Cunobelino

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Cunobelino (Cunobelinus, Kynobellinus, Cunobelin, Κυνοβελλίνος em grego; final do Século I a.C.40 d.C.) foi rei da tribo dos Catuvelaunos nos tempos prévios à conquista romana da Britânia.

É mencionado pelos historiadores clássicos Suetônio, quem o chama Rex Britannorum ("rei dos britânicos"), e Dião Cássio. Conservam-se numerosas moedas com o seu nome gravado. Também aparece nas lendas britânicas como Cynfelyn, Kymbelinus ou Cymbeline (Cimbelino, inspiração e nome de uma obra de teatro de William Shakespeare). O seu nome significaria "o cão do deus Belenus".

História[editar | editar código-fonte]

Moedas de bronze de Cunobelino encontradas no Tâmisa.

Segundo se infere das provas numismáticas, Cunobelino teria tomado o poder por volta de 9 a.C., data de cunhagem de moedas em Camuloduno (capital dos Trinovantes) e Verulâmio (capital dos Catuvellauni).

Algumas das moedas encontradas em Verulâmio registram que era filho de Tasciovanus, anterior rei dos Catuvelauni.[1]

Provavelmente aproveitando a desastrosa derrota romana às mãos dos germanos na Batalha da floresta de Teutoburgo em 9 d.C., Cunobelino atacou exitosamente os seus vizinhos os trinovantes, povo aliado dos romanos segundo um tratado acordado por Júlio César na sua invasão de 54,[2] motivo pelo qual, as primeiras moedas cunhadas que se conservam são, porém, de Camuloduno,[3] e incluem uma palma ou coroa de louro (motivo tomado dos romanos que indica uma vitória militar).

Roma aceitou o fato consumado e, em diante, Cunobelino manteve uma política decididamente pró-romana, incrementando o intercâmbio comercial com o continente. Em efeito, os achados arqueológicos mostram um aumento significativo dos bens de luxo importados do império, entre eles vinho e copos de vidro da Itália, azeite de oliva e molhos de peixe da Hispânia, cristalaria, joalharia e louça da Gália, etc., os quais, levando em conta a sua distribuição, parecem entrar na Grã-Bretanha através do porto de Camuloduno.[4] Estrabo deixa também registro do lucrativo comércio de Roma com a Grã-Bretanha: as exportações da ilha incluem grão, ouro, prata, ferro, peles, escravos e cães de caça.[5]

Cunobelino usou o título rex ("rei") e motivos romanos clássicos nas suas moedas. Foi provavelmente um dos reis britânicos que, de acordo com Estrabão, enviou embaixadas a Otaviano.

Teve três filhos, Adminius, Togoduno e Carataco, e um irmão, Epaticcus. Este último adquiriu grande influência no território dos Atrébates em princípios dos anos 20, tomando a sua capital Calleva (Silchester) por volta de 25, e continuou expandindo o seu território até a sua morte em 35, após a qual os Atrébates puderam recuperar parte da sua terra, enquanto o seu sobrinho Carataco se encarregou do resto.

Tanto o seu irmão Epaticcus quanto os seus filhos, Togoduno e Carataco, acercaram-se ao setor druida, profundamente anti-romano, enquanto Adminius, que tinha o controle de Kent, permanecia como fiel aliado de Roma. Quando declinou o poder do rei, já doente, Cunobelino cedeu e decidiu desterrar Adminius, que buscou refúgio e apoio em Roma, governada então por Calígula. O imperador dispôs então uma invasão da Grã-Bretanha, a qual se converteu numa farsa quando, frente ao Canal da Mancha, impossibilitado de cruzar pelo mau tempo, ordenou aos seus soldados atacar as ondas e recolher conchas marinhas como pilhagem da vitória sobre Neptuno.[6]

Carataco completou a conquista do país dos atrébates, o que forçou ao seu rei Verica a fugir para Roma, o que deu um pretexto ao novo imperador, Cláudio, a pôr em funcionamento a sua própria e efetiva invasão em 43 d.C.

Cunobelino faleceu em momentos em que o exército invasor sob comando de Aulo Plaúcio iniciava a campanha, talvez por se encontrar doente ou às mãos do partido druida. A resistência foi assumida pelos seus filhos, Togoduno e Carataco.

É possível, sobre a base de provas epigráficas, que Salústio Lúculo, governador romano da Britânia no final do Século I, fosse neto seu [7]

Predecessor:
Tasciovanus
Cunobelino
Rei dos catuvellauni
Sucessor:
Togoduno

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. John Creighton, Coins and power in Late Iron Age Britain, Cambridge University Press, 2000; Philip de Jersey, Celtic Coinage in Britain, Shire Archaeology, 1996
  2. Graham Webster, Boudica: the British Revolt Against Rome AD 60 p. 43, 1978
  3. Dião Cássio refere esta cidade como a capital do império de Cunobelinus (História de Roma 60.21.4).
  4. Keith Branigan, The Catuvellauni, Alan Sutton Publishing Ltd, pp. 10-11, 1987
  5. Estrabo. Geografia 4.5. Penelope.uchicago.edu.
  6. Suetônio, As vidas dos doze césares, Vida de Calígula 45-47; Dião Cássio, História de Roma 59.25
  7. Miles Russell, "Roman Britain's Lost Governor", Current Archaeology 204, pp. 630-635, 2006. Sallustius Lucullus (em inglês). Roman-britain.org.
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «Cunobelino».

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Ver também[editar | editar código-fonte]