Antônio Manuel de Castilho Brandão

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Bispo

Antônio Manuel de Castilho Brandão
 
da Igreja Católica
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título
Brasão de Antônio Manuel de Castilho Brandão
'''''
Nascido em BrasilPaulo Afonso, 15 de agosto de 1849
Data de nascimento
Local de nascimento
Ordenado
presbítero
30 de maio de 1874
Ordenado
bispo em
18 de novembro de 1894
Funções
exercidas
Falecimento
Data de falecimento
Local de falecimento
Bispos católicos · Todas as dioceses
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Dom Antônio Manuel de Castilho Brandão (Mata Grande,1 então Paulo Afonso,2 15 de agosto de 184915 de março de 1910) foi um bispo católico brasileiro.

Ordenou-se presbítero no dia 30 de maio de 1874, aos 24 anos de idade, em Fortaleza, Ceará, Brasil, pelas mãos de Dom Joaquim José Vieira, bispo do Ceará.

Em 1881, no dia 1 de julho, Padre Antônio Manuel é nomeado vigário colado de Alagoas e cônego honorário de Olinda.

Índice

Bispo do Pará [editar]

Monsenhor Antônio Manuel de Castilho Brandão foi nomeado Bispo de Belém do Pará pelo Papa Leão XIII no dia 7 de setembro de 1894. Sua ordenação episcopal deu-se em Roma, no dia 18 de novembro de 1894, sendo o celebrante o Cardeal Vicenzo Vannutelli.

Dom Antônio Manuel chegou ao Pará no dia 6 de março de 1895. Encontrou a diocese em grave dificuldade financeira e pastoral. Constituiu patrimônio imobiliário para atender, com a renda, a manutenção do Seminário. Convidou e conseguiu instalar na diocese os Padres Agostinianos Recoletos e as Filhas de Sant’Ana.

Bispo de Alagoas [editar]

No dia 22 de junho de 1901 o Papa Leão XIII transfere, a pedido, Dom Antônio Manuel para a Diocese de Alagoas, atual Arquidiocese de Maceió, onde permanecerá até sua morte a 15 de março de 1910, aos sessenta anos de idade. E morreu em 1910.

Um estreito laço de amizade e afeto unia D. Antônio ao Papa Leão XIII. Nos momentos de congraçamento e descontração, o Pontífice dirigia-se a ele carinhosamente, como "o meu querido de Castilho". Satisfazendo uma recomendação pessoal; de Leão XIII e as determinações do Concílio Plenário Latino-Americano (1899), do qual participou, D. Antônio Brandão, ao iniciar as suas atividades à frente da nova diocese, cuidou primeiramente das vocações sacerdotais e da construção do Seminário, no alto do morro do Jacutinga.

O Seminário foi aberto em 1902, funcionando, provisoriamente, no secular convento franciscano da vetusta cidade de Alagoas - atual Marechal Deodoro. Somente em 1904, foi inaugurado o prédio construído por D. Antônio, no qual o Seminário funciona até hoje. Com a fundação do seminário, houve, então, uma eleição para a escolha do santo padroeiro do mesmo. Vários nomes foram cogitados: São José, São Tomás de Aquino, São Luiz de Gonzaga, dentre outros. Ao final, porém, dois nomes polarizaram as preferências: São Carlos Borromeu e Nossa Senhora da Assunção. Procedida à votação, o nome de Nossa Senhora despontou como favorito - e venceu o pleito: deixando para trás o venerando bispo de Milão.

Preocupado com a educação e a formação religiosa da juventude alagoana, D. Antônio trouxe para Maceió as Irmãs Sacramentinas, em 1904, que inauguraram o Colégio Santíssimo Sacramento para a mocidade feminina. E, em 1905, os Irmãos Maristas (pequenos irmãos de Maria), que fundaram o Colégio Diocesano (atual Colégio Marista de Maceió) para atender à juventude masculina. Atento ao dinamismo pastoral da nova Diocese, o nosso 1º bispo atraiu para Alagoas a operosa Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, fundada pelo Pe. João Leão Dehon. Em 1904, eles assumiram a Paróquia de São José da Lage e, em 1907, a Paróquia de Porto Calvo, substituindo pelo Côn. João Machado transferido para a Catedral de Maceió.

