infortúnios, consegue chegar a Roma, onde convence o senado a decretar Antígono inimigo de Roma.[17]

Enquanto isto, Antígono estava sitiando José, irmão de Herodes, em Massada, que tinha tudo menos água. Os sitiados, porém, foram salvos por uma chuva, que Flávio Josefo atribui a um milagre de Deus. Venditius, general romano, foi enviado à Síria, para expulsar os partas, e, em seguida, a Judeia.[18]

Em 39 a.C.,[9] Herodes, vindo da Itália, passou por Ptolemaida, onde reuniu um exército e marchou sobre a Galileia.[19] O exército de Herodes era forte, e Antígono tentou detê-lo, sem sucesso, com armadilhas. Antígono tentou ainda convencer os judeus a rejeitaram Herodes, porque ele não era de família nobre, era um idumeu, era apenas meio-judeu, enquanto Antígono era da família real.[20] Herodes tomou as cidades da Idumeia, Samaria e Galileia que eram fieis a Antígono.[21]

Enquanto isto, Pácoro foi derrotado em batalha, e Venditius enviou Macheras para ajudar Herodes.[22] José, irmão de Herodes, morreu ao tentar atacar Jericó, e Antígono cortou sua cabeça, que foi resgatada por Pheroras, seu irmão, por cinquenta talentos.[23]

Antígono ainda tentou atacar Herodes em Samaria, mas após a derrota começou a planejar sua fuga.[24]

Queda[editar | editar código-fonte]

No terceiro ano após Herodes ter sido nomeado rei dos judeus pelo senado romano, e após seu casamento com Mariane, filha de Alexandre, filho de Arisbóbulo,[25] Herodes, com o general Sosius, vindo da Fenícia, atacou Jerusalém.[26]

O ataque final, durante um ano sabático, foi bastante violento, e os romanos, apesar do pedido de Herodes, não pouparam crianças, velhos nem mulheres. Antígono veio da cidadela e se jogou aos pés de Sosius, sendo chamado de Antígona por este, mas sendo preso.[27]

Em agosto[9] de 37 a.C.,[2] [9] Antígono foi levado a Marco Antônio e este, após receber dinheiro de Herodes, executou Antígono. Este foi o fim do governo dos asmoneus, que havia durado cento e vinte e seis anos.[28]

Notas e referências

Notas

  1. Pelo texto de Ben Zion Bokser, Pompeio adicionou a Palestina ao Império Romano.
  2. Antípatro é o pai de Herodes, o Grande.

Referências

  1. a b Jona Lendering, Hasmonaeans [em linha]
  2. a b c d e f John Kitto, A Cyclopedia of Biblical Literature, Jerusalem, p.515 [google books]
  3. a b c Ben Zion Bokser, The Wisdom of the Talmud (1951), The Forerunners of the Talmud, The Pharisees and Sadducees [em linha]
  4. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, Capítulo 4, Como Pompeio, após os cidadãos de Jerusalém terem fechado as portas para ele, cercou a cidade e a tomou à força, e as outras coisas que ele fez na Judeia, 5 [em linha]
  5. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, Capítulo 6 Como Gabínio capturou Aristóbulo depois que ele fugiu de Roma, e o enviou de volta a Roma; e como o mesmo Gabínio, retornando do Egito, derrotou Alexandre e os Nabateanos em batalha, 1
  6. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 6.2
  7. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 6.3
  8. a b c Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, Capítulo 7, Como Crasso chegou na Judeia e pilhou o Templo; e depois marchou contra os partas e morreu, com seu exército. Como Cássio obteve a Síria, e pôs um limite aos partas e depois foi para a Judeia, 4
  9. a b c d e f g James Ussher, The Annals of the World [em linha]
  10. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, Capítulo 8, Os judeus se tornam aliados de César quando ele luta contra o Egito. Os atos gloriosos de Antípatro, e sua amizade com César. As honras que os judeus receberam dos romanos e atenienses 4
  11. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 8.5
  12. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, Capítulo 12, Herodes expulsa Antígono, filho de Aristóbulo, da Judeia, e ganha a amizade de Antônio, que havia chegado à Síria, ao enviar-lhe muito dinheiro; por causa disto Antônio não admitia que ninguém acusasse Herodes, e o que Antônio escreveu aos habitantes de Tiro, 1
  13. a b Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, Capítulo 13, Como Antônio fez de Herodes e Fasael tetrarcas, após eles terem sido acusados sem consequências; e como os partas, ao trazerem Antígono para a Judeia, tomaram Hircano e Fasael como prisioneiros. A fuga de Herodes; e o sofrimento de Hircano e Fasael, 3
  14. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 13.4-6
  15. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 13.8-9
  16. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 13.10
  17. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, Capítulo 14 Como Herodes escapou do rei da Arábia, e foi ao Egito, e a Roma, e como prometendo muito dinheiro a Antônio obteve do senado e de César que ele fosse nomeado rei dos judeus, 4
  18. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 14.6
  19. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, Capítulo 15 Como Herodes veio da Itália para a Judeia, lutou contra Antígono e outras coisas que ocorreram na Judeia nesta época, 1
  20. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 15.2
  21. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 15.3
  22. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 15.7
  23. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 15.10
  24. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 15.12
  25. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 15.14
  26. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, Capítulo 16 Como Herodes, após se casar com Mariane, tomou Jerusalém à força com ajuda de Sosius e como o governo dos asmoneus chegou ao fim, 1
  27. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 16.2
  28. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 16.4