Bartolomé de las Casas

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Bartolomé de las Casas

Padre Bartolomé de las Casas (Sevilha, 1474Madrid, 17 de julho de 1566) foi um frade dominicano, cronista, teólogo, bispo de Chiapas (México) e grande defensor dos índios, considerado o primeiro sacerdote ordenado na América.

Vida e atuação[editar | editar código-fonte]

Conhecido em português como Frei Bartolomeu de las Casas, era filho de um comerciante modesto de Tarifa, participou da segunda viagem de Cristóvão Colombo. Havia feito estudos de latim e de humanidades em samandala entao e isso gente Viajou depois a Roma, onde terminou os estudos e se ordenou sacerdote em 1507. Isabel de Castela, a rainha a quem o papa dera licença para se intitular "A Católica", considerava a evangelização dos índios importante justificativa para a expansão colonial e como tal, insistia para que sacerdotes e frades estivessem entre os primeiros a se fixarem na América.

Em 1510, Bartolomeu de Las Casas retornou à ilha Espanhola, agora como missionário. A 21 de Dezembro de 1511 escutou o célebre Sermão do Advento por Frei António de Montesinos, no qual este defendia a dignidade dos índigenas. O profundo impacto daquela pregação levaram-no a converter-se a tal causa.

Conseguiu um repartimiento ou encomienda de índios, dedicando-se assim ao trabalho pastoral. Os dominicanos contrários à encomienda, dados os abusos cometidos contra os índios, não mudaram sua opinião. Frei Bartolomé defendia a instituição. Transferiu-se para Cuba com Pánfilo de Narváez, e ali foi capelão militar e recebeu outra vez um repartimiento onde se ocupava em mandar seus índios às minas, tirar ouro, e fazer sementeiras, aproveitando deles como podia. Paulatinamente, porém, foi tomando consciência do problema e tomou partido contrário, dizendo-se chamado para pregar contra o sistema de encomienda como injusto. Considerava então que os únicos donos do Novo Mundo eram os índios e que os espanhóis só deviam lá ir para o trabalho de conversão. Renunciou a todas as suas encomiendas e iniciou uma campanha de defesa dos índios, mostrando tudo de injusto do sistema. A campanha foi dirigida ao próprio rei de Aragão Fernando II e depois ao Cardeal Cisneros, que viria a nomeá-lo "protetor dos índios" em 1516.

Com a morte do cardeal, recomeçou seu trabalho e tentou convencer o rei de Espanha Carlos I (imperador Carlos V), neto dos Reis Católicos. Como denunciava publicamente os abusos dos funcionários, obteve a inimizade de muitos, especialmente membros do Conselho das Índias, presidido pelo bispo Juan Rodríguez de Fonseca. Advogava por uma colonização pacífica das terras americanas, por meio de lavradores e missionários.

Com tal objetivo partiu de novo para a América, onde em 1520 Carlos I lhe deu o território hoje venezuelano de Cumaná para pôr em prática suas teorias. Teve pouco êxito e durante uma de suas ausências, os índios aproveitaram para matar grande número de colonos. O desastre fez com que entrasse para a ordem dominicana. Manteve porém suas inflamadas teorias contra a escravidão dos índios – embora, curiosamente, estivesse a favor da escravidão dos africanos! – e alegava que todas as guerras contra os índios eram injustas. Por isso se enfrentou a diversos teólogos, especialmente frei Francisco de Vitória. Pediu a seus superiores para ir advogar suas teorias diante do Conselho das Indias, mas o fracasso em Cumaná o desacreditava.

Em 1535 partiu para o Peru, mas o navio em que viajava naufragou no litoral da Nicarágua. Lá, ele enfrentou o governador Rodrigo de Contreras denunciando o envio de escravos índios ao Peru.

Em 1536 se transferiu à Guatemala, para continuar a pregação e pôr em marcha um projeto de conquista pacífica que batizou de "Vera Paz". Entre 1537-1538 conseguiu cristianizar a zona de modo pacífico, substituindo a encomienda por um tributo pago pelos índios. Regressou em 1540 à Espanha, convencido de que era na corte que deveria vencer a batalha em favor dos índios Em 1542 o Conselho das Índias o ouviu, e suas opiniões causaram profunda impressão em Carlos V.

Atribui-se a sua influência o fato de que em 20 de novembro de 1542 tenham sido publicadas as " Leis Novas" em que se restringiam as encomendas e a escravidão dos índios, embora não tenham sido do agrado pleno de Las Casas. Escreveu então sua obra mais importante: «Brevísima relación de la destrucción de las Indias». Como acusa os descobridores da América de crimes, abusos, violências, a obra foi chamada de escandalosa e exagerada, e não conseguiu evitar a continuação das conquistas, como desejava. Seria publicada ilegalmente em 1552, e conseguiu grande sucesso no século XVII, convertendo-se numa das fontes de nascimento da «lenda negra» do Império espanhol.[1]

Em 1543 recusou o bispado de Cuzco mas aceitou o de Chiapas, no México, encarregado de pôr em prática suas teorias. Foi consagrado em Sevilha em 1544. Não foi bem recebido em Chiapas, porque os colonos o consideravam responsável pela publicação das «Leis Novas».

Escreveu ainda um «Confesionario» em que mandava que antes de iniciar a confissão, o penitente devia libertar seus escravos. Tais medidas provocaram distúrbios, e em 1546 teve que partir para a cidade do México, sem mudar sua política. Sua doutrina seria repelida por uma junta de prelados. Embarcou em Veracruz para a Espanha e se recolheu ao convento de S. Gregório, em Valladolid. Nessa cidade tiveram lugar importantes discussões de 1550 a 1551 entre ele e Juan Ginés de Sepúlveda (o amputado) sobre a legitimidade da conquista, saindo vitorioso o segundo.

Foi nomeado Bispo de Chiapas aos 70 anos de idade, em 1544. Mas, ficou apenas três anos em Chiapas, sempre perseguido pelos espanhóis. Em 1547, partiu da América para não mais voltar. Regressou à Espanha, continuando ali a defesa dos índios, onde corrigiu e publicou seus escritos, todos se contrapondo à política colonial. Porém, suas idéias foram contestadas, na América e também na Espanha. Tanto que, em 1552, suas obras foram censuradas e proibidas para a leitura. Havia renunciado a seu bispado, antes de morrer aos 92 anos de idade no Convento Dominicano de Atocha, no dia 17 de julho de 1566, em Madrid, Espanha.

Em defesa dos índios do novo continente, viajara numerosas vezes à Espanha, apelando aos oficiais do governo e aos que quisessem ouvir. Desde que ingressou na vida religiosa dominicana, se dedicara à causa indígena, defendendo-lhes a vida, a liberdade e a dignidade. E para que tivessem direitos políticos, de povos livres e capazes de realizar uma nova sociedade, mais próxima do Evangelho. Sua prioridade foi sempre a evangelização. Com tal propósito viajara pela América Central em trabalho pioneiro, registrando o que se passava em seus diários. Foi perseguido pelos colonizadores espanhóis de São Domingos, Peru, Nicarágua, Guatemala e do México.

Muito querido do povo mexicano, seu nome hoje é lembrado como um dos maiores humanistas e missionários da História do Cristianismo.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Historia de las Indias
  • De unico vocationis modo, conocida en español como Del único modo de atraer a todos los pueblos a la verdadera religión, 1537
  • Brevísima relación de la destrucción de las Indias
  • Los dieciséis remedios para la reformación de las Indias
  • Apologética historia sumaria
  • De thesauris
  • Treinta proposiciones muy jurídicas

Vide também[editar | editar código-fonte]

Referências