Termópilas

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O desfiladeiro das Termópilas, tal como se apresentava por volta do ano 480 a.C. – uma estreita língua de terra entre o Golfo de Mália e os Montes Eta e Calídromo. Foi aí que se travou aquela que é, provavelmente, uma das mais conhecidas batalhas da Antiguidade Clássica.
O poema Θερμοπύλες (Thermopyles) de Konstantínos Kaváfis.

As Termópilas (do gr. Θερμοπύλαι, transl. thermopylai, "portas quentes"; em demótico moderno Θερμοπύλες, transl. thermopyles) constituíam um antigo estreito situado no centro da Grécia, na fronteira entre as regiões da Fócida (a Sudoeste), da Ftiótida (a Noroeste), da Lócrida (a Nordeste) e da Beócia (a Sudeste), encravado entre as cadeias montanhosas do Eta e do Calídromo e um braço de mar (o golfo de Mália).

Devem o seu nome ao facto de no seu interior existirem duas fontes sulfurosas, sendo que o estreito – uma simples faixa de areia entre o mar e o desfiladeiro –, em três dos seus troços (as três «portas», donde o estreito houve o seu nome), era de tal forma estreito que, de acordo com a narrativa do historiador Heródoto de Halicarnasso, apenas podia passar um carro de cada vez (Histórias, Livro VII, 176).

Tratava-se de uma região relativamente estéril, apta somente para o pastoreio.

Nas proximidades do desfiladeiro correm dois rios: o Asopo e o Esperqueu, os quais, ao longo dos séculos, foram depositando sedimentos nas imediações do estreito, fazendo aumentar a estreita faixa de terra entre o desfiladeiro e o mar, de apenas cerca de 13 metros, para vários quilómetros de comprimento, consoante os locais.

As Térmopilas tornaram-se conhecidas após a célebre batalha do mesmo nome, que opôs os defensores da Grécia aos persas invasores, em meados de 480 a.C., no decorrer da II Guerra Médica, tendo-se tornado sinónimo de resistência heróica ao inimigo. Houve, contudo, várias outras batalhas travadas nesse estreito, ao longo da Antiguidade Clássica.

Hoje em dia, ergue-se no local um monumento, inaugurado em 1955, dedicado ao rei Leónidas I de Esparta, com a inscrição abaixo, que faz referência ao pedido persa para que eles depusessem suas armas:

«Venham buscá-las»

E um outro monumento aos seus míticos Trezentos Espartanos que aí o acompanharam na morte; nele figura uma lápide com os célebres versos de Simónides de Ceos:

´Ω ξεíν´, ´αγγέλλειν Λακεδαιμονíοις ´οτι τηδε
κείμεθα τοîς κείνων ρήμασι πειθόμενοι.

Ou em português (tradução de Maria Helena da Rocha Pereira, in Hélade, 6.ª ed., Coimbra, FLUC, 1995, p. 148):

«Estrangeiro, vai contar aos Lacedemónios que jazemos
aqui, por obedecermos às suas normas.
»

Outra tradução possível:

«Digam aos espartanos, estranhos que passam, que aqui,
obedientes às suas leis, jazemos.
»

Ou ainda:

«Passante, aos espartanos dizei,
Que aqui jazemos, em obediência à lei.
»

Fotos desse monumento podem ser encontradas na versão em língua neerlandesa desta página, aqui.

Também o poeta grego do século XX, Konstantínos Kaváfis, dedicou um poema a este passo, do qual se pode ver a primeira página ao lado.

Fontes[editar | editar código-fonte]

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