Depois de uma larga folha de serviços prestados à Santa Igreja, o 1º bispo de Alagoas D. Antônio Manuel já cansado e doente faleceu a 15 de março de 1910, sendo sepultado ao lado do altar-mor da Catedral de Maceió.

Padres ordenados por dom Antônio Manoel em Alagoas [editar]

Como bispo de Alagoas ordenou os seguintes padres: Pe Alfredo Manuel da Silva (o Segundo Reitor do Seminário de Maceió), Pe. Antônio Calado de Almeida, Pe. Domingos Correia da Rocha em 1901; Pe. Elói de Barros Brandão em 1902; Pe. Júlio de Assis Braga em 1903; Pe. Otávio Fontes Cunha, Pe. José Castilho de Omena, Pe. Durval de Oliveira Goes em 1904; Pe. Aquiles Melo Filho 1906; Pe. José Belarmino Barbosa (Poeta alagoano), Pe. João de Menezes Milchell, Pe. José Maurício da Rocha (Que tornou-se Bispo de Bragança Paulista), Pe. Aurélio Francisco Henrique em 1908; Pe. Antônio Tobias da Costa (o quarto Reitor do Seminário de Maceió) em 1909 e o Pe. Américo Pita em 1910.

Ordenações episcopais [editar]

Dom Antônio Manuel de Castilho Brandão foi cooficiante da ordenação episcopal de:

Sucessão [editar]

Dom Antônio Manuel de Castilho Brandão é o 12 º bispo de Belém do Pará, sucedeu a Dom Jerônimo Tomé da Silva e teve como sucessor Dom Francisco do Rego Maia.

Na Diocese de Alagoas (atual Arquidiocese de Maceió), Dom Castilho Brandão foi o primeiro bispo diocesano e teve como sucessor Dom Manuel Antônio de Oliveira Lopes.

Bibliografia [editar]

Referências

Ligações externas [editar]

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O primeiro bispo de Alagoas nasceu na atual cidade de Mata Grande aos 15 de agosto de 1849, na época povoado de Paulo Afonso. Foi ordenado presbítero aos 30 dias do mês de Maio de 1874 aos 24 anos de Idade na cidade de Fortaleza, Ceará, pelas mãos de Dom Joaquim José Vieira, o então bispo do Ceará.

No dia 1 de julho de 1881, Padre Antônio Manuel fora nomeado pároco colado de Alagoas e cônego honorário de Olinda. Foi pároco de Alagoas até que o papa Leão XIII o escolhe para Bispo de Belém do Grão Pará aos 7 de setembro de 1894. Sua sagração episcopal deu-se em Roma aos 18 de novembro de 1894 sendo sagrante principal o cardeal Vicenzo Vannutelli. Dom Antônio Manuel tomou posse na diocese do Grão Pará aos 6 de março de 1895. Foi o 12º bispo de Belém do Pará, sucedeu a Dom Jerônimo Tomé da Silva e teve como sucessor Dom Francisco do Rego Maia.

Encontrou a diocese de Belém do Pará em grave dificuldade financeira e pastoral. Constituiu patrimônio imobiliário para atender, com a renda, a manutenção do Seminário. Convidou e conseguiu instalar na diocese os Padres Agostinianos Recoletos e as Filhas de Sant’Ana. Com o objetivo de formar o clero no espírito do concílio de Trento. A Ordem dos Agostinianos Recoletos (OAR) é uma congregação religiosa seguidora de Santo Agostinho. Nasceu na Espanha, em 1588, em plena Reforma Católica, a partir da renovação da Província Agostiniana de Castela. Hoje possui cerca de 1200 religiosos professos, sendo 17 bispos, 940 sacerdotes e 70 irmãos. No Brasil possui três províncias: Trabalham em paróquias, missões colégios e seminários.

