Linguística aplicada

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Linguística aplicada é um campo interdisciplinar de estudo que identifica, investiga e oferece soluções para problemas relacionados com a linguagem da vida real. Alguns dos campos acadêmicos relacionados à linguística aplicada são educação, linguística, psicologia, antropologia e sociologia.

Esforços de descrição e de regulamentação: concepções estritas de linguística.

Provavelmente, a maior parte do trabalho feito, atualmente, sob o nome de linguística constitui-se puramente descritivo. Os seus autores procuram clarificar a natureza da linguagem sem usar juízos de valor ou tentar influenciar o seu desenvolvimento futuro. Há, também, alguns profissionais (e mesmo amadores) que visam estabelecer regras para a linguagem, sustentando um padrão particular que todos devem seguir.

As pessoas atuantes nesses esforços de descrição e regulamentação possuem sérias desavenças sobre como e por que razão a linguagem deve ser estudada. Esses dois grupos podem descrever o mesmo fenômeno de modos diferentes, em linguagens diferentes. Aquilo que, para um grupo é uso incorreto, para o outro é uso idiossincrático, ou apenas simplesmente o uso de um subgrupo particular (geralmente menos poderoso socialmente do que o subgrupo social principal, que usa a mesma linguagem).

Em alguns contextos, as melhores definições de linguística e linguista podem ser: aquilo estudado em um típico departamento de linguística de uma universidade e a pessoa que ensina em tal departamento. A linguística, nesse sentido estrito, geralmente não se refere à aprendizagem de outras línguas que não a nativa do estudioso (exceto quando ajuda a criar modelos formais de linguagem).

Especialistas em linguística não realizam análise literária e não se aplicam a esforços para regulamentar como aqueles encontrados em livros como The Elements of Style (Os Elementos de Estilo, em tradução livre), de Strunk e White. Os linguistas procuram estudar o que as pessoas fazem nos seus esforços para comunicar usando a linguagem e não o que elas deveriam fazer.

Divisões da linguística

Os linguistas dividem o estudo da linguagem em certo número de áreas que são estudadas mais ou menos independentemente. Estas são as divisões mais comuns:

  • fonética, o estudo dos diferentes sons empregados em linguagem;
  • fonologia, o estudo dos padrões dos sons básicos de uma língua;
  • morfologia, o estudo da estrutura interna das palavras.
  • sintaxe, o estudo de como a linguagem combina palavras para formar frases gramaticais.
  • semântica, podendo ser, por exemplo, formal ou lexical, o estudo dos sentidos das frases e das palavras que a integram;
  • lexicologia, o estudo do conjunto das palavras de um idioma, ramo de estudo que contribui para a lexicografia, área de atuação dedicada à elaboração de dicionários, enciclopédias e outras obras que descrevem o uso ou o sentido do léxico;
  • terminologia, estudo que se dedicada ao conhecimento e análise dos léxicos especializados das ciências e das técnicas;
  • estilística, o estudo do estilo na linguagem;
  • pragmática, o estudo de como as oralizações são usadas (literalmente, figurativamente ou de quaisquer outras maneiras) nos atos comunicativos;
  • filologia é o estudo dos textos e das linguagens antigas.

Nem todos os lingistas concordam que todas essas divisões tenham grande significado. A maior parte dos linguistas cognitivos, por exemplo, acha, provavelmente, que as categorias "semântica" e "pragmática" são arbitrárias e quase todos os linguistas concordariam que essas divisões se sobrepõem consideravelmente. Por exemplo, a divisão gramática usualmente cobre fonologia, morfologia e sintaxe.

Ainda existem campos como os da linguística teórica e da linguística histórica. A linguística teórica procura estudar questões tão diferentes sobre como as pessoas usando suas particulares linguagens conseguem realizar comunicação, quais propriedades todas as linguagens possuem em comum, qual conhecimento uma pessoa deve possuir para ser capaz de usar uma linguagem e como a habilidade linguística é adquirida pelas crianças.

A linguagem no tempo

Os linguistas se dividem entre os que estudam a linguagem em um dado ponto do tempo (geralmente o presente, linguística sincrônica) e aqueles que estudam sua evolução através do tempo (linguística diacrônica), séculos, por vezes.

Geralmente, os linguistas de um campo acham que o outro campo é menos interessante e fornece menos possibilidade de compreensão dos problemas da linguagem.

A linguística histórica, dominante no século XIX, tem por objetivo classificar as línguas do mundo de acordo com suas afiliações e descrever o seu desenvolvimento histórico. Na Europa do século XIX, a linguística privilegiava o estudo comparativo histórico das línguas indo-europeias, preocupando-se especialmente em encontrar suas raízes comuns e em traçar seu desenvolvimento. Nos Estados Unidos, onde começou a se desenvolver, no final do século XIX, houve uma concentração sobre a documentação de centenas de línguas nativas que foram encontradas na América do Norte.

