Portão de Brandemburgo

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Portão de Brandemburgo à noite.

O Portão de Brandemburgo, ou Porta de Brandemburgo (em alemão: Brandenburger Tor), é uma antiga porta da cidade, reconstruída no final do século XVIII como um arco do triunfo neoclássico, e hoje um dos marcos mais conhecidos da Alemanha.[1]

Está localizado na parte ocidental do centro da cidade de Berlim, no cruzamento da avenida Unter den Linden e Ebertstraße, imediatamente a oeste da Pariser Platz. Um bloco ao norte fica localizado o Palácio do Reichstag. O portão é a entrada monumental para Unter den Linden, a famosa avenida de tílias que anteriormente levava diretamente ao Palácio da Cidade dos reis da Prússia.[1] [2]

Foi encomendada pelo rei Frederico Guilherme II da Prússia como um sinal de paz e construída por Carl Gotthard Langhans entre 1788 e 1791.[3] Tendo sofrido danos consideráveis ​​na Segunda Guerra Mundial, o Portão de Brandemburgo foi totalmente restaurado entre 2000 e 2002 pela Stiftung Denkmalschutz Berlin (Fundação de Conservação dos Monumentos de Berlim).[4]

Durante a partição da Alemanha no pós-guerra, o Portão estava isolado e inacessível imediatamente ao lado do Muro de Berlim, e a área ao redor do Portão se destacou mais proeminente na cobertura da mídia sobre a abertura do muro em 1989. Ao longo de sua existência, o Portão de Brandemburgo foi muitas vezes um local para grandes eventos históricos e é hoje considerado um símbolo da tumultuada história da Europa e da Alemanha, mas também da unidade e da paz européia.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Construída no estilo neoclássico no projecto de Carl Gotthard Langhans, possui doze colunas dóricas de estilo grego. Sendo seis de cada lado. Há cinco vãos centrais por onde passam cinco estradas. Sobre o arco está a "quadriga" (estátua da deusa grega Irene - deusa da paz, em uma biga puxada por quatro cavalos).

Suas dimensões são: 26 m de altura, 11 m de profundidade e 65 m de largura. (visto de frente).

História[editar | editar código-fonte]

Poucas são as pessoas que sabem, mas na realidade as portas de Brandenburgo foram construídas sobre outras portas. Uma década após o fim da guerra dos trinta anos, a partir de 1658, Berlim começou a expandir-se como uma fortaleza, cercada por altos muros. Onde actualmente existem as portas foram construídas nessa época umas primeiras, para servir como uma das entradas para a cidade. Na segunda metade do século XVIII, a burguesia ganhava força e o rei da Prússia, Frederico Guilherme II (Friedrich Wilhelm II), iniciou um plano de reestruturação da cidade, dando a ela mais esplendor. Esse projecto previa a construção de umas novas portas, mas o projecto sofreu constantes atrasos e somente em 1788 as antigas portas foram demolidas.

As obras foram iniciadas no ano de 1789 e duraram até 1791, seguindo os projectos do arquitecto Carl Gotthard Langhans (17321808). Quando foi aberto ao trânsito ainda faltavam as esculturas de Johann Gottfried Schadow (17641850), e a quadriga, mas a obra completa já havia sido imaginada e projectada, sendo finalizada posteriormente à abertura. Entre as seis colunas dóricas passavam cinco estradas em que apenas duas (as mais extremas de cada lado) estavam abertas ao livre trânsito civil. A rua principal (do meio) apenas podia ser percorrida pela comitiva real.

Não houve, no momento da inauguração, qualquer tipo de cerimónia que contemplasse o marco da construção, assim, sem nenhum tipo de solenidade foi aberto ao trânsito no dia 6 de Agosto de 1791. As Portas de Brandenburgo propiciavam ao rei acesso directo do palácio real até ao “Tiergarten”, seu jardim (na parte externa da cidade).

Portas de Brandenburgo durante a Segunda Guerra Mundial, em 16 de julho de 1945.

A quadriga foi instalada em 1793, dois anos após a abertura, mas permaneceu pouco tempo sobre as portas. As tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadem Berlim, atravessando as portas de Brandenburgo em Outubro de 1806. Em Dezembro do mesmo ano, para simbolizar a dominação francesa,« Bonaparte manda a quadriga para Paris. Esta apenas retornou a Berlim em 1814, após a guerra da libertação (ver Batalha das Nações), e segundo a vontade de Frederico Guilherme III, a quadriga recebeu uma cruz de ferro e uma águia prussiana, e passou a significar a vitória (antes era um símbolo da paz).

