Linguística cognitiva

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A lingüística cognitiva abarca os lingüistas adeptos de uma abordagem do estudo da língua que se baseia na percepção e conceitualização humana do mundo, ou seja predominam os estudos sobre a semântica e os significados ao invés dos estudos da gramática ou descrição da língua [1] Segundo Chiavegatto inicialmente os estudos e as pesquisas com foco no significado, foram relegadas ao segundo plano, porque ainda não tinham sido encontrados critérios adequados para tratar cientificamente do interrelacionamento entre as formas linguísticas, aspectos cognitivos e eventos sociais e culturais para a descrição do funcionamento da linguagem, os primeiros linguistas deram prioridade aos estudos com foco no significante, pois isto permitiria que a ciência da linguagem marcasse sua autonomia diante das demais ciências sócio-humanas modernas. [2]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

No século XX, a abordagem mais influente no estudo da linguagem foi o estruturalismo: os lingüistas se interessaram muito pelos aspectos descritivos e meramente estruturais dos próprios sistemas lingüísticos, tais como o sistema de sons e o sistema da gramática. Uma característica central do estruturalismo é que ele focaliza a estrutura interna da língua, e não o modo como a língua se relaciona com o mundo não-lingüístico. Nem a língua é vista como um sistema autônomo (como no estruturalismo), nem a faculdade da linguagem é vista como uma faculdade autônoma (como na abordagem da Gramática Gerativa). Alguns dos principais linguistas dessa corrente são George Lakoff, Ronald Langacker, Leonard Talmy e Gilles Fauconnier.

Para Chiavegatto (o.c.) foi com Edward Sapir em 1921, que a relação entre língua e cultura começou a ser estudada do ponto de vista da especificidade cultural e relação entre a língua e o povo que dela se utiliza para a comunicação.

A lingüística cognitiva é uma abordagem interacional de vertente sociocognitiva da linguagem, isto é, estuda as relações e interações entre os indivíduos por meio de atividades lingüísticas. Segundo essa nova tendência, parte-se do pressuposto de que a língua não é meramente um instrumento de representação do mundo, pois há uma dinâmica relação entre a linguagem, o mundo e os sentidos que emergem dessa relação. Para os adeptos desta nova teoria, os “objetos” do mundo não espelham objetivamente a realidade das coisas, pois o signo lingüístico não é imutável. Há que se considerar os contextos de produção e de recepção, os aspectos discursivos, interacionais, sócio-cognitivos e históricos da linguagem. Dessa forma, os objetos por meio dos quais os sujeitos compreendem o mundo são elaborados nas práticas discursivas situadas, ou seja, em contextos de interação linguística. Alguns dos principais estudiosos dessa vertente: MONDADA L. ; DUBOIS, D.; KOCH, I. V. G.; MARCUSCHI, L. A.; SCHWARZ, M. F.

Nessa abordagem questões lingüísticas e psicológicas estão estreitamente imbricadas, na medida em que todas duas são concernentes às práticas e aos discursos, cabendo a ressalva que tais pontos de vista devem ser diferenciadas a fim de evitar uma redução de um nível a outro. O fundamento comum de tais abordagens é a importância concedida à dimensão intersubjetiva das atividades lingüísticas e cognitivas, responsáveis pela produção da ilusão de um mundo objetivo (da objetividade do mundo), “pronto” para ser percebido cognitivamente pelos indivíduos racionais. [3]

Referências

  1. LANGACKER, Ronald W. A linguagem e sua estrutura. Petrópolis, RJ, Vozes, 1972 p.14
  2. CHIAVEGATTO, Valeria Coelho. Introdução à linguistica cognitiva. matraga, rio de janeiro, v.16, n.24, 77-96, jan./jun. 2009 PDF - Acesso Maio, 2014
  3. MONDADA, Lorenza. Construction des objets de discours et catégorisation: une approche des processus de référenciation. (Tradução: Mônica Magalhães Cavalcante) Rev. de Letras - N0. 24 - Vol. 1/2 - jan/dez. 2002 PDF Acesso Maio, 2014

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Augusto Soares da Silva. A Lingüística Cognitiva — Uma breve introdução a um novo paradigma em Linguística. Revista portuguesa de humanidades Acesso Maio, 2014
  • Lorenza Mondada Acesso Maio, 2014
  • Letícia Queiroz de Moraes. Processos cognitivos na constituição dos significados lingüísticos. Anais do VI Congresso Nacional de Lingüística e Filologia - 26 a 30 de agosto de 2002 (FEUDUC e UERJ) Acesso em maio de 2014


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