Santo Inácio (Paraná)

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Município de Santo Inácio
Bandeira desconhecida
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida Brasão desconhecido
Hino
Aniversário 14 de dezembro
Fundação Não disponível
Gentílico santo-inaciense
Prefeito(a) Valdir Antonio Turcato (PSD)
(2013–2016)
Localização
Localização de Santo Inácio
Localização de Santo Inácio no Paraná
Santo Inácio está localizado em: Brasil
Santo Inácio
Localização de Santo Inácio no Brasil
22° 41' 52" S 51° 47' 38" O22° 41' 52" S 51° 47' 38" O
Unidade federativa  Paraná
Mesorregião Norte Central Paranaense IBGE/2008 [1]
Microrregião Astorga IBGE/2008 [1]
Região metropolitana Setentrião Paranaense, Maringá
Municípios limítrofes Cafeara, Colorado, Lupionópolis, Nossa Senhora das Graças, Santa Inês e estado de São Paulo
Distância até a capital Não disponível
Características geográficas
Área 306,871 km² [2]
População 5 269 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 17,17 hab./km²
Altitude 410m m
Clima subtropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,738 alto PNUD/2000 [4]
PIB R$ 115 190,802 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 23 121,40 IBGE/2008[5]
Página oficial

Santo Inácio é um município brasileiro do estado do Paraná. Sua população estimada em 2004 era de 5.021 habitantes.

Pré-história do município[editar | editar código-fonte]

O município de Santo Inácio está localizado onde aconteceu uma grande obra civilizadora realizada pelos missionários da Companhia de Jesus, por ordem do rei de Castela, no início da segunda metade do século XVI, este acontecimento estendeu até a região circunscrita das bacias dos rios Paranapanema, Ivaí, Piquiri e Paraná, integrante da então província paraguaia de Guairá, mais tarde província e hoje estado do Paraná.

As 13 reduções fundadas pelos padres Jesuítas Castelhanos, onde, desde 1554, já existia as povoações oficiais espanholas de Ontiveros, Ciudad Real del Guaira e Vila Rica do Espírito Santo, encontramos a Redução de Santo Inácio Mini, localizado a esquerda do rio Santo Inácio, afluente do rio Paranapanema, e a Nossa Senhora de Loreto, capital da Missão Jesuíta de Guaíra, fundada em 1610, junto a foz da rio Pirapó no Paranapanema.

Foi ai que Montaya escreveu, em 1613, a "Arte y Vocabulário de la Lengua Guarani", que serviu aos missionários para se entenderem com os povos indígenas que dominavam a região, e que foi, talvez, o primeiro livro escrito e impresso em terras da América. Reza a Tradição que o padre Simão Macetta, acompanhado de outros jesuítas, vindos do Paraguai, penetravam os sertões da Província de Guaíra, às margens do Paranapanema, com o propósito de visitarem os "pueblos" já existentes na região.

Numa tarde cálida do sertão, depois de exaustiva caminhada pela floresta virgem, a caravana se encontravam na embocadura dos rios Pirapó e Paranapanema, onde se decidiu acampar. Enquanto seus piedosos companheiros promoviam os preparativos da primeira refeição do dia, padre Simão, que era excelente violonista, aguardando o instante do recolhimento e da oração, tirava acordes sonoros do seu instrumento e à proporção que a música se elevava em volume e harmonia os habitantes da selva, os bravios tucutis, como que hipnotizados pelo espetáculo da música, movido pela sua natural curiosidade e sentimentos, se aglomeravam ao redor do artista, empolgados pela cena inédita que ali se desenrolava.

Desse espetáculo, os jesuítas que, na realidade penetravam os sertões com o escopo de catequista, não deixaram de tirar imediato proveito para incontinente organizar e fundar "pueblos", ou seja, a primeira redução da Companhia de Jesus.

Naqueles recuados tempos da história eram senhores absolutos e soberanos desta praga os destemidos chefes guerreiros "Sondá e Tambu Gravetin", os quais ao terem conhecimento da ocorrência, procuraram a entrar em contato com os ministros de Deus, para asseverar-lhes tom amistoso, porém, enérgico: "co ivi iguerecó yara", que dizia "esta terra tem dono" repetindo o histórico lema do grande e temível cacique Guairacá.

Inteligentes e hospitaleiros, os chefes índios não deixaram contudo, de acolher a idéia do padre Simão Macetta, propondo-se a auxilia-lo, na medida do possível, para a fundação da redução jesuíta idealizada por aquele missionário.

Assim, removido o único empecilho que poderia entravar a concretização da idéia, surgiu no mesmo local, onde se operou o "milagre do violonista", a redução de Nossa Senhora de Loreto, tendo sido mais tarde mudada sua denominação para "Santo Inácio Maior".

Decorridos alguns anos, o padre Lorenzo de Lorenzoni, no anseio de progresso que lhe animava o espírito realizador, fundou outra redução a que deu a denominação de "Redução de Santo Inácio Mini" que, como a primeira, ficou situada às margens do rio Paranapanema.

