Aveiras de Cima

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
 Portugal Aveiras de Cima  
—  Freguesia  —
Brasão de armas de Aveiras de Cima
Brasão de armas
Aveiras de Cima está localizado em: Portugal Continental
Aveiras de Cima
Localização de Aveiras de Cima em Portugal
39° 08' N 8° 54' O
País  Portugal
Concelho AZB.png Azambuja
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 26,16 km²
População (2011)
 - Total 4 762
    • Densidade 182/km2 
Gentílico: aveirense, cima-aveirense, aveiricense, aveiracimense, sem que nenhuma destas definições tenha obtido consenso
Código postal 2050
Orago Nossa Senhora da Purificação e Mártir São Sebastião

Aveiras de Cima é uma freguesia portuguesa do concelho de Azambuja.

Com uma superfície de 26,16 km² a Vila de Aveiras de Cima tinha, segundo o Censos de 2011, 4 762 habitantes, sendo a segunda freguesia mais populosa a seguir à sede do Concelho.

A população está distribuída pela sede da freguesia e pelos lugares de Casais das Amarelas(este atravessado pela auto-estrada A1, e onde se situam as áreas de serviço), Casais da Fonte Santa, Casais Monte Godelo, Casais Vale Brejo , Casais Vale Coelho, Casais das Inglesias, Casais das Comeiras (Nesta onde existe uma das tabernas mais antigas da vila ainda em funcionamento, taberna do Eduardico a conhecer) e Casais Vale Tábuas e pelos bairros satélite da Milhariça e Soldadico.

História[editar | editar código-fonte]

Compartilhando com a actual freguesia de Vale do Paraíso o mesmo território e administração até meados da segunda década do século XX, comungaram desde o início da nacionalidade de uma história comum. Com origens muito pouco concisas como território autónomo de administração e circunscrição local até D. João I, não oferecem dúvidas quanto à malha geográfica paroquial tardo-medieva, coincidente com a malha concelhia do Antigo Regime. Sendo um concelho de jurisdição régia com assembleia dos homens-bons da Vila, não passou este território ao lado das atenções da Coroa. Demonstram-no os sucessivos instrumentos imanados do Poder Central para o bem-comum da comunidade e a particulares, assim como as estadas e itinerários conhecidos de alguns monarcas.[1]

Povoação conhecida desde o tempo da reconquista cristã, recebeu carta de aforamento de D. Sancho I em 1210. Na literatura existem rumores da existência de um castelo:

"Ora, antes de morrer no Alcáçar de Coimbra, o Senhor D. Sancho suplicara a Tructesindo Mendes Ramires, seu colaço e Alferes-Mor, por ele armado Cavaleiro em Lorvão, que sempre lhe servisse e defendesse a filha amada entre todas, a Infanta D. Sancha, senhora de Aveiras." (…)

"Imediatamente Alenquer e os arredores doutros castelos são devastados pela hoste real que recolhia das Navas de Tolosa" (…)

Esta dúvida, porém, não angustiara a alma desse Tructesindo rude e leal que o Fidalgo da Torre rija-mente modelava. Nessa noite, apenas recebera pelo irmão do Alcaide de Aveiras, disfarçado em beguino, um aflito recado da senhora D. Sancha - ordenava a seu filho Lourenço que, ao primeiro arrebol, com quinze lanças, cinquenta homens de pé da sua mercê e quarenta besteiros, corresse sobre Montemor.(…)

"No entanto o irmão do Alcaide, sempre disfarçado em beguino, de volta ao castelo de Aveiras com a boa nova de prestes socorros, transpunha ligeiramente a levadiça da cárcova…"

In Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires

Até ao século XIX, Aveiras de Cima foi sede de município.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

1210 - D. Sancho I outorga "carta de aforamento" a Aveiras.

1401 - D. João I concede aos moradores de Aveiras e seu termo, carta de jurisdição própria, pela grande distância do lugar a Santarém, a que pertencia, Cabendo a D. João Afonso Esteves de Azambuja, então bispo do Porto, a confirmação dos oficiais concelhios.

1434 - A pedido do cavaleiro João Afonso de Brito, D. Duarte reforça e confirma a "Aveiras de Fundo" a jurisdição própria e autónoma de Santarém, excepto assuntos de natureza militar e que seu pai concedera em 1401.

1493 - D. João II recebe Cristóvão Colombo em Vale do Paraíso.

1493 - A 12 de Março, D. João II emite documentos de despacho ordinário, datados de Vale do Paraíso.

1499 - É deste ano o último documento oficial que pela última vez Aveiras de Cima é designada pela tradição medieval como Veiras ou Aveiras de Fundo, numa concessão que D. Manuel faz a João Fogaça do seu Conselho, das coimas por devassa de rebanhos, nos pomares e hortas pertencentes à capela do Espírito Santo.

1513 - Foral novo, outorgado por D. Manuel e datado de 13 de Setembro, a Aveiras de Cima e Vale do Paraíso.

1570 - Frei Agostinho de Santa Maria fixa o início da lenda da descoberta da imagem de Nossa Senhora do Paraíso e de como D. Ana de Alencastro, comendadeira de Santos, se tornou administradora da sua igreja.

1630/1640 - Alvará de Filipe III, para (re)instalar os serviços concelhios de Aveiras de Cima.

1680 - Brás Teixeira de Távora, descendente de Vasco Martins Teixeira, é autorizado a instituir o morgadio de Vale do Paraíso, por Alvará datado de 25 de Janeiro.

1722 - D. João V concede a D. Maria Francisca de Mendonça, dama da Rainha e aia do infante D. Carlos, autorização para casar com António de Moura Borralho, com a atribuição de uma tença anual de 100$000 reis.

1758 - O Cura de Aveiras, P. João Pena de Morais relata para as "Memórias Paroquiais de 1758, com a data de 15 de Março. Segundo ele, Aveiras de Cima tinha "cento e setenta vizinhos, quatrocentas e setenta e três pessoas de Comunhão e cinquenta para sessenta de Confissão somente" e Vale do Paraíso, 40 vizinhos.

1826-1842 - Pela legislação produzida entre 1832 e 1836 para ordenamento e administração do território, sobretudo o Decreto de 6 de Novembro deste último ano, Aveiras de Cima passa a integrar o concelho de Azambuja.

1842 - Conclusão da "Demonstração Genealógica em que s'aprova a Descendência de Francisco José de Queiróz e Vasconcellos de Sousa, e de sua mulher D. Francisca Cândida de Mendonça e Moura.

1853 - Francisco de Almeida Grandella é baptizado na igreja de Nossa Senhora da Purificação de Aveiras de Cima, paróquia em que nasceu a 23 de Junho do mesmo ano.

1906 - Inauguração da Escola Dr. Francisco Maria de Almeida Grandella, (médico) em Aveiras de Cima, obra erigida por Francisco de Almeida Grandella.

1916 - Vale do Paraíso é elevada à categoria de Freguesia, tornando-se a 7.ª freguesia do Concelho de Azambuja.

1934 - No seu palacete da Foz do Arelho, Francisco de Almeida Grandella, morre a 20 de Setembro.

Política[editar | editar código-fonte]

A freguesia de Aveiras de Cima é administrada por uma junta de freguesia, liderada por Justino Cláudio de Oliveira, eleito nas eleições autárquicas de 2009 pela Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV). Existe uma assembleia de freguesia, que é o órgão deliberativo, constituída por 9 membros.

O partido mais representado na Assembleia de Freguesia é a CDU com 4 membros (maioria relativa), seguida do PS também com 4, e da coligação Pelo Futuro da Nossa Terra (PSD/CDS-PP/MPT/PPM) com um. Esta assembleia elegeu os 2 vogais (secretário e tesoureiro) da Junta de Freguesia, um da CDU e outro da coligação Pelo Futuro da Nossa Terra (PSD/CDS-PP/MPT/PPM). A presidente da Assembleia de Freguesia é Sónia Pratas Henriques Botas da CDU.

Eleições de 2009
Órgão PCP-PEV PS PSD/CDS-PP/MPT/PPM
Assembleia de Freguesia 4 4 1
Junta de Freguesia 2 0 1

Actividades económicas[editar | editar código-fonte]

Agricultura, vitivinicultura, indústria, comércio e serviços.

Património e locais de interesse[editar | editar código-fonte]

Artesanato[editar | editar código-fonte]

Latoaria, correaria, tapeçaria e bordados.

