Royal Asiatic Society

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The Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland (Real Sociedade Asiática da Grã-Bretanha e Irlanda), em geral conhecida por Royal Asiatic Society ou RAS, é uma organização fundada em Londres no ano de 1823 tendo como objectivo estatutário a investigação e o encorajamento da investigação de assuntos da ciência, da literatura e das artes relativos à Ásia[1] . A RAS foi fundada por iniciativa de um distinto grupo de orientalistas liderado por Henry Thomas Colebrooke, um estudioso do sânscrito, e recebeu em 1824, de Jorge IV do Reino Unido, o estatuto de Sociedade Real. A sociedade têm mantido ao longo dos anos uma presença actuante, criando capítulos locais em alguns países asiáticos e congregando os mais distintos estudiosos das línguas e culturas da Ásia.

Objectivos[editar | editar código-fonte]

Nos termos dos seues estatutos, aprovados por carta régia de Jorge IV da Grã-Bretanha datada de 11 de Agosto de 1824, a Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland (RAS) tem como objectivo o fomento do estudo das ciências, línguas e culturas da Ásia (nas palavras do estatuto: the investigation of subjects connected with and for the encouragement of science, literature and the arts in relation to Asia). Desde a sua fundação a RAS tem sido um foro de pesquisa académica, ao mais alto nível, promovendo conferências, editando periódicos especializados, com destaque para o Journal of the Royal Asiatic Society (o JRAS), e publicando obras sobre temática asiática. A RAS é considerada a academia sénior de estudos asiáticos do Reino Unido, incluindo entre os seus membros os seus mais notáveis estudiosos. Os membros da Sociedade têm o direito de usar após o seu nome as iniciais FRAS, Fellow of the Royal Asiatic Society.

História[editar | editar código-fonte]

A RAS foi fundada em Londres no ano de 1823 por iniciativa de um grupo de notáveis estudiosos do orientalismo, apoiados por um grupo de oficiais ligados à administração colonial britânica, em espacial ao Raj Britânico. O grupo era liderado por Henry Thomas Colebrooke, um importante estudioso do sânscrito que fora presidente da Asiatic Society of Calcutta, que pretendia que a nova sociedade fosse uma contra-parte metropolitana daquela instituição, fundada na Índia em 1774 pelo jurista e estudioso do sânscrito Sir William Jones.

Quando o Oriental Club de Londres foi formado em 1824, foi fixado que ser membro da RAS era uma das quatro qualificações para admissão no novo clube[2] .

A estreita ligação da RAS ao Império Britânico no Oriente levou a que a maior parte dos trabalhos produzidos pelos seus membros, ou apoiados pela Sociedade, focassem temas relativos ao subcontinente indiano. Contudo, os objectivos da RAS estendiam-se muito para além da Índia, abrangendo todo campo de estudo que se convencionara ser coberto pelo orientalismo, incluindo toda a Ásia, a Etiópia e as culturas islâmicas do Magrebe. A sociedade coloca contudo algumas limitações ao seu campo de investigação, nomeadamente não apoiando estudos de história contemporânea e estudos de política actual. Esta moratória na investigação de assuntos da actualidade levou à fundação da Central Asian Society, que depois se transformou na Royal Society for Asian Affairs. Depois da Segunda Guerra Mundial, com o gradual fim da hegemonia britânica na a leste do Suez, a RAS manteve o seu foco Ásia, remetendo-se a um papel puramente académico e politicamente desinteressado.

Durante toda a sua história, a Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland manteve um número reduzido de membros (os fellows), recrutados pelo seu valor académico e influência pública de entre os mais distintos investigadores e reputados políticos ligados aos assuntos da Ásia. Entre os membros mais notáveis contam-se personalidades como Rabindranath Tagore, Sir Aurel Stein e Sir Wilfred Thesiger. Apesar de serem admitidos membros de todo o mundo, a maioria é proveniente do Reino Unido e dos países asiáticos que foram colónias britânicas. Novos membros são eleitos regularmente.

