Escrita Thaana

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Thaana (Tāna) (escrita)
Falado em: Maldivas
Total de falantes: 300 mil
Família: Escrita brahmi
 Thaana (Tāna) (escrita)
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---

Thaana, Taana ou Tāna (ތާނަ em Tāna) é a presente escrita usada pela língua divehi falada nas Maldivas. Tāna apresenta características tanto de abugida (diacríticos para vogais, (“virama”) e de alfabeto verdadeiro (completo, com todas as vogais escritas, cujas consoantes derivam dos algarismos indo-arábicos e das línguas locais; cujas vogais têm como base os diacríticos do Abjad árabe. Sua ortografia é bem fonêmica.

Amostra de escrita Thaana

História[editar | editar código-fonte]

A escrita Tāna teve seu primeiro registro num texto, um documento localizado nas Maldivas datado do início do século XVIII, quando tinha uma forma ainda não muito elaborada, a chamada Gabulhi Thaana (era uma escrita contínua como é da língua tailandesa). Essa escrita primitiva foi se desenvolvendo lentamente, os caracteres tiveram inclinações de 45º, passou a haver separação entre palavras. Com o tempo passou a substituir o antigo alfabeto Dhives Akuru. Hoje, a mais antiga amostra da escrita está na ilha de Kanditheemu (Shaviyani Atol) no atol Northern Miladhunmadulul. Está inscrita nos postes de entrada da principal Hukuru Miskiy (mesquita de sexta-feir) da ilha e data de 1008 do calendário islâmico (AH) (1599 a.C.), data em que o teto do prédio foi construído e renovado nos reinados do sultão Ibrahim Kalaafaan (Sultão Ibrahim III) e de Hussain Faamuladeyri Kilege (Sultão Hussain II) respectivamente.

Escrita[editar | editar código-fonte]

Tāna, como o Árabe e o Hebraico, é escrita da direita para esquerda, As vogais são indicadas por diacríticos derinvados do Árabe. Cada letra pode ter incorporada uma vogal ou um sukun (que indica “sem vogal”). A única execeção a essa regra é nūnu que, quando escrita sem diacrítico, indica nasalização da consoante plosiva que se segue.

As indicações de vogaisl( sinais diacríticos) Dihevi são chamadas fili in Divehi; são cinco as fili para sons vogais curtos (a,i,u,e,o), sendo que os dois primeiros são idênticos aos da escrita árabe, sinais harakat (fathae kasra) e a terceira (damma) tem aparência muito similar à do árabe.. As vogais longas (ā, ē, ī, ō and ū) são marcadas por um fili duplo (exceto ō, que é uma modificação da breve obofili).

Tāna (ou Thaana).atual escrita official das Maldivas
Standard Indic. Esta tabela é uma referência para a posição das letras na tabela Thaana.

A letra alifu não tem valor sonoro próprio, sendo usada com diversos objetivos: pode ser usada como meio de ”carrier” (permissão) para uma vogal que não tenha uma consoante que a anteceda, ou seja uma vogal inicial de palavra ou a segunda vogal de um [´[ditongo]]; pode indicar geminação (tornar longa) as consoante que a seguem; quando ocorre alifu+sukun no final de palavra, indica que esse sinal é /eh/. A geminação de nasais é marcada por nūnu+sukun antes da nasal a ser geminada.

Origem das letras[editar | editar código-fonte]

As origens das letras Tāna apresentam características únicas entre os alfabetos do mundo. As primeiras nove letras são derivadas dos numerais do alfabeto árabe, as nove seguintes são de numerais hindus locais. As demais letras são para palavras de origem externa e vêm da transliteração do Árabe para consoantes nativas marcadas com diacríticos, exceto a a letra Y, cuja origem é desconhecida. Assim, a escrita Thaana é na região, uma das poucas não graficamente derivadas da escrita proto-sinaítica, exceto as que surgiram via escrita brahmi.

A ordem das letras do alfabeto Tāna (hā, shaviyani, nūnu, rā, bā, etc.) não segue a mesma sequência de outras escritas “Índicas’’ nem da escrita Árabe. Não há uma aparente lógica nessa ordem, dando a impressão para estudiosos que essa mistura indecifrável foi proposital para confundir a população da ilha. Era usada inicialmente para escrever encantamentos mágicos ditos fadinta. Isso incluiu o desenvolvimento estilo árabe, da direita para a esquerda. Os maldivenses mais cultos, que eram também versados em feitiçaria, teriam visto vantagens nesse sistema de difícil interpretação e Tāna foi aos poucos sendo adotada no dia a dia. [1]

Tāna chegou a desaparecer por um breve período na história recente quando por volta doas anos 70, na presidência de Ibrahim Nasir, as máquinas de telégrafo foram introduzidas pelo governo das Maldivas para administração local. Os equipamentos de telex foram vistos como um grande progresso, porém, a Tāna foivista como um obstáculo, pois as máquinas só escreviam em alfabeto latino. A partir daí, uma transliteração Malé da escrita latina para o Divehi foi oficialmente aprovada pelo governo em 1976, sendo rapidamente implementada em toda a administração. Livros orientativos foram impressos e despachados para todos os postos “Atoll and Island Offices”, para escolas e navios cargueiro. Parecia ser o fim da escrita Thaana.

