Novacianismo

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Após a perseguição de Décio é que surgiu a controvérsia sobre os lapsi e provocou o cisma de Novaciano.

O novacionismo ou novacianismo foi um movimento durante o cristianismo primitivo formado pelos seguidores de Novaciano e que se recusavam a readmitir em comunhão os lapsi - os cristãos batizados que tinham renegado a sua fé e realizado sacríficios aos deuses pagãos - durante a perseguição de Décio em 250 d.C. Eles foram posteriormente declarados como heréticos.

Novaciano[editar | editar código-fonte]

Novaciano era um padre romano que, em 251 d.C., se opôs à eleição do papa Cornélio, que se seguiu ao martírio do papa Fabiano durante a perseguição, sob o argumento de que ele era muito frouxo em seus critérios para aceitar os cristãos arrependidos. Ele se permitiu ser eleito como rival, o primeiro antipapa. Seu argumento era que os lapsi não deveriam ser recebidos de volta em comunhão com a igreja e que casar novamente era ilegal. Ele e seus seguidores foram excomungados por um sínodo realizado em Roma em outubro daquele mesmo ano. Acredita-se que o próprio Novaciano tenha sido martirizado durante a perseguição aos cristãos do imperador Valeriano (253 - 260).

Novacionismo depois de Novaciano[editar | editar código-fonte]

Após a sua morte, os seguidores de Novaciano se espalharam rapidamente e podiam ser encontrados em todas as províncias, em grande quantidade em algumas delas. Eles eram chamados de novacionistas, mas chamavam a si próprios de καθαροι (em grego: "katharoi" - "puritanos"), refletindo o seu desejo de não se misturar com o que consideravam práticas frouxas de uma igreja corrupta. Eles chegaram ao ponto de rebatizar seus próprios convertidos, o que era considerado uma heresia por negar à igreja a possibilidade de conceder a absolvição no caso do lapsi. Eles foram também considerados cismáticos pela igreja antiga por não se submeterem à autoridade do bispo de Roma.

Fora estes pontos, as demais práticas dos novacianos eram idênticas às da Igreja.

Nos séculos IV e V d.C., os donatistas do Norte da África mantiveram uma crença similar sobre os cristãos que renegaram sua fé durante as perseguições. E eles também foram considerados heréticos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Vogt, HJ. Coetus Sanctorum. Der Kirchenbegriff des Novatian und die Geschichte seiner Sonderkirche (em alemão). Bonn: [s.n.], 1968. .
  • Papandrea, JL. The Trinitarian Theology of Novatian of Rome: A Study in Third-Century Orthodoxy (em inglês). Lewiston, NJ: [s.n.], 2008. .