Novelas do Minho
Novelas do Minho é o título dado por Camilo Castelo Branco a um conjunto de oito novelas suas, influenciadas pela escola realista.
Como o título indica, as novelas situam-se na sua quase totalidade no Minho (norte de Portugal).
Índice |
[editar] Lista de Novelas
As novelas, com uma única edição em vida do autor, foram publicadas em doze volumes pela Livraria Editora Matos Moreira & Cia., entre 1875 e 1877. Os doze volumes foram assim arranjados:
- Gracejos que matam (Volume I, 1875)
- O comendador (Volume II, 1876)
- O cego de Landim (Volume III, 1876)
- A morgada de Romariz (Volume IV, 1876)
- O filho natural (Volumes V e VI, 1876)
- Maria Moisés (Volume VII em 1876 e Volume VIII em 1877)
- O degredado (Volume IX, 1877)
- A viúva do enforcado (Volumes X, XI e XII, 1877)
[editar] Resumos
[editar] Gracejos que matam
Numa tarde de Verão, seis pessoas e o autor estão à beira-rio a conversar. Uma delas, Álvaro de Abreu tenta impressionar a prima, Irene, fazendo troça de tudo e todos. Quando finalmente alguém perde a paciência e lhe responde, ele não perdoa. Reclama um duelo para limpar a honra, mas acaba ainda mais embaraçado pois não sabe esgrimir. A prima perde o interesse por ele quando aparece um outro homem em cena e o rancor cresce ainda mais. O que se segue é a história das seis personagens, e como o destino delas é afectado pelo pequeno incidente.
[editar] O comendador
O comendador conta a história de Belchior Bernabé, um enjeitado, i.e. uma criança abandonada pela mãe à porta da igreja. Adoptado por uma viúva, ele vive em relativa paz até se apaixonar pela filha de um homem rico, a qual ele engravida. Furioso com a desonra, o pai dela e os irmãos dele arranjam maneira de o meterem na lista de recrutamento para o exército, e tranca a filha em casa. Com a ajuda de um parente, Belchior foge para o Brasil. Vinte anos depois, regressa a Portugal com outro nome e rico. Volta à aldeia e descobre que o que se passou com a apaixonada e o filho, e arranja maneira de finalmente se casar com ela.
[editar] O cego de Landim
Narra a vida de António José Pinto Monteiro, conhecido como o cego de Landim, um ladrão e vigarista que faz fortuna no Brasil, aliado a um rapaz que lhe que serve de apoio depois de ele ter perdido a vista, e a um polícia corrupto.
[editar] A morgada do Romariz
Após herdar uma fortuna do seu irmão, Bento da Costa, continua a viver na miséria por pura avareza, contando a quem o ouvir que o irmão se havia arruinado em Lisboa. Ninguém acredita nele, incluindo o filho que precisa da ajuda dele para se livrar do exército de onde desertara. A avareza e insistência do velho em negar a existência da herança, vão ter impacto não só na sua vida e na do filho, como também na do neto, o pai da morgada do título.
[editar] O filho natural
Vasco Marrameque é um fidalgo minhoto de uma grande família que se envolve com Tomásia, a filha do boticário. Ela foge de casa do pai, e vivem algum tempo juntos e esta engravida. Mas Vasco tem ambições políticas e consegue ser eleito deputado. Vai para Lisboa e abandona Tomásia. Esta, ferida na honra, recusa qualquer ajuda para si ou para o filho, excepto a do abade que Vasco enviara como portador da sua decisão. No mesmo dia, é informada da morte do pai, e da herança da botica. Depois de recusar os avanços do novo gerente da botica, este demite-se deixando-a numa situação precária. Envia o filho para o Brasil a pedido do abade. Entretanto, Vasco havia casado com a filha de um conde falido. Durante alguns anos vive luxuosamente, mas depressa se arruina e volta "exilado" para o Minho com a família. E aí que o filho, que voltara rico do Brasil o irá encontrar.
[editar] Relação com outras obras de Camilo
O Filho Natural é particularmente rico em auto-referências camilianas:
- Ha uma referência à personagem que dá nome novela que se lhe segue: Maria Moisés.
- Vasco ao receber uma carta de Tomásia, acha nela "(...) uma simples reminiscência de certa 'Augusta' - personagem de um mau romance que então se lia chamado 'Onde Está a Felicidade' (...)
- O autor nota paralelismos entre Vasco e o protagonista d' A Queda dum Anjo, dizendo que também em Lisboa "(...) mais tarde se perdeu outro deputado de melhor casta - aquele Calisto Elói de Silos Benevides de Barbuda que eu chorei na Queda de Um Anjo."
[editar] Maria Moisés
Na mesma noite que Josefa da Lage é encontrada a morrer à beira-rio, uma criança é encontrada num cesto de vime por Francisco Bragadas. Com 11 filhos seus, pede ajuda a um morgado, que com a irmã se tornam padrinhos da bebé e lhe chamam Maria Moisés. Como não têm herdeiros, a afilhada recebe a quinta na morte destes, e resolve tomar conta de outros enjeitados como ela. Infelizmente cai em dívidas e tem de vender a quinta. O comprador é António Queirós, que acabara de voltar do Brasil, e que soubera à chegada que do seu amor por Josefa havia probabilidade de ter sobrevivido uma criança, que não é outra que Maria Moisés.
[editar] O degredado
[editar] A viúva do enforcado
Teresa, a única filha de um comerciante de Guimarães, é uma moça devota até ao dia em que se encontra e apaixona por um jovem ourives. Perante a oposição do pai, e com a ajuda de um abade, eles casam e fogem para Espanha para fugir à ira do pai dela. Aí ela conhece Inês, a filha do alcaide da cidade onde se refugiam, que está apaixonada por Álvaro, um outro português, que foge da forca por homicídio. Este e Inês estãop noivos, mas quando Teresa enviúva de repente, a situação altera-se e Álvaro, declara-se a Teresa e eles decidem casar. Inês refugia-se em Madrid e mais tarde morre, deixando o alcaide desesperado. Este vinga-se fazendo Álvaro cair nas mãos da justiça portuguesa, que o virá a enforcar.
[editar] Adaptações
A novela A Viúva do Enforcado foi adaptada pela cadeia de televisão portuguesa SIC para uma mini-série em 1993, com sucesso comercial e crítico, e protagonizada por Anabela Teixeira.