Puro-sangue inglês

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O puro-sangue inglês (PSI; em inglês thoroughbred) é uma raça de cavalos selecionada por cruzamentos para a prática de competições esportivas. Sua principal utilização devido sua enorme velocidade e resistência é a corrida. O PSI é um animal muito completo, e por isso participa de diversas competições, como hipismo. Sua característica como excelente melhorador, faz com que seu sangue faça parte na formação de novas raças, e no aprimoramento de outras.

O puro-sangue inglês foi desenvolvido durante os séculos XVII e XVIII na Inglaterra, pelo cruzamento de éguas locais ou não [1] (em inglês) com garanhões árabes e berberes, muitas vezes trazidos das campanhas militares na Ásia. A necessidade da melhora do desempenho em pistas dos animais existentes nas ilhas britânicas derivou do gosto popular crescente pelas competições, originalmente restritas às propriedades rurais para distração dos landlords (senhores de terras).

Origens[editar | editar código-fonte]

Há três origens dos cavalos orientais que contribuíram na formação da raça:

  • o cavalo árabe ou turco (Equus caballus aryanus).
  • a sub-raça Nedjed do centro do deserto do Saara.
  • o barbo, berbere, mongólico ou mongol, (Equus caballus africanus) originário da Ásia central, levado para a África antes do árabe.

Garanhões-base[editar | editar código-fonte]

Darley Arabian.
Alcock's Arabian
Matchem.

Costuma-se dizer que as linhagens masculinas descendem fundamentalmente dos garanhões base:

  • Byerley Turk, ou linha paterna de seu descendente Herod (King Herod).
  • Darley Arabian ou linha paterna de seu descendente Eclipse - é o ramo mais numeroso nos dias atuais
  • Godolphin Barb (também chamado Godolphin Arab) ou linha paterna de seu descendente Matchem.

Os nomes destes cavalos referiam-se aos nomes dos proprietários: Capitão Byerley, Thomas Darley e Lord Godolphin, respectivamente.

Royal Mares[editar | editar código-fonte]

Ao redor das éguas da realeza, as Royal Mares, circulam muitos mitos. Pesquisas informaram que por volta de 1660, éguas nativas britânicas eram servidas por reprodutores germânicos e espanhóis, cujas filhas cuidadosamente selecionadas retornavam ao plantel de matrizes. Durante o reinado de Charles II foram introduzidos cavalos orientais, substituindo os garanhões europeus, por serem mais resistentes e velozes. As éguas britânicas , germânicas e espanholas foram servidas com tais cavalos orientais e passaram a formar a linhagem das Royal Mares.

Pelagem tordilha[editar | editar código-fonte]

Um cavalo tordilho necessariamente tem um de seus progenitores também tordilho, e os garanhões base não eram tordilhos. O aparecimento da pelagem tordilha nos thoroughbred deve-se às linhas maternas descendentes de tordilhos que foram cruzadas com os três garanhões base .

O tordilho originário mais referido é Alcock's Arabian, através de Crab, cuja mãe descendia do também tordilho Fairfax Morocco Barb (também chamado Old Morocco Barb) .

Famílias maternas e a Teoria de Bruce Lowe[editar | editar código-fonte]

O australiano Bruce Lowe, em 1895, teve sua obra “Breeding Racehorses by the Figures System” postumamente publicada, na qual estuda famílias maternas existentes à época. Cada família materna é composta pelos descendentes de uma mesma égua base. Classifica e numera as famílias de acordo com o número de vitórias de seus descendentes nas provas clássicas do turfe inglês reservadas aos 3 anos: como Derby Stakes, Oaks Stakes, e Saint Leger. As famílias de nº 1 até a de nº 15 comportavam 70 % dos vencedores destas provas. Observou que umas famílias poderiam gerar bons vencedores e bons reprodutores e outras famílias poderiam gerar animais sem virtudes (chamadas outsiders) .

Mais tarde, pelo estudo do General Stud Book, o número de famílias inglesas foi expandido por outros autores. E criaram-se as famílias norteamericana, australiana-neozelandeza (chamada colonial), argentina, polonesa. Também surgiram as famílias half-bred, com éguas base de meio sangue, e de outras origens. Com o passar do tempo, as famílias inglesas tornaram-se muito grandes e foram subdivididas tomando por base éguas mais recentes com letras minúsculas (1a, 1b, 2a, etc...). As famílias norte-americanas são grafadas como A1, etc...as coloniais C1, etc.., as argentinas Ar1, etc., as half-bred B1, etc..[2]

Hoje estuda-se esta teoria à luz da genética.[3] , [4] .

Gene da velocidade[editar | editar código-fonte]

Foi descoberto o gene associado a uma mutação da miostatina, presente em famílias de cavalos muito velozes.[5] .[6]

Registros[editar | editar código-fonte]

A origem e características de cada animal thoroughbred são registradas por organismos denominados Stud Book. O primeiro Stud Book foi criado na Inglaterra em 1793.

Os thoroughbreds tem, para fins de inscrição em corridas (enturmação), suas datas de mudança de idade convencionadas: os nascidos no hemisfério norte, cumprem anos em 1 de janeiro; os nascidos no hemisfério sul o fazem em 1 de julho.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LOUREIRO NETTO, Jayme. Tábua Genealógica de Cavalos de Corrida - Linhas Paternas 1680/1974. Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos de Corrida (ABCCC), Rio de Janeiro, 1978.

Referências