Navegação à vela

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Navegação à vela (português europeu) ou Navegação a vela (português brasileiro) [nota 1] pode ser definida como a arte de manobrar as velas de uma embarcação em função do vento (conforme a sua direcção e a sua intensidade) para que possa locomover-se em relação ao rumo que se pretende seguir, em operações que envolvem não somente o velame em si, mas também o(s) mastro(s), a quilha e o leme.

Este tipo de navegação foi utilizada com primazia pela humanidade, até o surgimento da navegação a vapor, originalmente usada como coadjuvante da primeira, até tornar-se o meio de propulsão exclusivo e majoritário a partir de 1845, com a construção do SS Great Britain.[4]

Veleiro básico[editar | editar código-fonte]

Qualquer veleiro, é sempre constituído por uma parte flutuante, uma parte que lhe permite receber o vento e uma parte direccional, ou seja:

  • Casco - o que o permite flutuar.
  • A parte emersa, as obras mortas, para receber o vento, é formada pela:
    • Mastreação - conjunto dos mastros, vergas e paus;
    • Velame - conjunto de todas as velas.
  • A parte imersa, as obras vivas, para reforçar e dirigir, é constituída pela :
    • Quilha - a espinha dorsal da embarcação [nota 2] ;
    • Patilhão- peça fixa para equilibrar a embarcação;
    • Leme - serve a controlar a direcção da nave.

Em esquema de veleiro mostram-se e nomeiam-se as diferentes partes de um veleiro visto de topo e de perfil.

Casco[editar | editar código-fonte]

O casco é o invólucro exterior de qualquer embarcação da qual depende a sua flutuabilidade. Um casco pode ser dividido em três partes: Fundo - parte mais baixa do casco; Costado - parte lateral do casco; Encolamento - secção, geralmente curva, de junção entre o Fundo e o Costado.

Obras mortas[editar | editar código-fonte]

A parte emersa também chamada de obras mortas é a parte do casco que fica acima da água e se encontra no convés.
Nomenclatura e localização do velame e da mastreação

Mastreação[editar | editar código-fonte]

A mastreação é composta pelo mastro, fixo à embarcação pelo estai e pelos brandais, e a sua inseparável retranca, no caso de uma monotipo ligeiro, pois que num grande veleiro refere-se ao conjunto dos mastros, vergas, cesto da gávea e paus de uma embarcação [5]

Velame[editar | editar código-fonte]

O velame, o motor do veleiro, é composto pela vela grande - presa ao mastro e à retranca - a pela vela de estai - presa ao cabo que lhe deu o nome. Além destas velas de base pode também citar-se o Genoa e o Spinnaker (Balão).

Tipo de velas[editar | editar código-fonte]

A vela começou por ser quadrada e em seguida trapezoidal para se tornar triangular, actualmente para se obter uma superfície vélica superior para uma dada altura de mastro começa-se a utilizar de novo a vela aúrica como nos monocascos de corrida.

Aparelho e manobra[editar | editar código-fonte]

Em náutica estes termos tem um significado bem próprio já que designam :

Mudar de rumo[editar | editar código-fonte]

Sendo o rumo a direcção em que se navega, mudar de rumo será mudar de direcção. No mar aberto utiliza-se uma bússola para se ir numa direcção determinada, mas junto à costa utiliza-se mais uma conhecença, ou sejam pontos facilmente reconheciveis na costa como faróis, igrejas, torres, etc.

Para se efectuar esta manobra é preciso primeiro alterar a posição do leme e depois alterar a maneira como as velas estavam ajustadas para as regular em função do novo rumo a seguir, a manobra.

Virar de bordo[editar | editar código-fonte]

Entre a manobra, o trabalho com o velame [6] , e a acção do leme tem de haver uma boa coordenação no momento em que as velas têm de passar de um bordo ao outro e é preciso virar de bordo.

Essa manobra pode ser feita contra a direcção do vento, o Virar/Cambar por davante ou de modo a que o vento passe por detrás o Virar/Cambar em roda

Mareação[editar | editar código-fonte]

Esquema das diferentes mareações.

Mareação é um termo náutico empregue para designar as diferentes posições que toma um veleiro em relação à direcção do vento. Dividem-se em três grupos chamados: Bolina, Largo e Popa.

Obras vivas[editar | editar código-fonte]

A parte imersa também chamada de obras vivas é a parte inferior do casco das embarcações que fica submerso.

Regularmente confunde-se a quilha e o patilhão mas muito sumariamente pode dizer-se que :

  • Quilha - é a espinha dorsal de uma embarcação para lhe conferir resistência,
  • Patilhão - apêndice que serve para estabilizar e não deixar derivar a embarcação.

Quilha, patilhão e leme[editar | editar código-fonte]

A quilha é uma peça da estrutura da embarcação que se estende da proa à popa, na parte inferior da nave, e de onde parte para cima o costado. É a verdadeira espinha dorsal da embarcação.

O patilhão é um apêndice fixo e normalmente lastrado que não só transforma a força lateral do vento nas velas em movimento longitudinal, mas que paralelamente lhe forneça a estabilidade necessária para que não fique demasiado deitado, ou nos casos extremos que vire (caia de lado) [7] . Nos veleiros ligeiros, como no Optimist, o patilhão pode ser retractável.

O leme encontra-se geralmente na popa dos barcos e serve para o dirigir, mas no caso dos veleiros unicamente quando este está em andamento. Nalguns veleiros o leme faz corpo com a patilhão, mas este sistema é cada vez menos usado.

Altera-se o rumo da embarcação mudando a direcção do leme que pode ser accionado ou por uma cana de leme ou por uma roda de leme. A roda de leme funciona como o volante de uma viatura na medida em que se se a rodar para a esquerda, o barco vira para bombordo, contrariamente ao que acontece com a cana de leme que quando empurrada para a esquerda faz virar o barco para estibordo, quer dizer que neste caso o movimento é sempre feito no sentido contrário relativamente ao lado para onde se quer virar [8] .

Regular as velas[editar | editar código-fonte]

Muito basicamente as velas têm que ser ajustadas, caçadas ou folgadas, para que numa dada direcção seja optimizada a força que o vento exerce nas vela, tanto na vela de estai como na vela grande.

Assim, quando o burro está pouco caçado, pouco tenso, a valuma fica mais solta e a vela grande enche mais ficando assim com mais saco ("barriga"). Quando o saco está bem atrás a entrada é dita fina e autoriza apenas uma estreita faixa eficiente de ar, o que permite trabalhar com um ângulo mais fechado com o vento e o barco pode orçar mais [9] .

Notas

  1. Provas do bom fundamento da expressão Navegação à Vela : [1] [2] [3] . Ver também a página de Discussão
  2. Definição relativa a uma nave pelo Dic. Enciclopédico Luso Brasileiro

Referências

  1. Manual para redação Acadêmica, pág. 85. Públio Athayde
  2. Vocabulario portuguez & latino, pág. 238. Rafael Bluteau. Ed. na officina de Pascoal da Sylva (1720)
  3. Ainda navegação «à vela». Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
  4. Bruno Jacomy. Era do Controle Remoto. [S.l.]: Jorge Zahar ed., Rio de Janeiro, 2004. 168 pp. p. 17. ISBN 8571107742, ISBN 9788571107748
  5. Dic. Porto Editora - Setembro 2011
  6. Petit dictionnaire de marine R.Grüss-1943]
  7. Marina Cascais Agosto 2011
  8. Associação Nacional de Cruzeiros
  9. Conhecimento náutico - Outubro 2011

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]