Por sua vez, a congregação Instituto das Filhas de Santa Ana foi fundada pela religiosa italiana Ana Rosa Gattorno (1831-1900): ficou viúva, em 1861 entra na terceira ordem franciscana e iniciou a dedicar-se a varias obras de apostolado social na cidade de Génova; foi recebida em audiência pelo Papa Pio IX, no dia 3 de janeiro de 1866, onde apresentou alguns pontos de uma nova regra, recebida em um momento de oração; alì o Papa aconselha a dar inicio a esta nova congregação. A congregação foi aprovada pela Santa Sede o 21 de abril de 1879; as suas costituições foram aprovadas em 26 de julho de 1892. À morte da fundadora as Filhas de Sant'Ana eram cerca de 3500, presentes em 368 comunidades. Madre Rosa foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 9 de abril de 2000.

No dia 2 de julho de 1900 o papa Leão XIII pela bula Postremis hisce temporibus criou a diocese de Alagoas desmembrada da então diocese de Olinda. Ao criar a diocese ficou uma imensa lacuna, pois durante 1 ano a recém criada diocese ficou completamente abandonada sem a presença de um bispo. Foi a pedido de Dom Antônio Manuel de Castilho Brandão que o papa decreta sua transferência para a até então vacante diocese de Alagoas. No dia 22 de junho de 1901 o Papa Leão XIII o transfere para a Diocese de Alagoas, atual Arquidiocese de Maceió, onde permaneceu até sua morte a 15 de março de 1910 aos sessenta anos de idade. Com recursos familiares Dom Antônio Manuel comprou uma fazenda na cidade de Maceió e construiu o Seminário Nossa Senhora da Assunção no alto do Jacutinga.

Um estreito laço de amizade e afeto unia D. Antônio ao Papa Leão XIII. Nos momentos de congraçamento e descontração, o Pontífice dirigia-se a ele carinhosamente como "o meu querido de Castilho".

Satisfazendo uma recomendação pessoal de Leão XIII e as determinações do Concílio Plenário Latino-Americano (1899) do qual participou, D. Antônio Brandão, ao iniciar as suas atividades à frente da nova diocese, cuidou primeiramente das vocações sacerdotais e da construção do Seminário, no alto do morro do Jacutinga. O Seminário foi aberto em 1902, funcionando, provisoriamente, no secular convento franciscano da vetusta cidade de Marechal Deodoro. Somente em 1904, foi inaugurado o prédio construído por D. Antônio Manuel, no qual o Seminário funciona até hoje.

Com a fundação do seminário, houve, então, uma eleição para a escolha do seu santo padroeiro. Vários nomes foram cogitados: São José, São Tomás de Aquino, São Luiz de Gonzaga, dentre outros. Ao final, porém, dois nomes polarizaram as preferências: São Carlos Borromeu e Nossa Senhora da Assunção. Procedida à votação, o nome de Nossa Senhora despontou como favorita vencendo o pleito.

Preocupado com a educação e a formação religiosa da juventude alagoana, D. Antônio trouxe para Maceió as Irmãs Sacramentinas, em 1904, que inauguraram o Colégio Santíssimo Sacramento para a mocidade feminina. E, em 1905, os Irmãos Maristas (pequenos irmãos de Maria), que fundaram o Colégio Diocesano (atual Colégio Marista de Maceió) para atender à juventude masculina.

Atento ao dinamismo pastoral da nova Diocese, o nosso 1º bispo atraiu para Alagoas a operosa Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, fundada pelo Pe. João Leão Dehon, a qual a nossa Arquidiocese deve um grande penhora de gratidão. Em 1904, eles assumiram a Paróquia de São José da Lage e, em 1907, a Paróquia de Porto Calvo, substituindo o Côn. João Machado transferido para a Catedral de Maceió.

Depois de uma larga folha de serviços prestados à Santa Igreja, o nosso 1º bispo D. Antônio Brandão já cansado e doente faleceu a 15 de março de 1910, sendo sepultado ao lado do altar-mor da Catedral de Maceió. Como bispo de Alagoas Dom Antônio Manuel ordenou os seguintes padres: a) Em 1901: Pe Alfredo Manuel da Silva (o segundo Reitor do Seminário de Maceió), Pe. Antônio Calado de Almeida, Pe. Domingos Correia da Rocha. b) Em 1902: Pe. Elói de Barros Brandão. c) Em 1903: Pe. Júlio de Assis Braga. d) Em 1904: Pe. Otávio Fontes Cunha, Pe. José Castilho de Omena, Pe. Durval de Oliveira Goes. e) Em 1906: Pe. Aquiles Melo Filho. f) Em 1908: Pe. José Belarmino Barbosa (Poeta alagoano), Pe. João de Menezes Milchell, Pe. José Maurício da Rocha (Que tornou-se Bispo de Corumbá e depois Bragança Paulista), Pe. Aurélio Francisco Henrique. g) Em 1909: Pe. Antônio Tobias da Costa (o quarto Reitor do Seminário de Maceió). h) Em 1910 o Pe. Américo Pita.

