Elesbão de Axum

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Santo Elesbão
Moeda com efígie de Elesbão
Nascimento  em Etiópia
Morte 555
Veneração por Igreja Católica
Festa litúrgica 27 de Outubro
Gloriole.svg Portal dos Santos

Elesbão, Kaleb Ella Asbeha/Atsbeha ou Elasboas (em grego: Ελεσβόας; m. 555)[1] foi um rei do Império de Axum que reinou entre. ca. 519-531. É um santo da Igreja Católica, venerado no dia 27 de outubro. Representado como um rei negro da Etiópia, a veneração de Elesbão teve muita difusão no Brasil colonial entre os escravos africanos e seus descendentes.

Vida[editar | editar código-fonte]

Elesbão foi um rei de Axum, 47° da sua dinastia. Segundo a tradição, era descendente do rei Salomão e da rainha de Sabá. No século VI, Elesbão conseguiu expandir o reino cristão da Etiópia através do Mar Vermelho até a Península Arábica e o Iêmen, convertendo árabes e judeus à fé cristã.

Cerca de 523, Danaã (Dihu Nowas), judeu do Reino Himiarita (atual Iêmen), lançou uma rebelião contra Elesbão. Danaã massacrou cristãos do seu reino,[1] incluindo o vice-rei instalado por Elesbão na cidade de Safar. Com o apoio do imperador bizantino Justino I (r. 518–527),[carece de fontes?] Elesbão reage e consegue vencer Danaã numa guerra, possivelmente em 524/525, restabelecendo a fé e colocando no trono do reino de Danaã um rei cristão, Esimifeu (r. ca. 525–531).[1]

No fim da vida, Elesbão abdicou do trono em favor do seu filho e repartiu suas riquezas entre os pobres. Em Jerusalém depositou sua coroa na Igreja do Santo Sepulcro e passou a viver como eremita. Morreu no ano de 555.

Culto[editar | editar código-fonte]

No Brasil colonial, a Igreja Católica utilizou a vida de santos africanos de cor negra, particularmente São Benedito, São Elesbão e Santa Efigênia, para promover a religião católica entre os negros escravos e forros. Várias obras hagiográficas celebrando estes personagens foram publicadas no século XVIII, como Os dois atlantes de Etiópia. Santo Elesbão, Imperador XLVII da Abissínia, advogado dos perigos do mar & Santa Efigênia, Princesa da Núbia, publicado entre 1735 e 1738 pelo frei carmelita José Pereira de Santana. Nesta e em outras obras, tanto a Etiópia como a Núbia são descritos como fiéis defensores da fé cristã, tendo em S. Elesbão e S. Efigênia seus maiores campeões.

Graças à ação catequética e à necessidade de associação dos negros, várias irmandades religiosas dedicadas a São Elesbão surgiram entre os negros escravos ou alforriados no século XVIII. As irmandades - que existiam separadas para negros, pardos e brancos - davam aos seus membros um âmbito de ajuda mútua e inserção social.

Referências

  1. a b c Martindale 1980, p. 388

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Vida de Santo Elesbão no sítio da Paróquia Imaculada Conceição [1]
  • Anderson José Machado de Oliveira. Devoção e identidades: significados do culto de Santo Elesbão e Santa Efigênia no Rio de Janeiro e nas Minas Gerais no Setecentos. Revista Topoi. v. 7, n. 12, jan.-jun. 2006 [2]
  • Lincoln Etchebéhère Júnior e Thiago Pereira de Sousa Lepinski. Cristandade Oriental: a Igreja Etíope na Idade Média. Revista Mirabilia. N. 9, 2009 [3]

Ver também[editar | editar código-fonte]