História de São João del-Rei

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Ocupação indígena[editar | editar código-fonte]

"Dança dos puris", quadro de Johann Baptist von Spix (1781-1826)

Até a chegada dos primeiros bandeirantes, no século 16, o sul de Minas Gerais era habitado pelos índios puris.[1]

Primórdios da ocupação europeia[editar | editar código-fonte]

O antigo "Arraial Novo do Rio das Mortes" deu origem à cidade de São João del-Rei. Os primeiros sinais de ocupação europeia da região remontam a 1701. Na região do atual Centro da cidade, os primeiros sinais de ocupação na área onde se erigiu o arraial remontam a 1704, quando o paulista Lourenço Costa descobre ouro no Ribeirão de São Francisco Xavier, ao norte da encosta da Serra do Lenheiro. Nessa época, Lourenço Costa trabalhava como escrivão no Porto Real da Passagem, local onde Antônio Garcia da Cunha, genro e sucessor de Tomé Portes del-Rei, explorava a travessia do rio das Mortes.

Com a descoberta, as terras são distribuídas visando à exploração do ouro de aluvião às margens do ribeirão. Pouco tempo depois, o português Manoel José de Barcelos encontra mais ouro na encosta sul da Serra do Lenheiro, num local chamado Tijuco. Aí, se fixa o terceiro núcleo de povoamento da região (já existiam o Arraial Velho do Rio das Mortes e o Porto Real da Passagem), que daria origem ao "Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar" ou "Arraial Novo do Rio das Mortes".

Como outros arraiais mineradores, o povoado surge a partir de uma capela (erguida, neste caso, em devoção a Nossa Senhora do Pilar), ao redor da qual vão se fixando bandeirantes e aventureiros, que chegam à região atraídos pelo ouro. As casas de taipa são edificadas e, aos poucos, novas capelas e moradias vão formando outros aglomerados urbanos.

Conflitos pelo ouro: Guerra dos Emboabas[editar | editar código-fonte]

As rivalidades e a disputa pela posse de datas auríferas geram conflitos permanentes, que culminam na Guerra dos Emboabas. Eram chamados emboabas os que não haviam nascido na Capitania de São Vicente e que, para os paulistas, não deviam receber terras na região das minas. O conflito teve como causas principais a exploração do ouro e o direito de posse dos novos territórios conquistados. Assim, entre 1707 e 1709, paulistas revoltam-se contra os "forasteiros", chamados por eles de "emboabas", em sua maioria portugueses e indivíduos oriundos de outras capitanias da América portuguesa, que, liderados pelo comerciante Manuel Nunes Viana, saem vitoriosos do movimento.

Elevação a Cidade[editar | editar código-fonte]

Já bastante próspera, em 1713 a localidade é elevada a vila e recebe o nome de São João del-Rei em homenagem a Dom João V, rei de Portugal. No ano seguinte, é nomeada sede da Comarca do Rio das Mortes. Desde os tempos de sua formação, desenvolve-se aí uma vasta produção mercantil e de gêneros alimentícios, movida a trabalho escravo e resultante tanto da atividade agrícola quanto da pecuária. Essas características vão possibilitar o contínuo crescimento da localidade, que não sofre grandes perdas com o declínio da atividade aurífera, verificado em toda a Capitania das Minas Gerais a partir de 1750.

Igreja de Nossa Senhora das Mercês

Nessa época, a crise do sistema colonial agrava-se. A exploração do ouro entra em franca decadência, porém a Coroa Portuguesa continua a exigir pesados impostos da população. Essa situação conflitante faz crescer o nível de consciência de setores intermediários da sociedade, levando padres, militares, estudantes, intelectuais e funcionários das principais vilas mineiras, como São João del-Rei, São José del-Rei e Vila Rica, a conspirar contra a metrópole.

Em poucos anos, o movimento conhecido como Inconfidência Mineira toma corpo e ganha adeptos em cada arraial e vila da Capitania das Minas Gerais. Grandes planos são traçados tendo em vista a produção de bens de consumo e a defesa da liberdade comercial, o que descartaria a política monopolizadora da metrópole. A Vila de São João del-Rei é escolhida para abrigar a nova capital. Porém, em 1789, o movimento é frustrado pela denúncia do coronel Joaquim Silvério dos Reis, devedor de somas altíssimas à Fazenda Real.