Dentre os padres do período de Dom Antônio Manuel destacam-se o primeiro reitor do Seminário foi Monsenhor Jonas Taurino nascido no então povoado de Pilar. Na época em que foi criada a diocese de Alagoas decidiu continuar incardinado na diocese de Olinda onde faleceu na década de sessenta. Dom Antônio solicitou ao primeiro Arcebispo e vigésimo quarto bispo de Olinda Dom Luís Raimundo da Silva Brito (1901-1915), que enviasse um padre virtuoso para ser o Reitor do então aberto Seminário da neo diocese de Alagoas. Acatando o pedido foi enviado o Monsenhor Jonas Taurino, que buscou formar com amor a primeira turma de seminaristas. Governou o seminário por dois anos entre 1902-1903, depois de inaugurado o novo seminário no alto do Jacutinga. Retornou após este curto espaço de tempo para a arquidiocese de Olinda. Em 1952, já completando 60 anos de sacerdócio foi convidado pelo então Reitor Mons. José Luiz Soares ao Seminário Nossa Senhora da Assunção onde foi homenageado.

Entre os padres da primeira turma temos o dever de evidenciar o Cônego José Moreira Pimentel nascido na cidade de Viçosa. Estudou no Seminário de Olinda até o 1º ano de teologia onde recebeu a tonsura clerical. Assim que foi criada a diocese de Alagoas foi transferido para o Seminário de alagoas chegando a ser ordenado por dom Antônio Manuel de Castilho Brandão. Na sua vida apostólica foi vigário cooperador de Pão de Açucar, pároco de Limoeiro de Anadia, de Capela, de Pilar, de Bebedouro. Diretor Espiritual do Seminário de Maceió, Reitor da reitoria de São Benedito e no final da vida capelão do hospital Amor e Caridade de Viçosa. Era um homem de grandes virtudes: uma caridade imensa, modéstia impressionante, paciente, firme na sua palavra e confessor exemplar. Um homem que se dedicou a causa do Reino, que merece ser lembrado neste ano sacerdotal.

Outro padre que merece ser lembrado é o Pe. Elói Brandão, nascido na cidade de Viçosa e foi ordenado por dom Antônio Manuel no ano de 1903. Foi pároco de Anadia, Quebrangulo e exemplar diretor espiritual do Seminário de Maceió. Homem de virtudes notórias: espiritualidade forte, um homem de coragem apostólica, um grande orador. Sua oratória era tão proeminente que foi escolhido pelo clero para proferir uma homilia memorável nos funerais do primeiro bispo de Alagoas. Morreu um ano depois em 1911 e sepultado com honra na Igreja Matriz de Viçosa. Um outro herói do clero de Maceió é o padre Júlio Albuquerque. Veio com Dom Antônio do Belém do Pará. Era funcionário dos correios até seu ingresso no seminário onde foi ordenado em 1907. Foi o autor do célebre livro “alma das catedrais” um livro de poesias invejável que faz parte do patrimônio cultural de Alagoas. Era orador brilhante, músico especialista em clássicos tocados no piano e além de tudo, sua espiritualidade e amor a Igreja era seu marco mais tocante. Exerceu seu ministério sacerdotal como pároco em Quebangulo, Anadia, Murici e São Miguel dos Campos além de ter sido Diretor Espiritual no Seminário de Maceió.

Dom Antônio Manuel escolheu como 2º Reitor do Seminário outro homem carregado de virtudes: Pe. Alfredo Manoel da Silva. Intelectual impulsivo, dominava as línguas clássicas e modernas, estudioso de filosofia e teologia, músico e apaixonado pelo seu sacerdócio, nascido na cidade de Traipú. Sua vida foi dedicada às letras, o estudo e a música. Impregnou na mente e no coração do clero de Alagoas pela importância da intelectualidade e da cultura.

