Manuela de Paula Ferreira

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Manuela de Paula Ferreira, imagem do século XIX

Manuela de Paula Ferreira (ou Manuela Amália Ferreira) (Pelotas, 8 de julho de 1820 - Pelotas, 26 de janeiro de 1903), filha de Francisco de Paula Ferreira e Maria Manuela Meireles. Era sobrinha de Bento Gonçalves da Silva. É conhecida por alimentar uma paixão platônica pelo revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, que a citou em suas memórias.[1] [2] Tornou-se assim uma figura de certa importância durante a Revolução Farroupilha ao ser celebrizada com certa licença poética na memória popular, na literatura e na TV como "a noiva de Garibaldi"[3] .

Manuela teria tido um breve relacionamento com Giuseppe Garibaldi e teriam tornado-se noivos secretamente, pois a família de Manuela não achava que Garibaldi fosse ser um bom marido, pois o mesmo não tinha recursos para dar uma boa vida para Manuela. Os dois mesmo sabendo da oposição da família planejaram-se casar secretamente e fugir, mas Bento Gonçalves tinha antes uma missão para Garibaldi em Laguna, no estado de Santa Catarina, onde Garibaldi conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, chamava logo depois de Anita Garibaldi. Manuela ainda tinha esperanças de que Garibaldi voltasse pois Anita era casada. Mas logo veio a notícia de que Anita estava grávida, e esse era a única circunstância que faria com que Manuela desistisse de Garibaldi.

Logo assim que Menotti nasceu, Garibaldi decidiu ir embora do Rio Grande do Sul, pois sabia que a guerra já estava perdida. Em 1849, Anita morreu aos 28 anos na Itália lutando pela unificação italiana, ao lado de Garibaldi. Manuela, ao saber dessa notícia, ficava todos os dias à espera de Garibaldi. Seus familiares julgavam que ela estava louca, assim como a sua irmã Rosário. Mas como todos esperavam, Garibaldi nunca foi ao seu encontro. Mas Manuela nunca desistiu e morreu a espera do homem de seus sonhos Giuseppe Garibaldi.

No entanto, essas informações não são comprovadas, podendo não passar de mitos e conjecturas sobre o nome de Manuela, uma vez que é certa sua paixão por Garibaldi, mas não há nenhum indício que foi correspondida. A cronologia militar da Revolução Farroupilha registra que, em 17 de abril de 1839, Garibaldi dedicava-se a montar um estaleiro às margens do rio Camaquã, na estância de dona Ana, irmã de Bento Gonçalves, quando foi atacado de surpresa por uma força legalista de 150 homens, sob o comando de Moringue. Consegue mesmo assim desvencilhar-se da armadilha; contando com o auxílio de mais 11 companheiros (de início eram apenas ele e o cozinheiro da estância), com muita astúcia e coragem derrota o adversário, e no mesmo dia comunica o fato, com detalhes, ao comando superior. Destaca, no relatório, que cabia "toda a glória aos 11 bravos de que acima fiz menção, cujos nomes levarei à presença do governo, para que sejam devidamente premiados."

Muito anos depois nas suas Memórias, o italiano Garibaldi, célebre "herói de dois mundos", acrescenta ao episódio uma observação particular - melhor, uma pequena nota íntima, uma curta confissão. Diz assim: "Nós celebrávamos a vitória, gozando o fato de ter sido salvos de uma tempestade. Na [sede da] estância, a 12 milhas, uma virgem empalidecia e rezava pela minha vida; mais doce do que a vitória, me surpreendia a notícia. Sim, belíssima filha do Continente, eu era orgulhoso e feliz de te pertencer, fosse como fosse: tu, destinada a ser mulher de outro! A mim, a sorte reservava outra brasileira!"[4] Portanto, não era Ana de Jesus Ribeiro, a Anita, que empalidecia e rezava: ele só conhecerá sua famosa e brava companheira três ou quatro meses depois - não se sabe rigorosamente em que data - na província de Santa Catarina. Tampouco Anita era virgem: em julho ou agosto de 1839 já estava casada, há quatro anos (desde os 15), com Manuel Duarte de Aguiar, mais conhecido em Laguna como Manuel dos Cachorros. Essa, a belíssima filha do Continente, Garibaldi conhecera, no início do ano, na própria estância da família de Bento Gonçalves. Era sobrinha do então presidente da República Rio-Grandense, filha de outra das suas irmãs, dona Maria Manuela. Garibaldi mesmo é que afirma, em outra passagem das Memórias, que na estância de dona Ana havia três moças, "uma mais graciosa do que a outra"[1] , na verdade três irmãs; no entanto, "uma delas, Manuela, dominava absolutamente a minha alma. Não deixei de amá-la, embora sem esperança, porque estava prometida a um filho do presidente".[1]