Elevação a cidade[editar | editar código-fonte]

Devido à vocação comercial de São João del-Rei, a sua feição colonial não é a mesma das demais vilas mineradoras da época. Já em princípios do século XIX, ela se mostra amadurecida comercialmente: lojas instaladas em elegantes casarões oferecem todo tipo de mercadoria, desde as produzidas na comarca até as importadas. Também é precoce o surgimento da imprensa, assinalado pela fundação, em 1827, do Astro de Minas, o segundo jornal de Minas Gerais na época.

Em 6 de março de 1838, a Vila de São João del-Rei torna-se cidade. Nessa época, possuía cerca de 1 600 casas, distribuídas em 24 ruas e 10 praças.

Quase capital do Estado[editar | editar código-fonte]

Ainda no século XIX, contava com casa bancária, hospital, biblioteca, teatro, cemitério público construído fora do núcleo urbano, além de serviços de correio e iluminação pública a querosene.

Desenvolve-se ainda mais com a inauguração em 1881 da primeira seção da Estrada de Ferro Oeste de Minas, que ligava as cidades da região a outros importantes ramais da Estrada de Ferro D. Pedro II. Em 1893, a instalação da Companhia Industrial São Joanense de Fiação e Tecelagem traz novo impulso à economia local, a tal ponto que a cidade é novamente indicada para sediar a capital de Minas Gerais. Em junho do mesmo ano, o Congresso Mineiro Constituinte aprova, em primeira discussão, a mudança da capital para a região da Várzea do Marçal, subúrbio de São João del-Rei. Mas, numa segunda discussão, o projeto inclui Barbacena e também Belo Horizonte, um planalto localizado no vale do Rio das Velhas, onde existia o antigo Arraial do Curral del-Rei.

Tombamento[editar | editar código-fonte]

Com a escolha da região do Curral del-Rei como capital estadual em dezembro de 1893, a importância econômica de São João del-Rei diminui gradativamente. Mas a cidade não perde seu charme colonial, sendo motivo de atenção dos modernistas brasileiros, que a visitam em 1924. Ela é registrada na obra de algumas das figuras mais representativas do movimento, como a pintora Tarsila do Amaral e o escritor Oswald de Andrade. Em 1943, seu acervo arquitetônico e artístico, composto por importantes edificações civis e religiosas, é tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Sphan.

Referências

  1. Idas Brasil. Disponível em http://www.idasbrasil.com.br/idasbrasil/cidades/Cambuquira/port/historia.asp. Acesso em 14 de março de 2014.
  • CINTRA, Sebastião de Oliveira. Galeria das personalidades notáveis de São João del-Rei. São João del-Rei: FAPEC, 1994.
  • CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei. Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1982.
  • COELHO, Ronaldo Simões. Primeira unidade psiquiátricva em hospital-geral no Brasil.In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, n.1, 1973. p. 4-9.
  • DANGELO, André G.D. (Org.). Origens históricas de São João del-Rei. Belo Horizonte: BDMG Cultural, 2006.
  • GUIMARÃES, Fábio Nelson. Fundação Histórica de São João del-Rei. São João del-Rei: Progresso, 1961.
  • GUIMARÃES, Fábio Nelson. Antônio Garcia da Cunha, o fundador de São João del-Rei. São João del-Rei. 1966.
  • GUIMARÃES, Fábio Nelson. Ruas de São João del-Rei. São João del-Rei: FAPEC, 1994.
  • GAIO SOBRINHO, Antônio. História do Comércio de São João del-Rei. São João del-Rei: Sindicato do Comércio, 1997.
  • GAIO SOBRINHO, Antônio. História da Educação em São João del-Rei. São João del-Rei: FUNREI, 2000.
  • GAIO SOBRINHO, Antônio. Visita à Colonial Cidade de São João del-Rei. São João del-Rei: FUNREI, 2001.
  • TIRADO, Abgar A. Campos. Nomes que ilustram nossa terra. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, n. 11, 2005. p. 155-171.
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