Constantino Dragaš

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Constantino Dragaš (em cirílico sérvio: Константин Дејановић - Konstantin Dejanović; fl. 1365-1395) foi um magnata sérvio que governou uma grande província na região oriental da Macedônia como vassalo do Império Otomano na época da queda do Império Sérvio. Ele sucedeu ao seu irmão mais velho, Jovan Dragaš, que já era vassalo dos otomanos desde a Batalha de Maritsa (1371), na qual boa parte da nobreza sérvia foi aniquilada. Os irmãos mantiveram um governo próprio e cunharam moedas de acordo com o estilo dos Nemânica. Sua filha, Helena Dragaš (Jelena) se casou com o imperador bizantino Manuel II Paleólogo em 1392. Constantino caiu na Batalha de Rovine em 17 de maio de 1395 lutando pelos otomanos contra a Valáquia juntamente com outros magnatas sérvios como Stefan Lazarević e Marko Mrnjavčević.

O neto de Constantino e o último imperador bizantino, Constantino XI Paleólogo , foi batizado em sua homenagem e utilizava o nome Dragaš junto ao seu.

História[editar | editar código-fonte]

Mapa da região dos Balcãs em 1400 indicando os principais locais citados neste artigo.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

O pai de Constantino era um déspota e um sebastocrator chamado Dejan que governava a região de Kumanovo sob o governo de Estêvão Duchan (r. 1331-1355). A mãe de Constantino, Teodora Nemânica, era meia-irmã de Duchan (Dušan). Seus avôs maternos eram o rei Estêvão Decanski (r. 1321-1331) e Maria Paleóloga.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1365, Jovan Dragaš, irmão mais velho de Constantino, estava defendendo Štip e Estrúmica. Jovan fora elevado a déspota pelo imperador Uroš V antes de 1373 da mesma forma que o imperador Duchan havia elevado Dejan, o pai dos irmãos. Fontes otomanas relatam que, em 1373, o exército otomano coagiu "Saruyar" (Jovan), da região do alto Estrimão, a reconhecer-se como vassalo[1] . Constantino havia ajudado o irmão a governar suas terras e, quando ele morreu em 1378-1379, o sucedeu, conseguindo juntar ao seu domínio grandes porções do nordeste da Macedônia e do vale do Estrimão.

Ele cunhou moedas como fizera o irmão[2] . A família Dragaš doou generosamente para diversos mosteiros em Monte Athos, incluindo Hilandar, Pantaleimon (Rossikon) e Vatopédi. Em 10 de fevereiro de 1392, sua filha, Helena Dragaš (Jelena), se casou com Manuel II Paleólogo e, no dia seguinte, foram ambos coroados pelo patriarca Antônio IV de Constantinopla[3] .

Depois da Batalha de Maritsa, os sérvios foram forçados à vassalagem, mas mantiveram as ligações próximas que já tinham com os vizinhos cristãos, incluindo o Império Bizantino. Em 1395, junto com seu vizinho e aliado, o rei sérvio de Prilepo Marko, Constantino foi morto lutando pelo sultão otomano Bayezid I contra Mircea I em Rovine, perto de Craiova. Os otomanos batizaram a capital de Constantino, Velbažd/Velbužd, em homenagem a ele: Köstendil (a atual cidade búlgara de Kyustendil).

Família[editar | editar código-fonte]

Constantino Dragaš se casou duas vezes. Alguns teorizam que sua primeira esposa teria sido Kera Tamara, a filha do tsar João Alexandre da Bulgária, que se casou com um déspota chamado Constantino, mas a teoria vem sendo refutada pelos historiadores. Sua segunda esposa foi Eudóxia de Trebizonda, filha do imperador Aleixo III de Trebizonda e Teodora Cantacuzena. Com a primeira esposa, Constantino teve pelo menos uma filha e, possivelmente, um filho:

  • Helena Dragases (Jelena Dragaš - posteriormente, já como freira, Hypomone), que se casou com o imperador bizantino Manuel II Paleólogo e morreu em 13 de maio de 1450. Eles tiveram muitos filhos, incluindo os dois últimos imperadores bizantinos. Um deles, Constantino XI, adicionou o nome Dragaš (em grego Dragases) ao seu[4] .

Legado[editar | editar código-fonte]

Constantino é venerado na poesia épica sérvia como Beg Kostadin (nos poemas ele recebeu o título de beg por ter se tornado um vassalo otomano)[5] .

Referências

  1. Edition de lA̕cadémie bulgare des sciences, 1986, "Balkan studies, Vol. 22" p. 38
  2. David Michael Metcalf, "Coinage in South Eastern Europe, 820-1396", Royal Numismatic Society, 1979, p. 322
  3. Donald M. Nicol, "Byzantium and Venice: a study in diplomatic and cultural relations", p. 331
  4. Head, Constance (1977), "+Manuel+and+helena" Imperial Twilight: The Palaiologos Dynasty and the Decline of Byzantium, Nelson-Hall, p. 145, http://books.google.com/books?id=AP4cAAAAYAAJ&q="+Manuel+and+helena" 
  5. Čubelić, Tvrtko. Epske narodne pjesme: izbor tekstova s komentarima i objašnjenjima i rasprava o epskim narodnim pjesmama (em ). 6. ed. [S.l.: s.n.], 1970. p. cxii. Visitado em 19 July 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]