Judiaria
Judiaria, judaria[1] ou bairro judeu era a parte de uma cidade em que eram obrigados, por lei, a residir os judeus.
Por extensão, este termo aplica-se a qualquer parte de um aglomerado populacional habitado maioritária ou exclusivamente por pessoas de cultura judaica.
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[editar] História
Os judeus apareceram no território português ainda antes do período da romanização, logo após a destruição do Primeiro Templo de Jerusalém pelos babilónios, ocorrida no ano 586 AEC.
No Al-andaluz, foi mantido um hábito, proveniente já das comunidades muçulmanas, que consistia em separar dentro da mesma localidade, os habitantes pelo seu credo religioso, apesar da relativa tolerância religiosa existente.
Esses locais ou zonas onde viviam os judeus, foram designados por Judiarias.
As primeiras judiarias em Portugal, foram a do Porto e a de Santarém (Álcáçova). Foi durante o reinado de D. Pedro I, que foram editados os primeiros diplomas legislativos, que obrigavam compulsivamente a separação entre judeus e cristãos, ou seja, a obrigatoriedade da existência de judiarias. A partir dessa época, todos os judeus deviam recolher-se nas judiarias durante a noite e as mulheres cristãs eram proibidas de ali entrar. Estas medidas foram mais nítidas nas grandes cidades pois nas povoações mais pequenas o diploma régio era quase que ignorado.
O termo deixou de existir oficialmente após as conversões forçadas de 1497, mas continuou a povoar o imaginário popular. Com o advento da introdução da Inquisição em Portugal, na primeira metade do século XVI, a propaganda antissemita inquisitorial haveria de transformar radicalmente o sentido da palavra, distorcendo-o até aos nossos dias.
As judiarias surgiram em princípio como resultado da intolerância praticada pelos cristãos e do desejo por parte dos judeus de manter sua unidade e exclusividade. O papa Paulo IV criou a primeira judiaria legal em Roma no ano 1555. Judiarias similares foram criadas na maioria dos países da Europa durante os três séculos seguintes. Deveriam estar rodeadas por muralhas e suas portas eram fechadas ao anoitecer. A abolição desse sistema produziu a raíz da Revolução Francesa e dos movimentos liberais do século XIX. Em 1870 a judiaria de Roma, a última legal que existia na Europa, foi abolida por Vítor Emanuel II, rei de Itália.
[editar] Calls
Call , do hebraico kahal (קהל), é a palavra utilizada em vários lugares do âmbito linguístico catalão para designar as juderias ou bairros judeus, só há referência ao espaço físico, em nenhum momento se utiliza este termo, como sinônimo de comunidade judia.
Os calls mais importantes são os de Barcelona, Gerona e Palma de Mallorca.
[editar] Arquitetura
As casas podiam ser de ladrilho, adobe e madeira. Por sua parte, as ruas eram pavimentadas com pedras. Muitas vezes estava rodeado de paliçadas, e pelas noites era fechada e era isolada do resto da cidade. Eram bairros separados, comparáveis a guetos nazistas.
[editar] Bibliografia
- Rede das judiarias de Portugal.
- Rota das Judiarias: Os judeus na Beira Interior.
- SIMÕES, J. M. Santos. Tomar e a sua judaria. Tomar: Museu Luso-Hebraico, 1992.
- TAVARES, Maria José Ferro. As judiarias de Portugal. Lisboa: Clube do Coleccionador dos Correios, 2010.ISBN 978-972-8968-27-4
[editar] Ver também
- Gueto — nome dados aos bairros judeus sobretudo na Europa Central e Oriental
- Mellah — designação das judiaria em Marrocos
[editar] Ligações externas
Notas
- ↑ Sobre o uso do termo «judaria» cf. SIMÕES, J. M. Santos. Tomar e a sua judaria. Tomar: Museu Luso-Hebraico, 1992.