Santo Inácio Mini se desenvolveu com extraordinária intensidade conseguindo, em pouco tempo, sobrepujar sua congênere maior, de vez que os índios na nação Tucuti, preferiram erguer suas malocas em torno da Redução menor (mini). Assim, em 1608, quando Dom Hernández, vice-rei da Espanha, visitou seu cunhado, padre Mário, administrador da Redução, encontrou Santo Inácio Mini em franca expansão, dispondo de uma população de mais de cem mil habitantes, ao passo que Santo Inácio Maior contava com quinze mil habitantes.

Tudo corria tranqüilo, quando motivos políticos puseram espanhóis e portugueses em luta aberta em todos os pontos em que esse dois povos procuravam se estabelecer. Os bandeirantes Antônio Raposo Tavares e Manuel Preto à frente de poderoso exército arregimentado no interior da capitania de São Paulo, resolveram invadir a província de Guaíra e expulsar os castelhanos de suas posses.

Sob o fragor da luta violência dos combates que então se travava, desapareceram, totalmente destruídas, as cidades de Vila Rica do Espírito Santo, Ontiveros e Ciudad Real de Guayra e as 13 reduções, dentre as quais a de Santo Inácio Mini, retirando-se, penosamente os missionários e índios aldeados, sobreviventes, para nunca mais voltarem.

Foi um dia de juízo final - diz o historiador Padre Montoya, na ocasião residente em Santo Inácio Mini - o abandono dessa redução. Foram lançados às águas revoltas e cachoeiras do rio Paranapanema mais de 3 (três) mil canoas indígenas, para transportarem os refugiados. A maioria delas naufragou ao transpor as terríveis corredeiras daquele rio. Após penosa viagem inçada das mais terríveis provações, chegaram os remanescente da retirada ao baixo Paraná, dali se transportando às regiões dos Tapes no Rio Grande do Sul.

Assim ficou abandonada a erma e imensa redução de Santo Inácio, bem como as demais reduções e "pueblos" castelhanos erguidos na bacia do Paranapanema e na mesôpotâmia do rio Piquiri-Ivaí, cujos domínios se estendiam do Paranapanema às margens barrentas do rio Paraná, ao acidente da extinta província paraguaia de Guaíra. De Santo Inácio Mini, como as demais reduções e cidades castelhanas, ficaram apenas alguns vestígios e as ruínas, no coração do sertão, reveladoras de um passado longínquo e grandioso.

História do município[editar | editar código-fonte]

Em nossos dias, lá pelo ano de 1924, Manuel Firmino de Almeida, engenheiro civil, natural da Bahia, requereu e obteve do Governo do estado do Paraná a concessão de uma gleba de cinqüenta mil hectares, de terras devolutas, ao patrimônio do estado, dentro das quais se encontravam as ruínas da histórica Redução de Santo Inácio Mini.

Os trabalhos de medição, que demarcaram o levantamento topográfico da gleba, foram efetuados pelo próprio engenheiro concessionário, que deu ao patrimônio a denominação de Colônia Zacarias de Góis, em homenagem ao primeiro presidente da Província do Paraná, o ilustre baiano, conselheiro Zacarias de Góis e Vasconcelos.

Fincou, assim, o engenheiro civil Manuel Firmino de Almeida o marco da colonização desta região depois de um longo interregno de mais de três séculos, surgindo, em conseqüência o primeiro núcleo desbravado no quadrante geográfico que integrou o território da antiga província de Guaíra e das reduções jesuíticas imortais e redivivas.

Da região da Alta Sorocabana, no estado de São Paulo, vieram então os pioneiros: Ovídio Pereira da Silva, Pedro Pinto de Andrade, João Ferreira Pinto, Max Hermann, Osvaldo Rocha Freitas Neiva, Aroldo Rocha Freitas Neiva e outros seus irmãos, além de muitos que seria ocioso enumerar neste bosquejo histórico.

Na conformidade dos termos do contrato de concessão, firmado entre o Governo do Paraná e Manuel Firmino de Almeida, surgiu o povoado de Santo Inácio, denominação dada pelo seu fundador, como recordação da antiga Redução de Santo Inácio Mini, cujas ruínas estão situadas há poucos quilômetros de distância da atual cidade de Santo Inácio.

Paralelo ao desbravamento do solo fértil, foram surgindo os cafezais, as pastagem e as diversas cultura de cereais, que trouxeram a prosperidade, o progresso e o bem estar à nova geração de bandeirantes modernos ali estabelecidos.

Com o desmembramento de município de Sertanópolis em 1948, a que pertencia anteriormente, ficou a nova colônia juridicamente subordinada ao município e comarca de Jaguapitã, recém-criada tendo o povoamento de Santo Inácio, sido nesse mesmo ato, elevado à categoria de vila e distrito, com a denominação de Distrito da Redução de Santo Inácio.

Pela Lei Estadual número 790, de 14 de novembro de 1951, foi elevado à categoria de município com a denominação atual de Santo Inácio, procedendo-se a sua instalação a 14 de dezembro do ano seguinte.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.

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