A preocupação com a descrição das línguas espalhou-se pelo mundo e milhares dessas foram analisadas em vários graus de profundidade. Quando esse trabalho esteve em desenvolvimento no início do século XX na América do Norte, os linguistas se confrontaram com línguas cujas estruturas diferiam fortemente do paradigma europeu, mais familiar, de forma que começaram a aperceber-se de que necessitavam desenvolver uma teoria da estrutura das línguas e métodos de análise.

Fora de tais preocupações, desenvolveu-se o campo conhecido como linguística estrutural, cujos pioneiros são Franz Boas, Edward Sapir e Leonard Bloomfield.

Para a linguística histórico-comparativa ser aplicada a línguas desconhecidas, o trabalho inicial do linguista era fazer sua descrição completa. A linguagem verbal era, geralmente, vista como consistindo de vários níveis, ou camadas, e, supostamente, todas as línguas naturais humanas tinham o mesmo número desses níveis.

O primeiro nível é a fonética, que se preocupa com os sons da língua sem considerar o sentido. Na descrição de uma língua desconhecida esse era o primeiro aspecto estrutural a ser estudado. A fonética divide-se em três: articulatória, que estuda as posições e os movimentos dos lábios, da língua e dos outros órgãos relacionados com a produção da fala (como as cordas vocais); acústica, que lida com as propriedades das ondas de som; e auditiva, que lida com a percepção da fala.

O segundo nível é a fonologia, que identifica e estuda os menores elementos distintos (chamados de fonemas) que podem diferenciar o significado das palavras. A fonologia também inclui o estudo de unidades maiores como sílabas, palavras e frases fonológicas e de sua acentuação e entonação.

No nível seguinte, são analisadas as unidades com as quais as palavras são montadas, os "morfemas". Esses são as menores unidades da gramática: raízes, radical, e afixos. Os falantes nativos reconhecem os morfemas como gramaticalmente significantes ou significativos. Eles podem freqüentemente ser determinados por uma série de substituições. Um falante de inglês reconhece que "make" é uma palavra diferente de "makes", pois o sufixo "-s" é um morfema distinto. Em inglês, a palavra "morfeme" consiste de dois morfemas, a raiz "morph-" e o sufixo "-eme"; nenhum dos quais tinha ocorrência isolada na língua inglesa por séculos, até "morph" ser adotado em linguística para a realização fonológica de um morfema e o verbo "to morph" ter sido cunhado para descrever um tipo de efeito visual feito em computadores. Um morfema pode ter diferentes realizações (morphs) em diferentes contextos. Por exemplo, o morfema verbal "do" do inglês tem três pronúncias bem distintas nas palavras "do", "does" (com o sufixo "-es")e "don't" (com a aposição do advérbio "not" em forma contracta "-n't"). Tais diferentes formas de um morfema são chamados de alomorfos.

Os padrões de combinações de palavras de uma linguagem são conhecidos como sintaxe. O termo gramática usualmente cobre sintaxe e morfologia, o estudo da formação da palavra. Semântica é o estudo dos significados das palavras e das construções sintáticas.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALLEN, J.P.B. & P. The Edinburg Course in Applied Linguistics. London: Oxford University Press. 1973. Vol I.
    • The Edinburg Course in Applied Linguistics. London: Oxford University Press. 1975. Vol II.
    • The Edinburg Course in Applied Linguistics. London: Oxford University Press. 1974. Vol III.
    • The Edinburg Course in Applied Linguistics. London: Oxford University Press. 1977. Vol IV.
  • BASTOS, Lúcia K.X., Mattos, Maria Augusta (eds.) Trabalhos em Lingüística Aplicada. 22. Campinas. UNICAMP/IEL. 1993.
  • GRABE, William & Kapplan, Robert. Becoming an Applied Linguist. In GRABE, William & Kapplan, Robert. (eds). Introduction to Applied Linguists. Reading, Mass.: Addison-Wesley. 1991. 33-58.
  • KEHOE, Monika. Applied Linguistics: A Survey for Language Teachers. London: Collier-Macmilliam International. 1968.
  • MOITA LOPES, Luiz Paulo. Oficina de Lingüística Aplicada. A Natureza Social e Educacional dos Processos de Ensino/Aprendizagem de Línguas. Campinas: Mercado de Letras. 1996.
  • STREVENS, Peter. Applied Linguistics: An Overview. In: In GRABE, William & Kapplan, Robert. (eds). Introduction to Applied Linguists. Reading, Mass.: Addison-Wesley. 1991. 13-31.
  • WIDDOWSON, Henry G. Explorations in Applied Linguistics 2. Oxford: Oxford University Press. 1984.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Linguística

Divisões
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Tipos de linguística
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