Projeto Jari

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Foto aérea da fábrica de celulose.

Projeto Jari é o nome de uma fábrica existente às margens do Rio Jari, para a produção de celulose e outros produtos, que teve início em 1967.

O projeto foi idealizado pelo bilionário norte-americano Daniel Keith Ludwig e seu sócio Joaquim Nunes Almeida.[1] Ele mandou construir uma fábrica de celulose no Japão,[2] na cidade de Kobe, usando tecnologia finlandesa da cidade de Tampere, foram construídas duas plataformas flutuantes com uma unidade para a produção de celulose e outra para a produção de energia. A unidade de energia produzia 55 megawatts e era alimentada por óleo BPF a base de petróleo com opção para consumo de cavacos de madeira.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Ludwig adquiriu em 1967, na fronteira entre os estados do Pará e Amapá (então Território Federal) uma área de terra de tamanho pouco menor que a do estado de Sergipe,[3] ou equivalente ao estado norte-americano do Connecticut,[4] para a instalação do seu projeto agropecuário. Ao longo do programa de instalação, enfrentou as desconfianças do governo e de algumas parcelas da sociedade que temiam pela soberania brasileira sobre a área inabitada de florestas onde o Jari seria instalado.[3] A "ameaça" rendeu, em 1979, a criação de uma CPI para "apurar a devastação da floresta amazônica e suas implicações"[5] Entretanto, o relatório da Comissão não faz qualquer alusão direta a este projeto.[6]

A área adquirida por Ludwig fez com que fosse provavelmente o maior proprietário individual de terras no Ocidente.[7] A grandiosidade do Jari acentuava-se por ser a região totalmente desprovida de qualquer infraestrutura; foi necessária a construção de portos, ferrovia e nove mil quilômetros de estradas.[3] Ali Ludwig planejava instalar um projeto de reflorestamento com árvores de crescimento rápido[gmelina], antevendo o aumento da necessidade mundial por celulose. Além disto, pretendia estender as atividades para a mineração, pecuária e agricultura, atraindo críticas de ambientalistas.[4]

Uma usina termelétrica e a própria fábrica de celulose foram rebocadas do Japão, num percurso de 25 mil quilômetros, que durou 53 dias a ser concluído. Além das instalações, todo o projeto ocupava uma área de 16 mil km², a construção de uma cidade para a moradia dos trabalhadores, além de hospital e escolas na sede, chamada Monte Dourado.[3] A fábrica e implementos custaram em torno de 200 milhões de dólares. Em 1982, ano de sua venda, a população do Jari alcançou a marca de trinta mil habitantes.[4]

Neste ano, sem apresentar resultados, Ludwig abandonou o projeto.[3] As negociações envolveram o homem forte do regime militar, general Golbery do Couto e Silva, e cogitou-se na venda para o Banco do Brasil, para um pool de empresas e para o empresário Augusto de Azevedo Antunes. Até o começo dos anos 1980 Ludwig declarava haver gasto no Jari 863 milhões de dólares, atualizados em 1981 para 1,15 bilhão.[4]

No ano 2000 passou a ser controlado pelo Grupo Orsa, de modo que a Jari Celulose não somente tornou-se economicamente viável, como também mostrou-se sustentável, recebendo certificação em 2004 pelo Forest Stewardship Council.[3]

Referências

  1. Flavio de Britto Pereira. O Projeto Jari e sua ferrovia. Página visitada em 05 de Maio de 2009.
  2. Antonio Augusto Gorni. Estrada de Ferro Jari. Página visitada em 05 de Maio de 2009.
  3. a b c d e f Érica Georgino. (janeiro 2010). "Jari: 1967 - Atrás de celulose, um blilionário ambicioso botou a selva abaixo. Foi vencido por ela e pelas dívidas". Superinteressante (274): p. 74. São Paulo: Abril. ISSN 0104-1789.
  4. a b c d Eric Pace / The New York Times (29 de agosto de 1992). Daniel Ludwig, Billionaire Businessman, Dies at 95 (em inglês). Página visitada em 27 de janeiro de 2010.
  5. Senado Federal. CPI desmatamento da floresta amazônica. Página visitada em 27 de janeiro de 2010.
  6. Senador Aloysio Chaves (1979-1982). Relatório da CPI do Senado Federal para apurar a devastação da floresta amazônica e suas implicações. Página visitada em 27 de janeiro de 2010.
  7. Richest People in History - Daniel K. Ludwig. Página visitada em 28 de janeiro de 2009.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Sítio do projeto

Ícone de esboço Este artigo sobre Geografia do Brasil é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.