Em 1868, pôs-se abaixo o velho muro de protecção da cidade, que circundava Berlim, e acrescentou-se às extremidades das portas dois pequenos pavilhões sobre colunas, projectados por Johann Heinrich Stack, com aproximadamente a metade da altura das portas.

Nos últimos dias da segunda guerra mundial tanto as portas como a quadriga foram danificadas. Berlim ficou dividida em quatro sectores (estando as portas no sector soviético), e as portas de Brandenburgo retomaram a sua função original fazendo a divisão entre os sectores leste e oeste, soviético e britânico (respectivamente). Inicialmente havia o livre tráfego através das portas.

Queda do Muro de Berlim em 1989.

A quadriga foi retirada mais uma vez, em 1950, pelas autoridades soviéticas, e praticamente destruída. Foi tema de discussão a refundição da escultura ou a colocação de um novo símbolo nas portas, e decidiu-se pela primeira.

Ambas, portas e quadriga, que haviam sido danificados, foram reestruturados em conjunto, ficando a reforma das portas sob a responsabilidade de Berlim oriental e a refundição da quadriga para Berlim ocidental. Em Julho de 1958 a reforma estava encerrada, a quadriga - que havia sido fundida em partes - foi remontada nos dias 1 e 2 de Agosto na praça "Pariser Platz" (do lado soviético). Sem qualquer aviso na noite de 2 para 3 de Agosto a quadriga foi levada para Marstall (do lado soviético). Na noite de 16 de Setembro a águia e a cruz de ferro - tidas como símbolo do militarismo alemão - foram retiradas. Em 27 de Setembro de 1958, a quadriga foi finalmente instalada no alto das portas de Brandenburgo, entretanto, para ira do lado ocidental o monumento foi invertido. Os cavalos, que antes galopavam em direcção a Berlim ocidental, foram postos de frente para a "Pariser Platz" (do lado soviético). A inversão gerou vários atritos entre ambos os lados.

As decisões unilaterais soviéticas sobre as portas chegaram ao fim em 14 de Agosto de 1961, quando Berlim Oriental fechou suas fronteiras com os sectores britânico, americano e francês, as portas foram isoladas e o muro de Berlim foi construído sem que as portas fizessem divisão entre os dois sectores.

Comemorações do vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim no Portão de Brandemburgo em 9 de novembro de 2009, apresentando um espetáculo do U2.

As portas ficaram completamente interrompidas para o tráfego de pedestres e automóveis por quase 30 anos, somente com a queda do muro de Berlim - na noite de 9 para 10 de Novembro de 1989, a sua reabertura foi repensada. Em 22 de Dezembro as portas foram reutilizadas como divisão de fronteira, e em poucos meses o muro desapareceu por completo.

Hoje tanto a área quanto as portas estão reestruturados, e as portas unem o centro histórico da cidade ao “Tiergarten”, a sede do parlamento e a nova praça “Potsdamer Platz”. Os automóveis podem atravessar as portas desde 7 de Março de 1998 no sentido de leste para oeste (Na direcção contrária é preciso contorná-las). A cruz de ferro e a águia prussiana foram reincorporadas à quadriga em 1991, mas os cavalos ainda galopam em direcção a "Pariser Platz".

Hoje as portas que um dia separaram Berlim e que foram atravessadas em desfile por tropas napoleónicas, revolucionárias (ver Revolução de 48 nos Estados Alemães em Revoluções de 1848), e nazis, são o símbolo da prosperidade e unificação alemã.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Holland & Gawthrop 2011, pp. 56.
  2. Brein 2013, pp. 24. Possui mapeamento da cidade de Berlim.
  3. Lee Palmer 2011, pp. 136.
  4. Das Brandenburger Tor (em alemão) Die Stiftung Denkmalschutz Berlin. Página visitada em 20 de julho de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Brein, Michael. Michael Brein's Guide to Berlin by the U-Bahn (em inglês). [S.l.]: Michael Brein, Inc., 2013. ISBN 1886590079
  • Holland, Jack; Gawthrop, John. The Rough Guide to Berlin (em inglês). ilustrada ed. Londres: Rough Guides, 2011. ISBN 1858286824
  • Lee Palmer, Allison. Historical Dictionary of Neoclassical Art and Architecture (em inglês). Washington, D.C.: Scarecrow Press, 2011. ISBN 0810874741

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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