Ballade des dames du temps jadis

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A Ballade des dames du temps jadis ("Balada das Damas de Outrora") é um poema de François Villon que celebra mulheres famosas na história e na mitologia, sendo um exemplo proeminente do gênero "Ubi Sunt ?". É parte de seu trabalho mais extenso, o Grand Testament. Esse texto era chamado simpesmente de Ballade por Villon; o des dames du temps jadis é um adendo feito por Clément Marot na sua edição de 1533 dos poemas de Villon.

Traduções e adaptações[editar | editar código-fonte]

Particularmente famoso pelo seu refrão interrogativo, Mais où sont les neiges d'antan?, ele foi traduzido para o inglês por Rossetti como "Where are the snows of yesteryear?", cunhando a nova palavra "yesteryear".


Texto da Balada[editar | editar código-fonte]

Dictes moy où, n'en quel pays, Dizei-me onde, e em que país,
Est Flora, la belle Romaine; Está Flora, a bela romana;
Archipiada, ne Thaïs, Arquipíada[1] , e Taís,
Qui fut sa cousine germaine; Que foi sua prima germana;
Echo, parlant quand bruyt on maine Eco, falando quando se faz barulho
Dessus rivière ou sus estan, Sobre rio ou lago,
Qui beaulté ot trop plus qu'humaine? Quem beleza tinha muito mais que humana?
Mais où sont les neiges d'antan! Mas onde estão as neves de antanho[2] !
Où est la très sage Helloïs, Onde está a muito sábia Heloísa,
Pour qui fut chastré et puis moyne Por quem foi castrado e depois monge
Pierre Esbaillart à Saint-Denis? Pedro Abelardo em Saint-Denis ?
Pour son amour ot cest essoyne. Por seu amor teve esta pena.
Semblablement, où est la royne Similarmente, onde está a rainha
Qui commanda que Buridan Que ordenou que Buridan
Fust gecté en ung sac en Saine? Fosse arremessado num saco ao Sena?
Mais où sont les neiges d'antan! Mas onde estão as neves de antanho!
La royne Blanche comme un lis, A rainha Branca como um lírio,
Qui chantoit à voix de seraine; Que cantava com voz de sereia;
Berte au grant pié, Bietris, Allis; Berta Pé-Grande, Beatriz, Alix;
Harembourges qui tint le Maine, Eremburga que tinha o Maine,
Et Jehanne, la bonne Lorraine, E Joana, a boa Lorena,
Qu'Englois brulerent à Rouan; Que os ingleses queimaram em Ruão;
Où sont elles, Vierge souvraine? Onde elas estão, Virgem soberana?
Mais où sont les neiges d'antan! Mas onde estão as neves de antanho!
Prince, n'enquerez de sepmaine Príncipe, não pergunteis na semana
Où elles sont, ne de cest an, Onde elas estão, nem neste ano,
Qu'à ce reffrain ne vous remaine: Para que não leveis de volta este refrão:
Mais où sont les neiges d'antan! Mas onde estão as neves de antanho!

Notas e referências

  1. Porque Alcibíades foi descrito por Platão como um modelo de beleza, ele era frequentemente tomado na Idade Média por uma mulher.
  2. Antan [ân-tân], s. m. Antano ou antanho. O ano findo, o ano próximo passado: les neiges d'antan, as neves de antanho. Emprega-se sobretudo nesta espécie de provérbio literário de Villon: Mais où sont les neiges d'antan? (in "Grande Dicionário de Francês/Português", Domingos de Azevedo, 11.ª edição, Livraria Bertrand, Lisboa, 1989. ISBN 972-25-0093-7