Feiras[editar | editar código-fonte]

Festas e Romarias[editar | editar código-fonte]

Ávinho - Festa do Vinho e das Adegas (Abril) Nossa Senhora das Candeias (1.º fim-de-semana de Fevereiro) e Nossa Senhora da Purificação (Junho).

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

Torricado, Açorda, Sopas de Batata com Bacalhau, Jaquinzinhos Fritos, Pívia de Bacalhau.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Terra de Grandella, a singularidade desta vila é conhecida em todo o Concelho. No entanto não há precisão na data em que foi fundada nem quem foi o seu fundador, apenas se sabe que foi D. Sancho I que a povoou e lhe deu o foral em 1210. Vila de solos férteis, tem a sua actividade centrada na agricultura, com predominância da vinha.

A vila foi marcada pelo filantropo Francisco de Almeida Grandella, o fundador da primeira grande superfície comercial em Portugal, os “Armazéns Grandella”. Filho de um médico pobre, foi para a grande cidade com apenas onze anos, onde teve o seu primeiro contacto com os negócios. Começou por ser caixeiro na Rua dos Fanqueiros e empregado numa loja de fazendas, camisaria e modas. Criou os armazéns Grandella, inaugurando um novo modelo de vendas. Com a fortuna acumulada construiu no início do século XX a escola primária para as crianças da sua terra natal, um edifício de estilo neo-clássico, que dedicou ao pai, dando-lhe o nome de Escola Primária Dr. Francisco Maria de Almeida Grandella.

Como curiosidade, refira-se a existência de um exemplar secular de oliveira, Olea europaea L. var. europaea. Trata-se de uma árvore de porte médio com copa e sistema radicular bem desenvolvidos. De realçar o tronco desta oliveira pelo seu aspecto. O facto de se apresentar “oco” leva a crer que poderá estar condenada, o que não corresponde à verdade, visto que as oliveiras desenvolvem “cordas” que são troncos de menor diâmetro e que no seu conjunto dão um aspecto muito “ suis generis ”. São essas cordas que permitem à árvore a realização das suas funções vitais e explicam a longevidade da mesma. Vão ver que vale a pena visitá-la. [2]

Escolas[editar | editar código-fonte]

  • Escola Básica do 1º Ciclo de Aveiras de Cima
  • Escola Básica do 2º e 3º Ciclos de Aveiras de Cima
  • Escola Básica do 1º Ciclo de Vale do Brejo

Colectividades[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Rui de Azevedo, P. Avelino da Costa e Marcelino Pereira, Documentos de D. Sancho I, Universidade de Coimbra, 1979.
  • IAN-TT, Chancelarias Régias, Chancelaria de D. João I, Livro 2, f. 91 v.º e 92.
  • IAN-TT, Chancelarias Régias, Chancelaria de D. Duarte, Livro 1, f. 80 e 80 v.º.
  • Garcia de Resende, Crónica de D. João II, capítulo 165 e Joaquim Veríssimo Serrão, Itinerários de El-rei D. João II, v. II.
  • IAN-TT, Corpo Cronológico, I, 2-9.
  • IAN-TT, Livro 1 da Comarca da Estremadura, f. 258 v.º.
  • IAN-TT, Livro dos Forais Novos da Estremadura, f. 93 e 93 v.º.
  • Frei Agostinho de Santa Maria, Santuário Mariano, t. II, Lisboa, 1707, p. 363.
  • IAN-TT, Chancelarias Régias, Chancelaria de Filipe III, Livro 18, f. 327.
  • IAN-TT, Chancelarias Régias, Chancelaria de D. Pedro II, Doações e Mercês, f. 258 v.º.
  • IAN-TT, Desembargo do Paço, Consultas.
  • Colecção de Leis e Outros Documentos Oficiais, Imprensa Nacional, Lisboa, 1.ª a 11.ª séries e Luís Nuno Espinha da Silveira, Território e Poder - Nas Origens do Estado Contemporâneo em Portugal, Patrimónia Histórica, Cascais, 1997, p. 150.
  • IAN-TT, Registos Paroquiais, Lisboa, Azambuja, Aveiras de Cima, caixa 3, Livro B-8 e J. Pereira, Francisco de Almeida Grandella, O Homem e a Obra, CMA, 1998, p. 7.
  • J. Pereira, Francisco de Almeida Grandella, O Homem e a Obra, CMA, 1998, p. 10.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]