A RAS mantém sociedades afiliadas em vários pontos da Ásia: na Índia (Calcutá, Bombaim, Bangalore, Madras e Bihar), Sri Lanka (a Royal Asiatic Society of Sri Lanka), Hong Kong (fundada em 1847), Japão, Malásia (estabelecida 1877) e Seoul, Coreia (fundada em 1900)[3] . A antiga filial de Bombaim é agora The Asiatic Society of Bombay. Em 2008 a filial de Shanghai, que existira de 1857 a 1949, foi restabelecida como a Royal Asiatic Society, North Asia Branch.

O Journal of the Royal Asiatic Society (JRAS) é publicado quatro vezes por ano pela Cambridge University Press, tendo como objectivo a publicação de artigos científicos sobre os temas de estudo da Sociedade e a crítica e revisão de literatura sobre as mesmas temáticas. Para além do JRS a Sociedade publica regularmente manuscritos históricos e monografias de grande qualidade académica.

A RAS mantém o Oriental Translation Fund of Great Britain and Ireland, um fundo estabelecido em 1828[4] , destinado a apoiar a edição de obras sobre temáticas asiática que pelas suas características não pudessem ser editadas pelos editores comerciais. Criado o contexto dos fundos editoriais da época Vitoriana (os antecessores dos clubes do livro) que imprimiam obras para distribuição pelos seus subscritores, ao contrário do que aconteceu com a sua maioria, o funda da RAS sobreviveu até aos nossos dias, mantendo uma nova série de edições e distribuindo as antigas publicações em suporte digital para fins de investigaçção[5] . Os resultados obtidos pelo fundão foram excelentes desde a sua fundação[6] .

A Royal Asiatic Society é presentemente presidida pelo Dr Gordon Johnson e tem como patrono o Príncipe Carlos de Gales.

Notas

Algumas publicações da RAS[editar | editar código-fonte]

  • "Charter of Incorporation of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland." Journal of the Royal Asiatic Society. pp 25-27, 1957.
  • Beckingham, C.F. Centenary Volume of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland 1823-1923. Pargiter, F.E. (ed.) Published by the Society, 1923, London.
  • Mashita, Hiroyuki. Theology, Ethics and Metaphysics: Royal Asiatic Society Classics of Islam. Routledge Publishing, 2003.
  • Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland. B. W. Robinson. Persian Paintings in the Collection of the Royal Asiatic Society Routledge, 1998.
  • Rost, Reinhold. "Miscellaneous Papers Relating to Indo-China and the Indian Archipelago" Reprinted for the Straits Branch of the Royal Asiatic Society, from the "Journals" of the Royal Asiatic, Bengal Asiatic, and Royal Geographical Societies; the "Transactions" and "Journal" of the Asiatic Society of Batavia ... Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland Malayan Branch Published by Trübner & co., 1887.
  • Tritton, Arthur Stanley. Muslim Theology... Royal Asiatic Society by Luzac, 1947.
  • Winternitz, Moriz (compiled), Frederick William Thomas (appendix). A Catalogue of South Indian Sanskrit Manuscripts: Especially Those of the Whish Collection Belonging to the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland. Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland Library. Whish Collection, 1902.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Finn, Elizabeth Anne McCaul. Reminiscences of Mrs. Finn, Member of the Royal Asiatic Society. Marshall, Morgan and Scott, 1929.
  • Hunter, William Wilson. Life of Brian Houghton Hodgson: British Resident at the Court of Nepal, Member of the Institute of France; Fellow of the Royal Society; a Vice-president of the Royal Asiatic Society, Etc. J. Murray, 1896.
  • Simmonds, Stuart, Simon Digby. "The Royal Asiatic Society: its history and treasures": In commemoration of the sesquicentenary year of the foundation of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland. E. J. Brill, 1979.
  • Skrine, Francis Henry, William Wilson Hunter. Life of Sir William Wilson Hunter, K.C.S.I., M.A., LL.D., a Vice-president of the Royal Asiatic Society. Longmans, Green, and Co., 1901.
  • Taintor, Edward C. "The Aborigines of Northern Formosa: A Paper Read Before the North China Branch of the Royal Asiatic Society." Customs Press: Shanghai, 18th June, 1874.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]