Mihrab

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Mihrab na mesquita Masjed-e-jomeh em Yazd, Irão.

Mihrab ou mirabe (árabe: ‏محراب‎, miḥrāb) é um termo que designa um nicho em forma de abside numa mesquita. Tem como função indicar a direção da cidade de Meca (qibla), para qual os muçulmanos se orientam quando realizam as cinco orações diárias (salat).

É no mihrab que se posiciona a pessoa que lidera as orações, cuja voz que difunde mais facilmente pela mesquita graças à existência deste nicho. De uma forma geral, cada mesquita possui apenas um mihrab, que é frequentemente o ponto mais ricamente decorado (com motivos epigráficos ou vegetais). O mihrab pode ser feito em mármore, azulejo, pedra ou madeira.

No tempo do profeta Maomé (Muḥammad) a qibla era assinalada com uma simples pedra. O mihrab surgiu pela primera vez na época dos omíadas, quando o califa al-Walid I ordenou a realização de trabalhos de restauração na Mesquita do Profeta em Medina no ano de 706. As escavações realizadas numa mesquita em Wasit, no Iraque, que resultou da junção de duas mesquitas, revelaram que a parte mais antiga, datada do século VI, não tinha mihrab, enquanto que a parte mais recente já apresentava este elemento. A partir de então o mihrab expandiu-se para outros locais.

Julga-se que o mihrab possa ter sido inspirado nos nichos das sinagogas que assinalam o "Santo dos Santos". Na sinagoga de Dura-Europos (século III d.C.), descoberta em 1935, já estava presente um nicho onde se guardava a Torá. Tem sido também proposta uma relação com a abside das igrejas coptas.

Vários mihrabs do mundo islâmico são conhecidos pela sua beleza. O da antiga mesquita de Córdova, ainda preservado, é formado por mosaicos multicolores de vidro fundido, um trabalho realizado por artistas do Império Bizantino no século X. O mihrab da mesquita de Bijapur, na Índia, é talvez um dos maiores do mundo, com sete metros de altura e seis metros de largura. Decorado com caligrafia dourada, apresenta para alguns especialistas influências das igrejas cristãs barrocas (Goa, então controlada por portugueses, não fica muito longe do local).

Galeria[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALVES, Adalberto - Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2013. ISBN 978-972-27-2163-9
  • PETERSON, Andrew - Dictionary of Islamic Architecture. Routledge, 1994. ISBN 0-415-06084-2.
  • THORAVAL, Yves - ABCedário do Islão. Lisboa: Público, 2003. ISBN 972-8179-48-0