Proteína c-reativa

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CRP é uma proteína anular pentamérica discoide encontrada no plasma sanguíneo.

Proteína c-reactiva ou CRP (do inglês "C-reactive protein", erroneamente chamada de PCR, pois PCR é a sigla internacional de Polymerase Chain Reaction) é uma proteína plasmática reagente de fase aguda produzida pelo fígado. É um dos membros da família de proteínas pentraxina. Sua função fisiológica é ligar-se à fosfocolina expressa na superfície de células mortas ou lesionadas (e alguns tipos de bactérias), para iniciar sua eliminação ao ativar o sistema complemento e células que fazem fagocitose(digerem outras células), funcionando como uma opsonina. É um indicador extremamente sensível de inflamação.[1]

Produção[editar | editar código-fonte]

A PCR é sintetizada pelo fígado, em resposta a factores libertados por macrófagos e células de gordura (adipócitos). É um membro da família de proteínas da pentraxina. Não deve ser confundida com o Péptido-C (resultado do processamento da pró-insulina) nem com a Proteina-C (anticoagulante fisiológico quando em conjunção com a proteína S).

Estrutura[editar | editar código-fonte]

O gene de PCR está localizado no primeiro cromossoma (1q21-q23). É um membro da família das pequenas pentraxinas. Tem 224 aminoácidos, com massa molecular de monômeros de 25106 Da, e tem uma forma discóide pentamérica anular.[2]

Função diagnóstica[editar | editar código-fonte]

Sua concentração é muito baixa em indivíduos sadios, porém na presença de infecções ou respondendo a estimulos inflamatórios pode ter um aumento de até 1.000 vezes no indivíduo. Em casos de inflamação sistêmica, nosso fígado passa a produzir diversas proteínas diferentes, chamadas de proteínas de fase aguda.

Antigamente o resultado da CRP era fornecido somente como positivo ou negativo, pois apenas detectava a presença ou não de CRP no sangue. Atualmente, com técnicas mais modernas, pode-se efetivamente dosar a quantidade de CRP circulante. Considera-se normal valores até 0.1 mg/dL (1mg/L).

Patologias diagnosticáveis por CRP[editar | editar código-fonte]

Inflamações importantes costumam resultar em CRP maior que 1,0 mg/dL (10 mg/L). Exames de PCR são sensíveis, eficientes e diretos, permitindo o diagnóstico de[3] :

Como biomarcador de aterosclerose, quando está elevado indica maior risco de infarto do miocárdio, morte súbita ou acidente vascular encefálico.[3]

Valores entre 0.1 mg/dL (1mg/L) e 1,0 mg/dL (10 mg/L) podem surgir em[3] :

A CRP em infecções virais costuma estar entre 1 mg/dL (10mg/L) e 4 mg/dL (40 mg/L) e em infecções bacterianas costuma estar entre 5 mg/dL (50 mg/L) e 20mg/dL (200mg/L). Desse modo pode ser usado para indicar a necessidade ou não de antibióticos com 55% de sensibilidade.[4]

Comparação com a VHS[editar | editar código-fonte]

A VHS é um exame que mede indiretamente a produção do fibrinogênio, uma dessas proteínas. A popularização da dosagem da proteína C reativa (CRP) reduziu a importância da VHS como marcador de inflamação, pois a CRP também é uma proteína de fase aguda produzida pelo fígado. Com este exame medimos diretamente os níveis da própria proteína, bem mais sensível do que uma avaliação indireta como a VHS.

Porém, assim como na VHS, a dosagem da CRP nos atesta que há uma inflamação em curso no organismo, mas não nos diz onde ela está, nem por que ela ocorre. Todas as condições listadas para a VHS também podem causar elevação da CRP, com exceção da idade avançada, que causa, quando muito, apenas uma discreta elevação.

A CRP é mais sensível que a VHS, pois, além de elevar mais precocemente, também serve para avaliar risco de doença cardiovascular. Há muito se sabe que as doenças cardiovasculares são causadas por uma combinação de uma constante e pequena inflamação nas paredes do vasos com o depósito de colesterol nos mesmos. Pessoas com níveis de CRP persistentemente acima de 0,3 mg/dL (3mg/L) apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares como infarto e AVC. Com esses valores, a CRP indica que há um processo inflamatório discreto, porém contínuo.

Referências

  1. http://atvb.ahajournals.org/content/23/11/1956.full
  2. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/viewer.fcgi?db=protein&val=30224
  3. a b c ROSA NETO, Nilton Salles and CARVALHO, Jozélio Freire de. O uso de provas de atividade inflamatória em reumatologia. Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2009, vol.49, n.4 [cited 2014-07-13], pp. 413-430 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042009000400008&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0482-5004. http://dx.doi.org/10.1590/S0482-50042009000400008.
  4. http://www.epistemonikos.org/pt/documents/76556b0fd5d878f916e845aa51f30b3d0e7b9abb?doc_lang=en