Movimento de Lapua

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Emblema do Movimento de Lapua

O Movimento de Lapua (em finlandês: Lapuan liike) foi um movimento político surgido na região de Lapua, no leste da Finlândia, em 1929.

Inicialmente dominado por nacionalistas anti-comunistas, remetia para o legado do activismo nacionalista, dos guardas brancos e da Guerra Civil. Muitos políticos e militares de topo estavam solidários com o movimento uma vez que o anticomunismo era norma entre as classes dirigentes após a Guerra Civil, mas o uso excessivo da violência por parte dos seus activistas acabou por diminuir a sua popularidade. Por via da radicalização das suas posições acabou por tornar-se num movimento fascista, e foi banido após uma tentativa falhada de Golpe de Estado, conhecida como a Rebelião de Mäntsälä, em 1932. As suas actividades foram continuadas pelo Movimento dos Patriotas (em finlandês: Isänmaallinen Kansanliike).

Os principais líderes do Movimento de Lapua foram Vihtori Kosola e o general-major Kurt Martti Wallenius.

Origem[editar | editar código-fonte]

Marcha popular organizada pelo Movimento de Lapua - Helsínquia, 7 de Julho de 1930

A Ostrobótnia foi um dos principais redutos e bases do Exército Branco durante a Guerra Civil, e os sentimentos anticomunistas permaneciam fortes na região. No fim de Novembro de 1929, o Movimento dos Jovens Comunistas organizou uma reunião na comuna de Lapua, situada no sul da Ostrobótnia. Isso enfureceu a população local, que reagiu com violência e pôs termo ao evento. Pouco depois, no dia 1 de Dezembro, foi organizada uma reunião anticomunista com a presença de mais de 1.000 pessoas, onde foi exigida a proibição de todas as actividades de cariz comunista.

Na sua sequência foram organizadas marchas e reuniões por todo o país. Em 16 de Junho de 1930, mais de 3.000 homens chegaram à cidade de Oulu com o objectivo de destruir a tipografia e o escritório do jornal comunista Pohjan Voima, e no mesmo dia uma tipografia comunista foi destruída em Vasaa. Em 7 de Julho, numa clara demonstração de poder, uma marcha popular composta por mais de 12.000 homens chegou a Helsínquia. O governo cedeu à pressão e proibiu todos os jornais comunistas através de um Acto de Protecção da República.

Radicalização[editar | editar código-fonte]

Depois do sucesso inicial, o movimento tornou-se ainda mais extremista, tendo as suas actividades passado a incluir o assédio a comunistas, sociais democratas, pacifistas, liberais e sindicalistas. Reuniões convocadas por socialistas e sindicalistas eram frequentemente interrompidas, muitas vezes de forma violenta. O movimento foi também responsável por uma série de assassínios. As suas vítimas eram pessoas comuns e iam desde socialistas a não-socialistas tidos como demasiado moderados. Os assassínios levados a cabo pelo Movimento de Lapua são considerados os últimos assassínios políticos ocorridos na Finlândia até aos dias de hoje.

Um tratamento muito comum levado a cabo pelo movimento era o "muilutus", que começava com o rapto e o espancamento. Depois, o indivíduo era atirado para dentro de um carro e conduzido até à fronteira da União Soviética. Em 14 de Outubro de 1930, o popular ex-presidente Kaarlo Juho Ståhlberg e a sua esposa foram raptados, espancados e levados até à cidade de Joensuu. Planeada como o primeiro passo de um Golpe de Estado, esta acção acabou por ter o efeito contrário ao esperado e custou ao movimento o apoio popular. Os elementos mais moderados abandonaram o movimento e os extremistas tomaram o controlo.

Apesar de tudo, poucos meses depois o Movimento de Lapua conseguiu não só que o presidente Lauri Kristian Relander nomeasse "o seu homem", Pehr Evind Svinhufvud, para primeiro-ministro da Finlândia, mas também convencer o número suficiente de eleitores do Colégio de Eleitores, escolhido poucas semanas antes através de uma votação nacional, a alterar as intenções de voto declaradas durante a campanha e eleger Pehr Evind Svinhufvud presidente da Finlândia em 1931.

Rebelião de Mäntsälä[editar | editar código-fonte]

Em 27 de Fevereiro de 1932 uma reunião do Partido Social Democrata em Mäntsälä foi violentamente interrompida por homens armados. Nos dias seguintes, membros do Movimento de Lapua e da Guarda Branca juntaram-se aos revoltosos e o acontecimento escalou para uma tentativa de Golpe de Estado conhecida como a Rebelião de Mäntsälä, liderada pelo ex-chefe do estado maior do exército finlandês, o general-major Wallenius. Os revoltosos exigiam a renúncia do gabinete, bem como uma mudança na direcção da política finlandesa.

Apesar dos apelos de Wallenius, a grande maioria do exército e dos Guardas Brancos permaneceu fiel ao governo. A rebelião terminou no dia 2 de Março, após o presidente Svinhufvud ter anunciado num discurso de rádio que se os revoltosos dispersassem apenas os seus líderes seriam punidos. Wallenius, juntamente com cerca de 50 outros dirigentes, foi julgado e condenado à prisão, e o Movimento de Lapua foi banido no dia 21 de Novembro de 1932. Ironicamente, o movimento foi banido por intermédio de um Acto de Protecção da República, cuja aplicação havia apoiado anteriormente.

Legado[editar | editar código-fonte]

As relações internacionais e a reputação da Finlândia foram abaladas pelo grande apoio inicial que o Movimento de Lapua recebeu por parte da elite finlandesa, e pelos laços entre o movimento, a Guarda Branca e o exército finlandês. Isso, em adição ao duro tratamento a que o lado perdedor da Guerra Civil de 1918 foi sujeito, quando mais pessoas morreram em campos de concentração no pós-guerra do que no campo de batalha, fez com que os vizinhos democráticos do país, em particular, passassem a encarar a Finlândia com suspeita. Após a Rebelião de Mäntsälä, o comparativamente leve castigo aplicado aos activistas do Movimento de Lapua veio complicar ainda mais as relações da Finlândia com as Grandes Potências, com a União Soviética e com os seus vizinhos democráticos.

Na União Soviética, as acções do Movimento de Lapua eram seguidas com atenção. A enraizada percepção da Finlândia como uma ameaça e uma continuação do regime tsarista foi reforçada — tanto entre os cidadãos comuns como na liderança bolchevique — o que contribuiu para as condições que levaram à Guerra de Inverno. Em Leningrado, a antiga capital tsarista, a histórica preocupação com a proximidade da fronteira foi mantida viva. Por essa fronteira, exércitos invasores haviam chegado às portas da cidade por duas vezes durante o século XVIII e novamente em 1918, quando forças alemãs entraram na guerra civil finlandesa ao lado da Guarda Branca (contra a Guarda Vermelha, apoiada pela União Soviética), ameaçando levar os horrores da guerra à cidade. Os jornais soviéticos exploraram estes medos, noticiando os eventos na Finlândia e apresentando as vítimas do Movimento de Lapua deportadas para a União Soviética como provas vivas do terror nos países capitalistas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]