Pe. José Maurício da Rocha foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1908, na Catedral de Maceió, com dispensa, por ter apenas vinte e três anos de idade. Imediatamente foi nomeado professor do Seminário Menor de Maceió e secretário da Cúria Diocesana. Devido à sua inteligência ímpar, seu zelo e destaque em meio ao clero de sua época, o arcebispo de São Salvador da Bahia concedeu-lhe em 1911, o título de Cônego Honorário da Sé Primacial. Em todas as suas atividades como presbítero continuou a destacar-se, sendo que em 1913 intitulado pelo Papa São Pio X Monsenhor Camareiro Secreto. Durante todo o período de seu presbiterado, produziu uma imensa quantidade de estudos, pesquisas e publicações. A 10 de maio de 1919 foi nomeado, pelo Papa Bento XV bispo diocesano de Corumbá. A 20 de julho do mesmo ano foi sagrado bispo na catedral de Maceió, tendo por sagrante principal Dom Jerônimo Tomé da Silva, arcebispo primaz do Brasil, e como consagrantes: Dom Manuel Antônio de Oliveira Lopes, arcebispo de Maceió e Dom Jonas de Araújo Batinga, bispo de Penedo.

Sagrado bispo, tomou posse de sua diocese, então muito isolada, privada de patrimônio e com clero muito pequeno. Aí permaneceu por oito anos dando grande impulso ao desenvolvimento local, nunca descuidando do zelo espiritual pelas almas. Empreendeu penosas viagens pelo sertão, em lombo de burro, para realizar visitas às distantes paróquias e comunidades. A 4 de fevereiro de 1927 foi transferido para a Sé de Bragança Paulista, criada a 24 de julho de 1925 e ainda não provida de bispo. A 19 de junho do mesmo ano tomou posse, fazendo sua entrada solene na cidade episcopal e na catedral.

Governou com grande zelo a diocese, consolidando seu patrimônio, dedicando-se incansavelmente à formação cultural e religiosa do clero, à instrução dos fiéis, e essencialmente à salvação das almas. Pode-se dizer que foi um verdadeiro evangelizador. Sua formação sólida, sua erudição ímpar, o brilho de sua palavra, a magia de sua pena e sua inteligência privilegiada fez com que produzisse um cem números de consistentes artigos, profundas Cartas Pastorais, discursos e homilias inesquecíveis. Contudo, o que mais marcou seu caráter foi a defesa incondicional da fé e a preocupação com a dissolução dos costumes. Foi monarquista convicto, mas manteve bom relacionamento com as autoridades republicanas. Dom José Maurício foi personalidade influente na vida política e social do Brasil, durante toda a primeira metade do século XX. Gozou ele de tanto prestígio e influência que quando alguém não conseguia seus objetivos com algum político ou empresário, era orientado com o famoso jargão: "Vá se queixar ao Bispo de Bragança". Certamente, se ele se interessasse pela causa ela teria sucesso.

Após quarenta e dois anos à frente do governo da Diocese de Bragança Paulista, faleceu a 24 de novembro de 1969 , no Palácio Episcopal de São José, em Bragança Paulista. O seu corpo embalsamado foi revestido de paramentos róseos, usados nos domingos ‘’Gaudete’’ e ‘’Lætare’’, em sinal de alegria, sendo exposto à visitação de uma multidão de pessoas, não só da diocese, mas também de muitos outros lugares do Estado e do País. Estiveram presentes muitas autoridades eclesiásticas, dentre elas o Cardeal Agnelo Rossi, então arcebispo de São Paulo; Dom Humberto Mozzoni, então Núncio Apostólico no Brasil, inúmeros arcebispos, bispos, sacerdotes e seminaristas. Também autoridades civis e militares se fizeram presentes, destacando-se o ex-presidente Jânio Quadros, o general Milton Tavares e o Ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva. Suas exéquias foram pontificadas, em latim, pelo então arcebispo de Campinas, Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, na Sé Catedral de Bragança Paulista, onde foi sepultado na cripta.