A escrita latina para Divehi usa indiscriminadamente "h"s para sons mesmo não aspirados, em clara oposição com a fonética normal das línguas índicas. Também eram usadas certas combinações de letras e apóstrofos para alguns sons de origem árabe, os quais ignoravam completamente as transliterações árabes a aceitas em círculos acadêmicos de todo o mundo. As vogais longas "oo" e "ee" vieram do inglês, reminiscências de transcrições coloniais.

O antropologista norte-americano Clarence Maloney que viia nas Maldivas quando dessa mudança para escrita latina lamentou essas grosseiras inconsistências do “latim Dhiveh” e questionou porque não se usava a transcrição IPA do Sânscrito em lugar dessa latina.[2]

A escrita Tāna foi novamente implementada pelo Presidente Maumoon Abdul Gayoom pouco depois de sua posse em 1978, mas a transcrição em alfabeto latino continua em pleno uso.

Caracteres[editar | editar código-fonte]

Thaana ocupa os pontos de códigos Unicode de 1920 a 1983 (hexadecimal 0780-07BF). Como exemplo, ver o hino das Maldivas, Gaumii salaam.

Caracteres da escrita Thaana
(vogais mostradas com um alifu carrier)
Grafema Nome Romanização Nasiri IPA valor
ހ
haa h [h]
ށ
shaviyani talvez entre sh & r
talvez ng}}
retroflex [ʃ]/[ɽ]
[ŋ]
ނ
noonu n [n̪]
ރ
raa r [ɾ]
ބ
baa b [b]
ޅ
lha viyani lh [ɭ]
ކ
kaafu k [k]
އ
alifu varia ver artigo
ވ
vaavu v [ʋ]
މ
meemu m [m]
ފ
faafu f [f]
ދ
dhaalu dh [d̪]
ތ
thaa th [t̪]
ލ
laamu l [l]
ގ
gaafu g [ɡ]
ޏ
gnaviyani gn [ɲ]
ސ
seenu s [s̺]
ޑ
daviyani d [ɖ]
ޒ
zaviyani z [z̺]
ޓ
taviyani t [ʈ]
ޔ
yaa y [j]
ޕ
paviyani p [p]
ޖ
javiyani j [dʒ]
ޗ
chaviyani ch [tʃ]
ޘ
ttaa Árabe p/ Dhivehii
transliteração
caracteres
ޙ
hhaa
ޚ
khaa
ޛ
thaalu
ޜ
zaa Inglês p/ Dhivehi
transliteração [ʒ]
ޝ
sheenu àrabe p/ Dhivehi
transliteraçãon
caracteres
ޞ
saadhu
ޟ
daadhu
ޠ
to
ޡ
zo
ޢ
aïnu
ޣ
ghaïnu
ޤ
qaafu
ޥ
waavu
އަ
aba fili a [ə]
އާ
aabaa fili aa [əː]
އި
ibi fili i [i]
އީ
eebee fili ee [iː]
އު
ubu fili u [u]
އޫ
ooboo fili oo [uː]
އެ
ebe fili e [e]
އޭ
eybey fili ey [eː]
އޮ
obo fili o [ɔ]
އޯ
oaboa fili oa [ɔː]
އް
sukun varia ver artigo
ޱ
na viyani [ɳ]

Unicode[editar | editar código-fonte]

Thaana foi adicionada à codificação Unicode em setembro de 1999, na versão 3.0 – bloco Thaana U+0780–U+07BF:

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Xavier Romero-Frias, The Maldive Islanders, A Study of the Popular Culture of an Ancient Ocean Kingdom. ISBN 84-7254-801-5
  2. Clarence Maloney; People of the Maldive Islands

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bell , H.C.P. The Maldive islands. Monograph on the History, Archaeology and Epigraphy. Reprint 1940 edn. Male' 1986.
  • H.C.P. Bell, The Maldive Islands, An account of the physical features, History, Inhabitants, Productions and Trade. Colombo 1883, ISBN 81-206-1222-1
  • Bell , H.C.P. Excerpta Maldiviana. Reprint 1922-1935 edn. New Delhi 1998.
  • Divehi Bahuge Qawaaaid. Vols 1 to 5. Ministry of Education. Male' 1978.
  • Divehīnge Tarika. Divehīnge Bas. Divehibahāi Tārikhah Khidumaykurā Qaumī Majlis. Male’ 2000.
  • Gair, James W. & Cain, Bruce D. (1996), "Divehi Writing" in Peter T. Daniels & William Bright, ed., The World's Writing Systems, New York: Oxford University Press, pp. 564–568. ISBN 0-19-507993-0.
  • Xavier Romero-Frias, The Maldive Islanders, A Study of the Popular Culture of an Ancient Ocean Kingdom. ISBN 84-7254-801-5
  • Geiger, Wilhelm. Maldivian Linguistic Studies. Reprint 1919 edn. Novelty Press. Male’ 1986.
  • Ager, Simon. Thaana (Maldivian) script. Omniglot, writing systems & languages of the world. Página visitada em 2006-09-12.

Referências externas[editar | editar código-fonte]