Igreja da Conceição Velha

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38°42'32"N, 9°8'2"W

Portal manuelino da Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha. No tímpano esculpido figura Nossa Senhora da Misericórdia com o seu manto cobrindo várias personalidades portuguesas do início do século XVI

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha é uma igreja localizada no centro de Lisboa, na Rua da Alfândega. Resultou da reconstrução após o terramoto de 1755 da antiga Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia de Lisboa, sede da primeira Misericórdia do país. A sua fachada é, juntamente com o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, uma das melhores estruturas do manuelinas sobreviventes ao grande terramoto. Está classificada como monumento nacional desde 1910.

Vista da antiga Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, Georg Braun e Frans Hogenberg, Civitates orbis terrarum (Colónia, 1598), vol. 5

A igreja está localizada na Baixa de Lisboa, perto da Praça do Comércio, na freguesia da Madalena. O edifício combina elementos de diferentes igrejas, resultado da reconstrução realizada após o terramoto de 1755, quando a maioria dos edifícios da cidade foi destruída.

A primitiva igreja existente no local, a Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia,[1] era o segundo maior templo da Lisboa manuelina a seguir ao Mosteiro dos Jerónimos, em Belém. Fora mandada edificar por D. Manuel I e concluida em 1534, como sede da Misericórdia instituída em 1498 por iniciativa de Leonor de Viseu, sua irmã e viúva de D. João II de Portugal, e do seu confessor Frei Miguel Contreiras. Quando o templo foi destruído pelo terramoto, os elementos resgatados foram incorporados na nova edificação que passou a chamar-se da Conceição Velha.

Com o terramoto ruiu também a Igreja da Conceição dos Freires, que D. Manuel doara em 1502 aos freires da Ordem de Cristo. Esta igreja fora instituida no lugar da sinagoga após a extinção da Judiaria Grande em 1496. A denominação Igreja da Conceição, passou para a nova igreja reconstruida.[1]

Pormenor do tímpano

Os elementos da Igreja da Misericórdia reutilizados na fachada, de estilo manuelino, combinam motivos decorativos tardo-góticos e renascentistas. O portal tem um notável tímpano esculpido com uma imagem de Nossa Senhora da Misericórdia; o seu manto, segurado por dois anjos, cobre o rei D. Manuel I, a rainha D. Leonor e Leonor de Viseu (irmã de D. Manuel I, viúva de D. João II e fundadora do Compromisso da Misericórdia de Lisboa), o Papa Alexandre VI, o bispo de Lisboa e outras personalidades religiosas. O portal e as janelas da fachada são decorados com um conjunto muito variado de temas renascentistas.

No interior pombalino, possuindo apenas uma nave, a capela do Santíssimo Sacramento da antiga Igreja da Misericórdia corresponde ao altar-mor. Na capela-mor encontra-se um quadro com dedicatória a Nossa Senhora do Restelo, oferta do Infante D. Henrique aos freires. O interior da igreja foi reconstruído no século XVIII e está decorado com azulejos e estuque trabalhado. A autoria é de Francisco António Ferreira Cangalhas e Honorato José Correia.

A Irmandade da Misericórdia foi transferida para Igreja Jesuíta de São Roque. Recebeu este nome para a diferenciar da igreja da Conceição Nova. Pertenceu à Misericórdia até 1768 e até 1834 aos freires de Cristo tiveram-na como templo seu.

Reabilitação[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 2013, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa anunciou o investimento de 1,1 milhões de euros na sua reabilitação. As obras de restauro vão avançar já no início de 2014 e, se tudo correr como planeado, no dia 8 de Dezembro desse ano abre portas a “nova” igreja[2] .

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SILVA, Raquel Henriques da, “Arquitectura religiosa pombalina”, Monumentos, Revista Semestral de Edifícios e Monumentos, n.º 21, Lisboa, Setembro 2004, p. 112.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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