Há uma nota importante da história encontrada no livro de tombo da Catedral Metropolitana deixada pelo Mons. José Luis Soares, na qual registra a criação da paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres em 1819 pelo alvará Régio de 9 de julho de 1819. Por duas vezes foi pedido ao Rei D. João VI a criação da paróquia, o primeiro pedido foi negado por julgar o bispo de Olinda desnecessário, já que havia na época a paróquia de santa Luzia do Norte. Não se conformando com a resposta uma comissão dirigiu-se à dom João pessoalmente, o qual convenceu-se diante dos argumentos criando por fim a paróquia. O primeiro pároco da nova paróquia foi o pe. José Antônio de Caldas, que não chegou a tomar posse já que foi eleito deputado à assembléia geral constituinte. No arquivo nacional não há nada que registre seus feitos, como é relatado é um ilustre desconhecido. Sabe-se que nasceu na vila de alagoas a 8 de outubro de 1787, foi aprovado “com louvor” por uma comissão julgadora do primeiro reinado Brasileiro aos 18 de fevereiro de 1820. Sua nomeação foi escrita a mando de Dom João VI no paço da Boa Vista, Rio de Janeiro a 3 de março do mesmo ano e está nos arquivos do Museu Nacional.

Provavelmente ordenado em Olinda em 1910, padre Caldas desenvolve intensa atividade política, o que era muito comum “a consciência nacional naquela época” assumindo postura republicana. Pe. Caldas participou efetivamente de duas subverções armadas de caráter separatista, uma no nordeste e outra no extremo sul do país. A primeira na confederação do equador. A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista e republicano, ou mais certamente autonomista, ocorrido em 1824 no Nordeste do Brasil. Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçadas na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país. A Intenção da conferação do Equador era proclamar a independência do Nordeste do país. O idealizador do levante foi Joaquim da Silva Rabelo, depois Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, mais conhecido na história como o frade carmelita Frei Caneca.

A outra foi a revolução farrolpilha. Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha são os nomes pelos quais ficou conhecida a revolução ou guerra regional, de caráter republicano, contra o governo imperial do Brasil, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul, e que resultou na declaração de independência da província como estado republicano, dando origem à República Rio-Grandense. Durou de 1835 a 1845. Apesar da agitação de uma vida supermovimentada, que ficou nmarcada no cenário nacional, Pe. Caldas faleceu em Niterói, Rio de Janeiro por volta de 1860. Como se vê o empenho de nosso primeiro arcebispo não foi em vão muitos luzeiros brotaram de seu empenho pastoral. Foi fundador da diocese de Alagoas, fundou seu patrimônio e como hábil administrador organizou e estabeleceu com sólido fundamento as finanças do Bispado. Abriu o Seminário de Alagoas a 15 de janeiro de 1902 no covento franciscano da velha capital de Alagoas, sendo seu primeiro Reitor o Monsenho Jonas Taurino Ferreira de Amorim, notável humanista e filho de Pilar à margem da lagoa de Manguaba. Construiu o prédio do seminário no aprazível bairro do Jacutinga, hoje Farol inaugurando-o aos 15 de janeiro de 1904, sob a proteção de Nossa Senhora da Assunção, sua padroeira. O seminário foi a primeira Escola Superior das Alagoas. Trouxe as religiosas Sacramentinas, em 1904, para a educação da juventude Feminina e os irmãos Maristas para a juventude masculina em 1905.

Com a morte do cônego Otávio Costa em 1907, nomeia o cônego João Machado de Melo, o maior orador sacro das Alagoas, para pároco da Catedral, transferindo-o posteriormente para Porto Calvo. Visitou com seu pequeno clero e um grupo de seminaristas o conselheiro Afonso Augusto Moreira Pena, eleito Presidente da República, foi presidente do Brasil entre 15 de novembro de 1906 e 14 de junho de 1909, data de seu falecimento, antes da carreira política, foi advogado e jurista, que estava em excursão pelos Estados do Norte, inclusive em Alagoas. O encontro se deu no Palácio dos Martírios. Reconhecia a autoridade dos poderes constituídos e sempre se fez respeitado por eles. Faleceu a 15 de março de 1910 e está sepultado sob o sólio episcopal da catedral de Maceió