Bom selvagem

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde dezembro de 2009).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Detalhe do quadro histórico neoclássico The Death of General Wolfe (1771), retratando um índio norte-americano idealizado.

O bom selvagem ou mito do bom selvagem é um lugar comum ou tópico literário na literatura e no pensamento europeu da Idade Moderna, que nasce com o contato com as populações indígenas da América.

O descobrimento do outro[editar | editar código-fonte]

Desde o famoso texto de Cristóvão Colombo em que diz haver chegado ao paraíso terreno, a imaginação tratou de atribuir todo tipo de bondades ingênuas aos indígenas (os naturais, como os chamavam nos documentos espanhóis da época). A isto também contribuiu em grande parte Bartolomé de las Casas com seu Brevísima Relación de la Destrucción de las Indias. O papel de parte do clero, de teólogos como os da Escola de Salamanca e dos próprios reis pode ver-se na convocatória da Junta de Burgos e a Junta de Valladolid, que discutiam sobre a natureza e a justificação da conquista e a exploração econômica da América (polêmica dos justos títulos ou da guerra aos naturais) e o corpo legislativo das leis das Índias. A Fábula Negra ampliou por toda a Europa a visão positiva de seres humanos em estado de natureza mortificados pelos abjetos espanhóis, que resumiriam todos os vícios e degenerações do homem civilizado.


A extensão do mito[editar | editar código-fonte]

As utopias do século XVI (Erasmo de Rotterdam, Elogio da Locura; Tomás Moro, Utopia) e obras como a de Baltasar Gracián (El Criticón) no século XVII, levam à definitiva discussão da natureza humana como má por natureza (Leviathan de Hobbes) ou boa por natureza, como pretendeu o Iluminismo (sobretudo Rousseau), que volta a descobrir exemplos de bons selvagens nas ilhas do Pacífico (tropicais e paradisíacas como as Antilhas, com indígenas nus de fácil trato e natureza pródiga) que descrevem viajantes como James Cook e produzem histórias como a do motim do Bounty.

Também contribuiu à extensão do uso do conceito o descobrimento das crianças salvagens ou crianças selvagens (Victor de Aveyron e Kaspar Hauser), que por sua vez tiveram tratamento literário e cinematográfico, por si mesmos ou como inspiração. O tema aparece em conjunção com o exotismo dos povos extraeuropeus em O livro da Selva e Tarzan.

Século XIX[editar | editar código-fonte]

O conceito de civilização converteu-se na bandeira da ideia de progresso na que tão comodamente sentia-se a burguesia capitalista, nova classe dominante, que justifica o domínio europeu, paternalista e colonial, sobre os povos selvagens. A antropologia e a etnologia, nascidas no século XIX, terão que esforçarem-se muito por transformar esse mito em ciência, ao que contribuiu em boa parte o relativismo cultural e o conceito de alteridade.