Hieronymus Fabricius

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Girolamo Fabrizio (1537-1619)

Girolamo Fabrizio (sinonímia Hieronymus Fabricius ab Aquapendente, Girolamo Fabrizi d'Acquapendente (Acquapendente, Itália, 20 de Maio de 153721 de maio de 1619) foi um cirurgião e anatomista italiano. É considerado pioneiro nas ciências médicas e conhecido também como "O Pai da Embriologia".

Vida[editar | editar código-fonte]

Nascido na cidade de Acquapendente, no Lácio, Fabricius estudou na Universidade de Pádua, recebendo o grau de Doutor em Medicina em 1559 sob a amorosa asssistência de Gabriele Falloppio. Foi professor particular de Anatomia em Pádua de 1562 a 1565, tornando-se (1565) professor de cirurgia e de anatomia na universidade, como sucessor de Falloppio.

Em 1595 revolucionou o ensino de anatomia ao projetar o primeiro teatro permanente para dissecações públicas de anatomia. Julius Casserius (1561-1616) de Piacenza foi um dos alunos de Fabricius. William Harvey (1578-1657) e Adriaan van den Spiegel (1578-1625) também tiveram aulas com Fabricius por volta de 1598. Julius Casserius mais tarde sucederia Fabricius como Professor de Anatomia na Universidade de Pádua em 1604, e Adriaan van den Spiegel mais tarde seria o sucessor de Casserius em 1615.

Através da dissecações de animais, Fabricius estudou a formação do feto, a estrutura do esôfago, do estômago e dos intestinos, e as peculiaridades dos olhos, dos ouvidos, e da laringe. Depois dos trabalhos preliminares de Andreas Vesalius, Amatus Lusitanus (1511-1568) e Franciscus Sylvius, Fabricius foi o primeiro a fazer uma descrição precisa das válvulas venosas em sua obra De venarum Ostiolis em 1603. Charles Estienne (1504-1564) já as havia descrito anteriormente. Estas válvulas cumprem o papel de impedir o retorno do fluxo sanguíneo dentro das veias, facilitando assim o fluxo do sangue anterógrado em direção ao coração, embora Fabricius não entendesse exatamente o seu papel naquela época.

Em sua Tabulae Pictae, publicada pela primeira vez em 1600, Fabricius descreveu a fissura que divide o lobo temporal dos lobos frontais. Todavia, a descoberta de Fabricius não tinha sido reconhecida até recentemente. Por outro lado, o anatomista dinamarquês Caspar Bartholin, O Velho (1585-1629) creditou a Franciscus Sylvius essa descoberta, e seu filho, o também anatomista Thomas Bartholin, veio a chamá-la de fissura de Silvius em 1641 na edição de seu compêndio sobre Instituitiones anatomicae.

A Bolsa de Fabricius (local onde ocorre a hematopoiese dos pássaros) tem esse nome em homenagem a Fabricius. Um manuscrito intitulado De Formatione Ovi et Pulli (Sobre a Formação do Ovo e da Galinha), encontrado entre suas anotações médicas após sua morte, foi publicado em 1621. Nessa obra foi encontrada a primeira descrição da bolsa.

Fabricius contribuiu enormemente para o campo da cirurgia. Embora na prática ele nunca tivesse realizado um traqueotomia, seus escritos incluem descrições a respeito dessa prática cirúrgica. Ele favoreceu o uso da incisão vertical e foi o primeiro a introduzir o conceito de um tubo de traqueotomia. Este era uma cannula (pequeno tubo) reto e curto dotado de alças para impedir que o tubo desaparecesse na traqueia. Ele recomendava a operação somente como último recurso, a ser utilizada em casos de obstrução aérea por corpos estranhos ou secreções. A descrição de Fabricius sobre o procedimento da traqueotomia é similar a aquele utilizado hoje.

Julius Casserius publicou seus próprios escritos a respeito da técnica e dos equipamentos utilizados na traqueotomia. Casserius recomendou o uso de um tubo de prata curvo com diversos buracos internos. Marco Aurelio Severino (1580-1656), habilidoso cirurgião e anatomista italiano, realizou pelo menos uma traqueotomia durante uma epidemia de difteria na cidade de Nápolis em 1610, usando a técnica de incisão vertical recomendada por Fabricius.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências Externas[editar | editar código-fonte]