Pé de coelho

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O pé de coelho é um dos diversos amuletos de sorte existentes.[1]

Origem[editar | editar código-fonte]

Existem registros de que em plena Idade Média (século XIII), durante os terríveis invernos europeus, as pessoas pobres se amontoavam no interior de suas casas com os animais domésticos, todos bem juntos, para aproveitar o calor corporal de cada um. Nessa época as casas dessa gente não tinham nem luz nem qualquer tipo de isolamento térmico, e como porcos, ovelhas, carneiros e outros animais ficavam juntos e agrupados, é perfeitamente aceitável a ideia de que uma jovem mãe, tremendo de frio, pudesse pegar uma pequena lebre que se aninhava a seu lado e deixá-la mamar em seu seio, só para aproveitar o calor que o pelo do pequeno roedor lhe transmitia. Foi dessa forma, assegura a tradição, que as lebres passaram a ser vistas como ótimas companhias. Ao mesmo tempo surgiu na Grã-Bretanha a crença de que as lebres eram criaturas mágicas que traziam boa sorte, nascendo daí a certeza que o osso do pé desses animais, fácil de carregar, curava doenças caso fosse mantido junto ao corpo de quem estivesse sofrendo de algum problema físico.

Existem fontes que acreditam que o uso desse amuleto remonte a totens de clãs africanos.

Uma pista importante para o motivo dele trazer sorte é o coelho Br’er, um trickster mítico africano que aparece como figura folclórica nos mitos do sul dos Estados Unidos da América (e que pode ser visto no filme A Canção do Sul, da Disney, de 1946). Faz sentido que o pé de coelho, sendo o símbolo invocatório de um trickster e suas artimanhas (uma das grandes façanhas do coelho é que quando ele corre, suas patas traseiras alcançam o chão mais à frente das patas dianteiras), de sorte predominantemente para trapaceiros, jogadores e artistas, que são os que mais usos dão a esse amuleto.

Preparação[editar | editar código-fonte]

Não é qualquer pé de coelho que trás boa sorte. Se fosse assim, o coelho não teria perdido o pé (e essa é a desculpa favorita dos que não acreditam nesse amuleto). É preciso seguir uma série de detalhes na preparação do talismã. Em primeiro lugar, o coelho deve ser morto em um cemitério. E apenas a pata esquerda traseira pode ser usada como amuleto.

A maneira como o coelho deve ser morto muda de uma região para outra. Se possível, o animal deve ser morto com um tiro (alguns diriam usando uma bala de prata).

Também varia de uma região para outra se a lua deve ser cheia ou nova. Deve ser uma sexta-feira; chuvosa ou ainda sexta feira 13, se possível. O pé deve ser seco e carregado consigo, possivelmente amarrado com uma fita vermelha para aumentar sua eficácia, e comumente é usado numa corrente ou como chaveiro.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • É importante lembrar que perder um pé de coelho trás uma incrível má sorte, da qual é muito difícil escapar e que costuma ser duradoura.
  • O coelho é um animal conhecido por ser uma das formas animais em que as feiticeiras que dominam a arte da mudança de forma costumam se transformar. É um animal ligado a fertilidade, e a sorte que o pé de coelho trás a seu dono é tanto monetária quanto sexual.
  • Pés de coelho, assim como ossos de gato negro, são usados em conjure bags, bolsas de tecido que contem um feitiço hoodoo (muito semelhante a um patuá, mas em tamanhos mais variados). As que contém pés de coelho estão ligadas a sorte rápida e realização de desejos.

Encontrado[editar | editar código-fonte]

Sobre o feitiço do amuleto ocorrer em cemitérios, o hoodoo usa esse espaço e a terra vinda de túmulos para uma variedade de coisas. O pó vindo da sepultura de alguém bom (ou a sepultura como local de ritual) protege contra o mal e é usado em magias de proteção em geral; o pó do túmulo ou o próprio túmulo de um pecador é usado em maldições e outras magias nefastas.

O pé de coelho aparece em muitas cantigas folclóricas e letras de blues, e o presidente Theodore Roosevelt foi proprietário de um pé de coelho inseparável, engastado em ouro, presente de um hoodoo man.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências