Elesbão de Axum
| Santo Elesbão | |
|---|---|
| Nascimento | em Etiópia |
| Veneração por | Igreja Católica |
| Festa litúrgica | 27 de Outubro |
Elesbão (séc. VI dC) foi um rei do Império de Axum, na atual Etiópia.
É um santo da Igreja Católica, venerado no dia 27 de outubro. Representado como um rei negro da Etiópia, a veneração de Elesbão teve muita difusão no Brasil colonial entre os escravos africanos e seus descendentes.
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Vida[editar]
Elesbão foi um rei de Axum, na atual Etiópia (Abissínia), 47° da sua dinastia. Segundo a tradição, era descendente do rei Salomão e da rainha de Sabá. No século VI dC, Elesbão conseguiu expandir o reino cristão da Etiópia através do Mar Vermelho até a Península Arábica e o Iêmen, convertendo árabes e judeus à fé cristã.
Cerca de 523, Danaan (Dihu Nowas), judeu do Reino Himyarita (atual Iêmen), lançou uma rebelião contra Elesbão. Danaan massacrou of cristãos do seu reino, incluindo o vice-rei instalado por Elesbão na cidade de Safar. Com o apoio de Justino I, Imperador Romano do Oriente, Elesbão reage e consegue vencer Danaan numa guerra, reestabelecendo a fé e colocando no trono do reino de Danaan um rei cristão, Arauto.
No fim da vida, Elesbão abdicou do trono em favor do seu filho e repartiu suas riquezas entre os pobres. Em Jerusalém depositou sua coroa na Igreja do Santo Sepulcro e passou a viver como eremita. Morreu no ano de 555.
Culto[editar]
No Brasil colonial, a Igreja Católica utilizou a vida de santos africanos de cor negra, particularmente São Benedito, São Elesbão e Santa Efigênia, para promover a religião católica entre os negros escravos e forros. Várias obras hagiográficas celebrando estes personagens foram publicadas no século XVIII, como Os dois atlantes de Etiópia. Santo Elesbão, Imperador XLVII da Abissínia, advogado dos perigos do mar & Santa Efigênia, Princesa da Núbia, publicado entre 1735 e 1738 pelo frei carmelita José Pereira de Santana. Nesta e em outras obras, tanto a Etiópia como a Núbia são descritos como fiéis defensores da fé cristã, tendo em S. Elesbão e S. Efigênia seus maiores campeões.
Graças à ação catequética e à necessidade de associação dos negros, várias irmandades religiosas dedicadas a São Elesbão surgiram entre os negros escravos ou alforriados no século XVIII. As irmandades - que existiam separadas para negros, pardos e brancos - davam aos seus membros um âmbito de ajuda mútua e inserção social.
Referências[editar]
- Vida de Santo Elesbão no sítio da Paróquia Imaculada Conceição [1]
- Anderson José Machado de Oliveira. Devoção e identidades: significados do culto de Santo Elesbão e Santa Efigênia no Rio de Janeiro e nas Minas Gerais no Setecentos. Revista Topoi. v. 7, n. 12, jan.-jun. 2006 [2]
- Lincoln Etchebéhère Júnior e Thiago Pereira de Sousa Lepinski. Cristandade Oriental: a Igreja Etíope na Idade Média. Revista Mirabilia. N. 9, 2009 [3]