Em relação ao tema, há pouco tempo se conhece (desde 1973), graças às pesquisas do historiador italiano Salvatore Candido, duas cartas dirigidas por Luigi Rosseti a Giovanni Battista Cuneo. Em 19 de janeiro de 1839 (meses antes do episódio mencionado neste primeiro parágrafo), informa o remetente: "Garibaldi esteve extremamente doente. Mas restabeleceu-se e ameaça se casar. Me escreveu pedindo que eu lhe sirva de mentor. Imagine se o farei." Em 7 de fevereiro, retoma o assunto: "Garibaldi está apaixonado e ameaça se casar. Mas não vai fazê-lo, de jeito nenhum. Ele me prometeu."

Temos, pois, de um lado, o depoimento de Rosseti, considerando-se responsável pela desistência de Garibaldi, certamente por não confiar na estabilidade do seu compatriota no que dizia respeito aos assuntos do coração; de outro, o depoimento do próprio Garibaldi, segundo o qual fora o presidente dos farrapos quem fizera naufragar o casamento, ao garantir-lhe que a moça estava já comprometida. O jornalista Paulo Markun, biógrafo recente de Garibaldi, quanto ao segundo aspecto conclui - pode-se entender que com toda a razão: "Era mentira. O presidente recebia o italiano em sua casa, mas no fundo achava-o um aventureiro e inventou o tal compromisso." Manuela Amália Ferreira, a virgem que empalidecera e rezara enquanto Giuseppe Garibaldi combatia, com uma dezena de companheiros, uma centena e meia de adversários, encontrava-se, em 1839, temporariamente na estância da sua tia Ana, em Camaquã, porque Pelotas, cidade onde nascera e onde morava, achava-se ocupada pelos legalistas - como em outras diversas ocasiões, durante a Revolução Farroupilha. Embora "destinada a ser mulher de outro", essa loira, de grandes olhos azuis (conforme Fernando Osorio, em Mulheres farroupilhas), morreu solteira aos 82 anos de idade, na sua terra natal. Diz-se que guardou consigo, para sempre, cartas e poemas do europeu ilustre por quem fora sinceramente apaixonada. Enquanto viveu - até o início do século 20 - era conhecida de todos os pelotenses como "A Noiva de Garibaldi".

Além de ser mencionada nas Memórias de Garibaldi, escrito pelo renomadíssimo Alexandre Dumas[2] , é personagem de romances históricos como Garibaldi & Manuela de Josué Guimarães, Os Varões Assinalados de Tabajara Ruas, e A Casa das Sete Mulheres e Um Farol no Pampa, ambos de Letícia Wierzchowski. Foi também retratada, na minissérie da Globo A Casa das Sete Mulheres, baseada no livro do mesmo nome, onde foi a protagonista e interpretada pela atriz Camila Morgado. Quem interpretou Giuseppe Garibaldi foi o ator Thiago Lacerda e Anita Garibaldi foi a atriz Giovanna Antonelli.

Morreu com 82 anos, às 15h do dia 26 de janeiro de 1903, de Asthensia Cardíaca, ou seja, fraqueza do coração, em sua residência na Rua Marechal Deodoro, no centro de Pelotas, sem jamais ter se casado nem constituído uma família. Citou, porém, a história farroupilha, a qual viveu do início ao fim. Seu corpo encontrava-se sepultado na cidade de Pelotas, porém há alguns anos atrás foi exumado e incinerado, já que a família não quis pagar para manter a sepultura dela.

Os jornais da época anunciaram a sua morte de primeira página: "Morre a noiva de Garibaldi" [carece de fontes?].

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Na minissérie A Casa das Sete Mulheres Manuela foi citada com "A Noiva de Garibaldi".

Referências

  1. a b c Giuseppe Garibaldi (1888). Capítulo XIII. Todavía corsario. (em espanhol) 'Garibaldi en América: Sus últimas memorias. Primera traducción española' p. 55.. Visitado em agosto de 2012.
  2. a b Alexandre Dumas; Giuseppe Garibaldi. XIX. A estância da barra. (em português) 'Memórias de Garibaldi' p. 76. Edição comemorativa de 1907. Visitado em agosto de 2012.
  3. Diário Popular mar. 2002
  4. Giuseppe Garibaldi (1888). Capítulo XIV. Catorce contra ciento cincuenta. (em espanhol) 'Garibaldi en América: Sus últimas memorias. Primera traducción española' p. 63.. Visitado em agosto de 2012.
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