Hiperuricemia

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A hiperuricemia é a presença de níveis altos de ácido úrico no sangue. O limite normal para homens é de 6,8 mg/dL, e 6 mg/dL para mulheres.[1]

Os seres humanos não produzem a urato oxidase, enzima que degrada o ácido úrico. Níveis elevados desta substância podem levar à Gota (doença) e, em alguns casos, acometimento renal (nefrolitíase por uratos).

Causas e epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Níveis de ácido úrico no plasma acima de 6 mg nas mulheres e 7 mg nos homens ocorrem em 15% da população acima de 40 anos. Geralmente assintomática, está relacionada a outras doenças, como diabete mellitus, hipertiroidismo, uso prolongado de diuréticos, ingestão alcoólica e obesidade. A hiperuricemia pode ocorrer por superprodução ou por diminuição da excreção renal e intestinal de ácido úrico.

Costuma ocorrer mais nos homens a partir da puberdade, com maior incidência a partir dos 30;40 anos e, nas mulheres, na menopausa. A hiperuricemia pode ser de duas categorias: Primária, quando o ácido úrico está elevado no sangue, independente de doenças coexistentes ou drogas que alterem a produção e excreção dos uratos. Secundária, quando a elevação se deve a doenças existentes, drogas e dietas que alteram a produção e excreção de ácido úrico. A hiperuricemia, em 75% dos pacientes, é assintomática. Em 25%, podem ocorrer sintomas como: gota, artrite, litíase (cálculos renais), doenças renais (nefrite) e formação de depósitos de ácido úrico nos tecidos (tofos). A hiperuricemia assintomática costuma ocorrer freqüentemente com abuso do álcool, obesidade e uso crônico de drogas que inibem a excreção de ácido úrico como antiinflamatórios — ácido acetil salicílico (aspirina) — e diuréticos. A presença de hiperuricemia é associada a fatores de risco como hipertensão arterial, hiperlipidemia, diabete e alterações vasculares coronárias.

O amplo consumo de alimentos ricos em purinas é reconhecido como uma das causas da hiperuricemia, apesar de ser comprovadamente um fator menor se comparado ao metabolismo proteico de origem endógena.[2] A composição das bases púricas nos alimentos é variável, mas estudos sugerem que dietas ricas em adenina e hipoxantina são mais eficazes no aumento da hiperuricemia.[3]

Além disso, ela também pode ser causada por defeitos genéticos, que alteram o ciclo de formação de urato.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Tendo em vista que a hiperuricemia é um fator de risco para as doenças cardiovasculares, deve-se manter o ácido úrico plasmático normal. Para isso, é preciso que o médico oriente o tratamento adequado. No tratamento da hiperuricemia é necessário: evitar o ataque agudo de artrite úrica (gota); usar anti-inflamatórios nas crises de dor; usar hipouriceminates ou uricosúricos nos pacientes (de acordo com suas condições clínicas, decisão a ser tomado pelo médico); fazer a profilaxia da recorrência das artrites, litíase, nefrite e gota; diminuir os fatores predisponentes como álcool, dieta inadequada e medicações que diminuam a excreção de ácido úrico pelo rim; prevenir e reverter a deposição de cristais de uratos nas articulações, ossos e tecidos; prolongar por tempo suficiente o tratamento para que os uratos sejam desmobilizados dos tecidos e ossos e que o valor plasmático do ácido úrico volte ao normal.

A dieta é um item do tratamento do ácido úrico, mas não o único (ou necessariamente importante). Os alimentos não recomendados para os pacientes com hiperuricemias são: os ricos em purinas, como as carnes e os miúdos em geral (fígado, coração, língua e rins), peixes pequenos, sardinhas, truta, anchova, frutos do mar como mexilhão, camarão e ovas de peixes. Caldos e ensopados devem ser evitados porque o ácido úrico é muito hidrossolúvel e, quando as carnes são cozidas em água, o ácido úrico se difunde nos líquidos. Certos grãos como feijão, grão de bico, ervilha, lentilha e grãos integrais têm muita purina e também devem ser evitados. Por fim, cabe dizer que toda dieta, por melhor que seja feita, só pode baixar em torno de 25% (aproximadamente 1 mg) dos valores plasmáticos do ácido úrico.

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Referências

  1. Chizyński K, Rózycka M. (2005). "Hyperuricemia" (em Polish). Pol. Merkur. Lekarski 19 (113): 693-6. PMID 16498814.
  2. GUYTON — Fisiologia Médica
  3. Brule, D. Sarwar, G. and Savoie. (1992). "Changes in Serum Uric Acid Levels in Normal Human Subjects Fed Purine-Rich Foods Containing Different Amounts of Adenine and Hypoxanthine". Journal of American College of Nutrition 11 (3): 353&ndsh;358.